InglaterraPremier League

Entre erros e acertos

A 21ª rodada da Premier League começou com o Manchester United e o Tottenham próximos como nunca na tabela. Os Red Devils enfrentariam o Bolton em casa, um dos piores times da tabela, enquanto os Spurs, também em casa, receberiam o Wolverhampton. Tudo indicava que ambos venceriam e continuariam próximos, mas não foi o que aconteceu. O United mostrou a tradicional força, apesar do futebol não ser convincente. O Tottenham dominou os Wolves, mas não saiu de um empate.

Os Spurs receberam um Wolverhampton fechado e organizado no White Hart Lane. O time de Harry Redknapp usou o seu toque de bola característico e contou com a sua formação que tem rendido mais na temporada: Friedel; Walker, Kaboul, Dawson e Assou-Ekotto; Lennon, Parker, Modric e Bale; Van der Vaart; Adebayor. O esquema que deixa Van der Vaart mais solto, como um segundo atacante, tem sido a melhor opção. E Redknapp acertou nesse ponto.

O problema é que o time, embora tenha jogada melhor, tropeçou na marcação dos Wolves, que ainda marcaram um gol no primeiro tempo com o perigoso Steven Fletcher, em uma cobrança de escanteio. O gol de empate veio cedo no segundo tempo e o massacre em chutes a gol (22 a 5) mostrou que o time buscou a virada.

Só que essa falta de força para decidir o jogo contra uma equipe bem organizada, é verdade, mas bem inferior também pode pesar na hora de decidir o título. Ainda assim, é favorito à conquista de uma vaga na Liga dos Campeões, depois dos times de Manchester.

O Manchester United, por sinal, não jogou todo o seu futebol, mas conseguiu vencer o Bolton em casa e com um gol do veterano Paul Scholes. O gol do meia, que agora veste a camisa 22 e foi titular pela primeira vez desde a volta aos gramados, é simbólico. O United tem problemas com um elenco que não é o que se esperava que fosse, mas que ainda tem a seu favor uma grande força de decisão em alguns jogadores. Nesse sentido, Paul Scholes pode ser uma arma importante, e não uma fanfarronice de Ferguson, como poderia parecer. E pode ser decisivo na disputa pelo título.

No sábado, no Old Trafford, a equipe levou a campo a formação tradicional, com a entrada de Scholes no meio-campo. Ferguson já avisou que o meia não irá jogar todos os jogos, mas como o United não está mais na Liga dos Campeões (e certamente dará de ombros para a Liga Europa), o calendário é menos apertado. O problema para o United é que o Manchester City pode dizer o mesmo, e com um elenco muito mais rico (tanto no sentido literal quanto metafórico).  A volta de Scholes, porém, dá ao United aquela capacidade vencedora que marca os times de Ferguson e que o Manchester City ainda não tem.

Quem tem um sonho não dança

O Arsenal entrou em campo contra o Swansea pisando nas nuvens. Robin van Persie faz uma temporada memorável e o time trouxe um ídolo de volta, ainda que por pouco tempo, Thierry Henry, que reestreou melhor do que um roteirista de Holywood poderia imaginar. Um sonho para os torcedores. Só que a empolgação ajuda, mas não resolve os problemas que o elenco dos Gunners têm. E o Swansea tratou de mostrar isso em campo.

O jogo mostrou que um só Robin van Persie não será suficiente para levar o time às primeiras posições. Já se sabia que a conversa sobre título era um pouco demais para o time de Arsène Wenger. Só que não se esperava que o time tropeçasse contra uma equipe como a do Swansea, depois de se recuperar tão bem no campeonato. Mas foi o que aconteceu no País de Gales, e de forma dramática.

