Escolhas difíceis para Wenger

Arsène Wenger estabeleceu-se na última década como um dos maiores treinadores no mundo. Sua política de apostar em jovens promessas rendeu três títulos ingleses ao Arsenal, que contava com um orçamento bem mais modesto que o de seus principais rivais. E o melhor: conseguiu isso jogando um futebol bonito.
Neste verão, no entanto, a estratégia de montagem de elenco do técnico francês vem tendo suas limitações expostas. Com as saídas de Flamini, Hleb e Gilberto Silva, o Arsenal começará a próxima temporada sensivelmente mais fraco – e desmoralizado, pela falta de perspectivas de reforços.
É tentador comparar as saídas atuais com a de Henry, no ano passado, e simplesmente acreditar que o Arsenal vai continuar bem. Ok, é até provável que o time não chegue a embicar, mas certamente não vai ter condições de brigar com Chelsea, Manchester United e Liverpool por títulos (especialmente na segunda metade da temporada).
As saídas de Flamini e Hleb são particularmente graves por um motivo: diferentemente de Henry e Vieira, trata-se de jogadores jovens (24 e 27 anos), que ainda têm o melhor de suas carreiras pela frente. Aí aparece a pergunta inevitável: de que adianta desenvolver jovens promissores se eles vão embora quando chegam ao auge?
É interessante notar que essa política é uma opção voluntária de Wenger, já que o Arsenal, hoje, tem dinheiro para gastar. Certamente não é tanto quanto clubes bancados por bilionários como Chelsea e Manchester City e, provavelmente, o orçamento é menor que o de Liverpool e Manchester United, que têm estratégias financeiras mais agressivas. Mas, se quisesse, Wenger poderia torrar uns € 50 milhões em contratações, ainda mais depois das vendas que já fez.
Diga-se a verdade, o técnico até que já gastou bastante: € 26,4 milhões. Mas manteve firme a política de só contratar jovens, trazendo Samir Nasri (21 anos) e Aaron Ramsey (17 anos). Além disso, Wenger diz que certamente vai contratar mais um jogador (fala-se em Barry, do Aston Villa, ou Arshavin, do Zenit), talvez dois. É pouco, para um time que sofreu com a falta de opções na temporada passada e ainda perdeu nomes importantes.
O Arsenal tem montada uma rígida estrutura salarial, na qual só astros de nível mundial recebem salários muito altos. Esse seria o motivo da insatisfação de Adebayor, que estaria fazendo pressão para sair porque julga merecer receber o triplo de seu salário atual – mas, na opinião de Wenger, ainda não é um ‘world class’.
Não só para pagar grandes salários o técnico reluta em abrir a carteira. Quando se trata de trazer reforços, Wenger já chegou a admitir que fica em dúvida se “vale a pena matar uma jovem promessa para contratar outro jogador”. Por isso, em dez anos, o francês fez poucas grandes contratações. Seu retrospecto nesse departamento, aliás, não é nada brilhante. No Arsenal, o técnico comprou seis jogadores que custaram mais de € 10 milhões (fora Nasri): Henry, Van Bronckhorst, Jeffers, Wiltord, Reyes e Hleb. Desses, o primeiro foi um grande sucesso, e o último também mostrou-se um bom negócio. Os outros quatro nunca justificaram o alto valor pago por eles.
Nesta temporada, Wenger teria que voltar a arriscar e abrir a carteira. É legal ter uma base de jovens talentosos, mas elenco e torcida precisam sentir que, quando necessário, técnico e diretoria estão dispostos a gastar para dar mais consistência ao time – e até trazer figurões, que levem o elenco a um novo patamar. Se isso não for feito, como convencer um Fàbregas a ficar no time, quando um Real Madrid ou Milan tentar contratá-lo?
É hora de rever a temporada (parte 6)
Completamos nesta semana o nosso balanço time a time da temporada 2007/8 na Inglaterra. Nesta última edição, comentamos o ano de West Ham e Wigan.
West Ham
Destaque: Robert Green
Classificação final: 10º lugar (49 pontos)
FA Cup: eliminado na terceira fase pelo Manchester City
League Cup: eliminado nas quartas-de-final pelo Everton
A regularidade do West Ham nesta temporada foi incrível. Não, isso não é um elogio. Os Hammers foram regulares no sentido de ‘médios’, não de ‘consistentes’. Desde a oitava rodada, o time londrino limitou-se a oscilar entre o nono e o 11º lugar na classificação.
Justiça seja feita, os Hammers foram ‘vítimas’ do abismo que existiu no meio da tabela da Premier League, no qual 10 pontos, em média, separavam o nono do 11º colocado. Como o West Ham não foi bom nem ruim o bastante, ficou oscilando dentro dessa ‘faixa de segurança’ intermediária.
O único destaque, negativo, da temporada da equipe foi uma seqüência de três derrotas por 4 a 0, no começo de março. Fora isso, só teve mais uma série de três derrotas e uma de três vitórias em toda a temporada. Mais ‘médio’ do que isso, impossível.
Nota da temporada: 5
Wigan
Destaque: Chris Kirkland
Classificação final: 14º lugar (40 pontos)
FA Cup: eliminado na quarta fase pelo Chelsea
League Cup: eliminado na segunda fase pelo Hull (2ª divisão)
No começo da temporada, o Wigan cometeu um erro clássico: promoveu um inexperiente assistente técnico a ‘manager’ da equipe. O nome em questão era Chris Hutchings, que sucedeu Paul Jewell, técnico que salvou o time no final da temporada anterior.
O único outro trabalho de Hutchings como técnico principal, curiosamente, também foi como sucessor de Jewell, no Bradford. Lá, Hutchings não se deu bem e foi demitido após 12 partidas, com o time na vice-lanterna. E o que aconteceu no Wigan? O técnico levou um pé na bunda depois de 12 rodadas, com os Lattics na penúltima posição do campeonato.
A sorte do Wigan foi que a diretoria escolheu bem o novo treinador, ao contratar Steve Bruce. Mesmo sem fazer grandes milagres, ele foi acertando o time aos poucos e conseguiu salvar a equipe com relativa folga – os Lattics não entraram na zona de rebaixamento nenhuma vez nas últimas 14 rodadas. Não foi nada brilhante, mas, para um time pequeno, está de bom tamanho.
Nota da temporada: 6



