Europeu está pouco se lixando para o Mundial? Tente dizer isso para Ryan Giggs
Barcelona e River Plate enfrentam-se na final do Mundial de Clubes neste domingo com duas perspectivas diferentes. Para os catalães, seria legal adicionar mais um título à extensa galeria, enquanto para os argentinos a vitória seria fonte de orgulho incomparável. Não é segredo para ninguém que os sul-americanos dão muito mais valor ao torneio do que os europeus, mas uma figura importante do futebol do Velho Continente, em particular, vê bastante grandeza na competição e gostaria que ela fosse mais valorizada entre seus colegas. Ryan Giggs é um defensor das credenciais que uma conquista no Mundial dá aos vencedores.
VEJA TAMBÉM: Barcelona volta à final do Mundial para encontrar um clube que já lhe serviu de escola
Em entrevista ao site oficial da Fifa, Giggs reconheceu que os europeus dão mais valor à Champions League do que ao Mundial, mas argumentou que a caminhada necessária para se chegar à disputa intercontinental pode tornar a competição maior do que a Liga dos Campeões. “Embora seja chamado de Mundial de Clubes, os jogadores europeus parecem ver a final da Champions League como maior. Mas é mesmo? Para vencê-lo (o Mundial), você tem que fazer tanta coisa. E você enfrenta um time, normalmente da América do Sul, que definitivamente quer vencer. Eles percebem o quão grande é e que é sua chance de vencer os campeões da Europa. Então, é um desafio enorme”, explicou.
Tomando como exemplo sua conquista em 1999, pelo Manchester United, derrotando o Palmeiras na decisão, o galês contou que os próprios atletas dos Red Devils não tinham dimensão da importância do Mundial. Até que uma conversa com o lendário técnico Alex Ferguson mudou a visão de todos. “Para nós, acho que mesmo os jogadores não estavam conscientes do quão grande era antes (de disputarmos). Quando chegamos lá, o Sir Alex colocou isso em nossa cabeça. Disse-nos que o United nunca havia vencido e que poderíamos ser os primeiros (britânicos a vencer). Se os rapazes ainda não sabiam o quão importante o jogo era, ele garantiu que todo mundo soubesse”, revelou o ex-jogador.
“Naquela ocasião, o Sir Alex definitivamente nos deixou mais focados sobre o quão importante isso era não apenas para o Manchester United, mas também para o futebol inglês. Ele ressaltou a necessidade de sermos campeões do mundo dizendo: ‘Não há muitos times que tiveram essa chance. Você pode não conseguir essa chance novamente, então certifique-se de vencer’”, completou.
Como os palmeirenses gostam de lembrar, apesar da amargura da derrota, Giggs recordou da final com os brasileiros dizendo que, em vários momentos do jogo, o time comandado por Felipão foi superior aos Red Devils. Falou também do sentimento de vencer pela segunda vez o Mundial, contra a LDU, definindo como um prazer semelhante ao de vencer a Champions.
“Contra o Palmeiras, em 1999, por grande parte do jogo eles foram o melhor time. Eles definitivamente foram melhores antes de Roy Keane marcar. Depois daquele gol, dominamos e poderíamos ter feito mais dois. Eu fui escolhido como o melhor em campo, mas não acho que eu tenha merecido. O Mark Bosnich nos salvou em duas ocasiões. Depois que vencemos a LDU em 2008, pude aproveitar muito mais. De muitas maneiras, dá para comparar com o prazer que senti depois de vencer a Champions League pela segunda vez. Diverti-me muito vendo a euforia dos outros jogadores. Havia uma percepção maior do que havíamos conquistado. Foi uma sensação inacreditável.”
O desinteresse particular dos ingleses no Mundial, na opinião de Giggs, acontece pelas participações escassas dos times do país na competição. O galês acredita que seria uma questão de costume, que poderia mudar com o passar do tempo. E cita um ex-companheiro de time como exemplo de como um inglês pode apreciar a conquista. “Se os times ingleses vencerem mais, talvez os torcedores daqui conheçam mais sobre o torneio. Mas se os times não vencerem tanto, é ainda mais especial e destacado quando alguns conseguem. Acho que o Rio Ferdinand deu uma entrevista dizendo que era o sucesso de que ele mais tinha orgulho, pelo que ele fez para conseguir. Eu definitivamente assinaria embaixo disso. É uma conquista enorme”, opinou o antigo camisa 11 do United.
Embora a percepção que os europeus têm do Mundial dificilmente mude nos próximos anos, é interessante ver a opinião de um dos maiores jogadores da história do continente em defesa da importância do torneio. É verdade que não é como se Giggs tivesse deliberadamente ido a público, por iniciativa própria, em defesa da competição. Essas suas falas existiram pelo fato de o site da Fifa entrevistá-lo, em meio à disputa do Mundial, como forma de promover o torneio. Ainda assim, as respostas do galês parecem sinceras demais para serem ignoradas.



