‘Não estamos nem perto de onde o Manchester United deveria estar’
Português admite incômodo com calendário esvaziado, distância para os rivais e momento abaixo da história dos Red Devils
Apesar da melhora significativa a partir da chegada de Michael Carrick, a atual temporada tem sido frustrante para o Manchester United — e Diogo Dalot fez questão de deixar isso claro. Em entrevista ao jornal britânico “Daily Mail”, o lateral português admitiu que 2025/26 é o período mais difícil desde que chegou a Old Trafford, principalmente pelo vazio competitivo provocado pela ausência em torneios europeus.
Depois de anos em que o clube ao menos se manteve presente em palcos relevantes do calendário continental, o cenário atual escancarou o tamanho do atraso esportivo dos Red Devils em relação ao que sua história exige. Para Dalot, o desconforto não se resume aos maus resultados ou à falta de títulos: ele também passa pela sensação incômoda de ver times rivais seguirem vivos em jogos grandes enquanto o United fica à margem.
— Doeu ver nossos rivais da Premier League na Champions League e em finais de copas. Pessoalmente, penso que esta foi a temporada mais difícil nesse aspecto: estar em casa vendo todos os outros jogarem enquanto nós apenas treinamos.
A esvaziada temporada do Manchester United

A derrota para o Tottenham na final da Liga Europa, em Bilbao, no fim da última temporada, deixou marcas que se estenderam para o ciclo atual. Fora das competições continentais, o Manchester United passou a acompanhar de longe a caminhada de seus principais rivais na Champions.
O esvaziamento do calendário ficou ainda mais evidente com as eliminações precoces nas copas domésticas. Os Red Devils caíram antes do esperado diante de Grimsby Town (Copa da Liga Inglesa) e Brighton (Copa da Inglaterra), o que reduziu drasticamente o número de compromissos ao longo da temporada.
Na prática, o United disputará apenas 40 partidas somando todas as competições — número que transforma 2025/26 na temporada mais curta do clube desde a Primeira Guerra Mundial. Para um elenco montado para competir em alto nível, o cenário ajuda a explicar o tamanho da insatisfação interna e o tom de urgência que aparece nas declarações de Dalot.
— Não estamos nem perto de onde este clube devia estar. No entanto, isto nos dá ainda mais fome e um sentido de responsabilidade para garantir que, quando voltarmos a essas competições, nunca tomemos esses momentos como garantidos — concluiu o defensor.
Mesmo com o time ocupando atualmente a terceira colocação da Premier League sob o comando de Carrick, e bem posicionado para retornar à próxima edição da Champions, o sentimento interno parece ir além da simples busca por classificação. Há uma necessidade mais profunda de recuperar peso competitivo, regularidade e identidade — dado o tamanho e importância da instituição.
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Para Dalot, esse foi o momento mais especial desde que chegou ao United

Ao olhar para trás, Dalot apontou justamente um título como o principal símbolo do que o Manchester United precisa voltar a perseguir com frequência. O lateral elegeu a conquista da Copa da Liga Inglesa, em 2023, diante do Newcastle, como o momento mais marcante de sua trajetória em Old Trafford.
— Tive uma longa caminhada desde que assinei pelo Manchester United em 2018, mas a minha memória favorita será sempre a primeira vez que ganhei um troféu pelo clube.
A lembrança tem peso especial pelo que a conquista representou na construção da relação do jogador com o clube. Dalot chegou ao United ainda jovem, atravessou diferentes contextos técnicos, disputou espaço, amadureceu e viveu altos e baixos até se firmar como peça importante do elenco.
Na temporada seguinte, ele ainda conquistaria a Copa da Inglaterra em uma final diante do Manchester City, ampliando a coleção de momentos importantes. Mas foi a primeira taça, segundo o próprio jogador, que mudou a chave.
— Esse sentimento é exatamente o motivo pelo qual se assina pelo Manchester United: para ganhar troféus e competir nas melhores competições. Foi a primeira vez que senti realmente: “ok, é assim que se sente ao ganhar por este clube”. E funcionou como um desbloqueio que me fez querer ganhar ainda mais — concluiu.



