Inglaterra

Esterilidade do ataque escocês

A imprensa britânica chamou de “a mãe de todos os gols perdidos”. Ou algo do tipo. Foi assim a reação à oportunidade incrível desperdiçada por Chris Iwelumo no Escócia x Noruega em Hampden Park. Ele recebeu cruzamento de Naysmith a menos de 3 m do gol. Detalhe: o goleiro Knudsen estava caído. E, mesmo assim, o atacante chutou para fora. Um erro que custou caro aos escoceses, pois a partida ficou no 0 a 0.

É evidente que o lance foi bizarro e ocasional. E não foi o gol mais feito já perdido (Mario Gomez perdeu um muito pior no Áustria 0x1 Alemanha na Eurocopa). Ainda assim, ajudou a chamar a atenção dos escoceses para a ausência de argumentos ofensivos de sua seleção. Um problema que pode ser fatal na luta pela segunda posição do Grupo 9 das eliminatórias européias para a Copa de 2010.

Em três partidas, a Escócia marcou apenas dois gols, ambos contra a Islândia. Essa esterilidade ofensiva custou caro contra a Noruega, já que a vitória em casa é quase obrigatória em um confronto contra o concorrente direto pela vaga no Mundial. O mesmo pode ser dito a respeito da derrota para a Macedônia na estréia.

A falta de poder de ataque não é simples azar. A Escócia está se ressentindo da falta de opções da geração atual. Os melhores dianteiros são, no máximo, de nível médio para o padrão europeu: Kenny Miller, Shaun Maloney e James McFadden. No entanto, o segundo não é titular absoluto do Celtic e o terceiro defende o Birmingham City, da segunda divisão inglesa. De resto, sobram os inexperientes Steven Fletcher, Ross McCormack e David Clarkson e o estabanado Iwelumo.

A situação seria menos crítica se o técnico George Burley utilizasse Kris Boyd (que também não é um gênio, mas está no mesmo nível dos melhores atacantes da Escócia). Seus números pela seleção escocesa são bons (7 gols em 15 jogos), mas Burley claramente não morre de amores por ele. O atacante do Rangers jogou apenas 28 minutos somando as seis partidas da Escócia com o atual treinador. Contra a Noruega, o jogador ficou no banco os 90 minutos.

Boyd não gostou disso e, no dia seguinte à partida, enviou uma mensagem no celular do técnico e ligou a Gordon Smith (presidente da federação escocesa) pedindo dispensa da seleção. Para a imprensa, o atacante se disse chateado e anunciou que não voltará a defender a Escócia enquanto Burley continuar no comando da equipe. Uma decisão que, se mantida, deixará o Tartan Army com motivos para preocupação.

Seria a segunda “aposentadoria” recente da Escócia. No início da temporada, o meia Lee McCulloch disse que pretendia se dedicar apenas a seu clube (o Rangers). Sem a dupla, os escoceses perdem duas figuras importantes na boa campanha nas eliminatórias da Eurocopa. E fica mais difícil imaginar uma repetição desse desempenho agora. Ainda que o grupo – com Holanda, Noruega, Islândia e Macedônia – seja acessível.

Comissão de venda

Não é de hoje que Rangers e Celtic mostram má vontade em relação ao resto da Scottish Premier League. Uma briga que está vivendo mais um capítulo. Dessa vez, o motivo é a venda de ingressos para torcedores da Old Firm quando o mandante é algum pequeno.

Nesta temporada, os dois grandes começaram a cobrar dos demais clubes uma comissão de 5% para os ingressos vendidos a seus torcedores. De acordo com Celtic e Rangers, o motivo é melhorar o serviço e fazer que mais pessoas viagem pelo país para acompanhar a dupla de Glasgow. Com mais gente visitando as cidades, as economias locais teriam mais movimento e o valor da comissão retornaria aos clubes pequenos de algum modo.

No entanto, alguns pequenos não aceitaram a idéia. Muitos preferiram simplesmente aumentar o valor das entradas no setor de visitantes. O Saint Mirren, por exemplo, chegou a cobrar £ 7 a mais para os torcedores do Rangers no confronto da semana passada.

Trata-se, no fundo, de uma queda de braço. Celtic e Rangers acreditam que são maiores que o futebol escocês e que seriam potências européias se atuassem em uma liga mais forte. Como o pedido para integrar a Premier League inglesa não foi para a frente,m ambos decidiram espremer mais o mercado interno. Como? Primeiro, batendo o pé e exigindo uma fatia maior na divisão dos direitos de TV. Agora, pedindo comissão para os clubes pequenos.

A idéia da comissão sobre os ingressos se baseia na crença de que Bhoys e Gers sustentam os demais clubes quando visitam seus estádios. Afinal, esses são os raros jogos em que os pequenos têm casa lotada (o que é verdade). Desse modo, cobrar a comissão seria uma maneira de ter retorno pelo mercado que pertencem aos grandes.

O fato de os pequenos se negarem a pagar comissão é a reação nessa disputa. Para essas equipes, a possibilidade de ter estádio lotado é um bom motivo para aumentar o preço. Argumentam que há muita procura pelos ingressos de visitantes nessas partidas e pouca oferta (assentos). Por lógica da economia, esse seria um bom motivo para subir os preços.

O tema tem tudo para não ser dos mais sérios e pode acabar com uma boa conversa. No entanto, se os dois lados continuarem mostrando teimosia na manutenção de suas idéias, há o risco de se aumentar a cisão no futebol escocês.

Inglaterra goleia, mas não convence

A goleada por 5 a 1 sobre o Cazaquistão, somada ao empate entre Croácia e Ucrânia, deixou a Inglaterra em situação ainda mais confortável para conseguir uma vaga na Copa do Mundo. No entanto, há motivos para alguma atenção. O time tem apagões e, por mais que Fabio Capello tenha dado um padrão tático, os ingleses ainda não resolveram questões-chave para sua seleção.

A mais destacada é a dificuldade em fazer Lampard e Gerrard jogarem juntos. Ambos ocupam a mesma faixa do campo em seus clubes e, quando estão lado a lado, demoram pra se encontrarem. Isso ficou nítido no primeiro tempo da partida deste sábado, até porque o 4-3-3 utilizado aprofundou a dependência de um bom entendimento de ambos. Sem criatividade e força na frente, o English Team não conseguiu sair do 0 a 0 contra os cazaques.

No segundo tempo, com um 4-4-2 tradicional, o time deslanchou. A vantagem desse sistema é que, por ser o mais convencional na Inglaterra, os jogadores estão acostumados a utilizá-lo. Além disso, com apenas dois atacantes, Rooney não precisa trabalhar como ponta. Podendo abrir para os dois lados, sua interação com Heskey é maior e o ataque se torna menos previsível (o que já havia ficado evidente na vitória sobre a Croácia em Zagreb há um mês).

Essa dificuldade em jogar acabou criando um clima relativamente hostil no estádio. Os 89 mil torcedores que foram a Wembley não se furtaram a vaiar a equipe em alguns momentos – e Ashley Cole em particular, depois de o lateral falhar no gol cazaque. De qualquer modo, a Inglaterra de Capello tem condições de seguir tranqüila nas eliminatórias. E, se amadurecer seu trabalho coletivo, pode ser uma força em 2010.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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