Inglaterra

Esperou por que?

Gareth Southgate não é mais o treinador do Middlesbrough. Deixou a equipe com sete vitórias, dois empates e quatro derrotas no Championship, na terceira posição. Nem as derrotas nem os empates foram em partidas com times de muito de baixo da tabela, e os times que estavam acima do Boro eram justamente os que caíram com ele, West Brom e Newcastle. Por que diabos, então, mandaram o cara embora?

A pergunta é especialmente difícil de responder quando se considera que a equipe manteve Southgate no cargo no ano passado, quando estava claro que o clube cairia para a segunda divisão, e alegou que daria tempo ao treinador, mesmo que isso significasse cair. Significou, e depois chutaram o treinador. Antes do meio da temporada, antes que ele tivesse tido tempo de deixar claro se poderia subir. O Boro estava fora da zona de classificação automática para a Premier League, mas, não custa repetir, quem está dentro é o Newcastle e o West Brom.

A direção do Middlesbrough alega que a torcida estaa abandonando o time, o que não aconteceu na temporada passada, mesmo quando o time jogava mal e claramente ia cair. Ora, o que esperar de pessoas que se acostumaram a ver o Manchester United e de repente têm que assistir a jogos com o Watford? É claro que a média de público tinha que cair, como subiria certamente se o time encaixasse uma boa sequência.

Southgate será substituído por Gordon Strachan, ex-meia da Escócia nas Copas de 82 e 86, e que foi treinador do Celtic até o ano passado. Em Glasgow, em quatro temporadas chegou a três títulos, e levou o Celtic às quartas de final pela primeira vez desde que o atual formato foi implantado, em 1993. Ainda assim, nunca conseguiu ser querido pela torcida, que não lamentou sua saída.

Tudo bem que o problema em Glasgow era pelos antecedentes de Strachan, que foi jogador do Dundee e do Aberdeen, quando não fazia questão de tratar bem a torcida dos Bhoys. Mas se estão mandando um técnico embora porque a torcida se afastou, não parece incoerente chamar outro que não conseguiu conquistar os adeptos nem ganhando tudo o que havia para ganhar?

A decisão da direção do Boro lembra a do Internacional, que manteve Tite para se dizer moderna, mas não peitou a situação até o fim. Southgate tinha história como jogador da equipe, e, ainda que sua gestão não fosse um estrondoso sucesso, não era um fracaso, e as chances de o time melhorar sob o seu comando seriam no mínimo tão grandes quanto as de que isso aconteça sob Strachan. Que o Boro não sofra e acabe perdendo até a vaga nos playoffs.

Só um jogo

Tudo bem, era um dos jogos mais importantes do ano, pelo adversário e pela situação, e a vitória pode muito bem levar o Liverpool a acordar na Premier League. É inegavel, entretanto, que foi só um jogo, que os Reds ainda estão a seis pontos do líder e que, dependendo de resultados de Aston Villa e Man City, podem voltar à setima posição. Assim como é inegável que Fernando Torres é sensacional. E que o time depende demais dele e de Gerrard.

No jogo do domingo, chamou a atenção a boa atuação de Fábio Aurélio, outro que vem voltando, principalmente no primeiro tempo. O resto do time, entretanto, liga e desliga o jogo todo. E Lucas parece ainda não estar recuperado do susto – não sei bem qual foi o susto.

Demitir Rafael Benítez agora seria uma tolice rematada, mas alguém precisa fazer o Liverpool contratar direito. O time precisa urgentemente de um atacante, e de um jogador que possa decidir quando Gerrard e Torres não decidem. Esse jogador não é Voronin, não é Aquilani, e não é, pelo menos por enquanto, N'Gog.

Que o Vermelhão voltou, porém, é fato. Que não perca na próxima rodada para o Fulham e jogue fora tudo isso.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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