Depois de sair ganhando com gol, claro, de Van Persie, o Arsenal tomou a virada e mostrou as deficiências defensivas do início da temporada. Uma bola perdida no meio-campo vira sempre um problema. Alex Song tem que se desdobrar para ser o multi-homem, marcando e armando as jogadas – basta lembrar que o volante camaronês tem se destacado em assistências no campeonato, com cinco até aqui. Foi em uma bola perdida que o Arsenal tomou o terceiro gol na partida, logo depois de empatar em 2 a 2 o confronto. Uma perda de bola, um passe em profundidade, gol do Swansea.

A necessidade do time é tanta no meio-campo que até Mikel Arteta, que é um jogador apenas razoável, tem feito falta. Jogadores como Arshavin continuam mostrando que não irão resolver nada, assim como Benayoun e Rosicky. E Walcott, embora seja um bom jogador, não é o que se espera que ele seja, um jogador do mais alto nível e com poder de fogo para decidir jogos. A política de transferência do Arsenal não é de grandes contratações, mas alguém de peso para o meio-campo seria providencial. É possível chegar à Liga dos Campeões com o que se tem. Robin van Persie pode levar o Arsenal até lá. Só que é pouco se quiser ir além do quarto lugar. Muito pouco.

Se o Arsenal não pode sonhar com o título, o Newcastle certamente pode sonhar com Liga dos Campeões. Os Magpies correm por fora pela vaga contra os times de Londres, mas tem mostrado um bom futebol, embora os resultados não venham com a mesma regularidade. O que pode complicar o time nas próximas rodadas é a falta que Demba Ba irá fazer. O senegalês defende Senegal na Copa Africana de Nações e sua ausência é muito sentida.

São nada menos do que 13 gols na temporada, o que representa 48% dos gols da equipe, que fez 27 até aqui.Os irmão SHola e Sammy Ameobi são atacantes que tem qualidade, mas o impacto de Ba não poderá ser substituído. No primeiro teste sem ele, o time venceu, sofrido, com um gol do seu segundo melhor atacante na temporada, Leon Best. Se continuar assim, o time pode sonhar com o alto da tabela. Quem sabe até com um quarto lugar, se Arsenal e Chelsea continuarem tropeçando.

O Liverpool, que gastou muito antes da temporada, começa a ver que o seu sonho de voltar a levantar a taça da Premier League não é só distante, mas impossível nesta temporada. O time de Kenny Dalglish segue perdendo pontos que não poderia perder, como foi no sábado contra o Stoke. Fosse outro técnico, a torcida já teria perdido a paciência, como perdeu com Andrew Carroll.

O atacante é cobrado como um reforço de £ 35 milhões, como tem que ser. É jovem, ainda deve render melhor pelo Liverpool, mas é um símbolo de todo um time que gastou muito para se reforçar e até agora faz um trabalho pior – ao menos na tabela – do que o Newcastle, curiosamente o ex-clube de Carroll. Falta muito para o Liverpool ser um time confiável. E a volta de Steven Gerrard, jogando com frequência, pode ser o fator que mude esse quadro. Projetando o final da temporada, não dá para imaginar o Liverpool além do quinto ou sexto lugar. O que é pouco para quem gastou o que gastou.

CURTAS

No Championship, o Southampton continua na ponta com 46 pontos depois de vencer o Nottingham Forest, um a mais do que o West Ham, que venceu o Portsmouth. Cardiff, Middlesbrough, Reading e Hull City fecham o grupo dos playoffs. Birmingham, Derby County, Blackpool, Burnley e Leeds ainda estão perto do grupo que pode fazer os playoffs e sonham.

Na League One, o Charlton mantém a ponta, com o Sheffield United em segundo lugar. Huddersfield, Sheffield Wednesday, MK Dons e Stevenage estão no grupo dos playoffs. Jordan Rhodes, do Huddersfield, é um dos destaques do campeonato com nada menos do que 25 gols marcados, 11 a mais que o segundo colocado.

A League Two tem dois times empatados na ponta. O Southend United e o Cheltenham Town têm 52 pontos, seguidos pelo Crawley Town, com 51. Swindon Town, Shresbury Town, Oxford United e Gillingham fecham o grupo do playoff.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo