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Com United e Chelsea apáticos, Rooney pode ser o diferencial

Os dois últimos clubes ingleses campeões da Europa. Favoritíssimos ao título da Premier League. Em queda de braço no mercado de transferências por um mesmo craque. Vindos de uma série de confrontos quentes em 2012/13. Elementos suficientes para fazer de Manchester United x Chelsea um baita jogo, certo? Não necessariamente, em especial quando ambos os lados pecam pelo excesso de cautela. Resultado: Blues e Red Devils não saíram de um modorrento empate por 0 a 0, afundando as expectativas criadas em Old Trafford.

Diante da possibilidade de conquistar a primeira grande vitória da temporada, David Moyes e José Mourinho preferiram prezar pelo cuidado. As duas equipes jogaram muito bem postadas na defesa, com linhas compactas e pouca velocidade nas subidas ao ataque. Sem espaços, as chances de gol eram raríssimas, limitadas a chutes de longa distância.

Diante de tamanha falta de criatividade, o diferencial foi Wayne Rooney. Não que o atacante tenha feito algo espetacular. Mas o litígio com o United, somado ao interesse do Chelsea, criaram um olhar especial sobre o atacante. Durante o aquecimento, o camisa 10 foi ovacionado pela torcida. Além disso, segundo o jornalista Tancredi Palmieri, Mourinho teria se aproveitado da visita à Manchester para reafirmar sua proposta ao astro – a quem chamou de “Wayne”, em uma entrevista antes de a bola começar a rolar.

E Rooney foi um dos mais esforçados em campo. Com Robin van Persie anulado pela linha defensiva do Chelsea, o camisa 10 buscava o jogo fora da área e protagonizava as melhores oportunidades do United. De trabalho a Petr Cech por três vezes de fora da área e ainda criou um bom momento a Danny Welbeck. Impressionou, sobretudo, pela raça. Em um lance já no segundo tempo, acompanhou Ramires em uma arrancada até a linha de fundo e desarmou o brasileiro com um carrinho.  Algo que, convenhamos, quem realmente não está comprometido com o clube faria.

Rooney demonstrou que, seja qual for seu destino para o restante da temporada, deverá ser um jogador vital. Foi a válvula de escape em um Manchester United sem alternativas, o que é praxe quando Van Persie não brilha. E cairia muito bem ao Chelsea, que não teve presença ofensiva com André Schürrle no comando do ataque e sofreu com os velhos vícios – e erros – de Fernando Torres no segundo tempo. Por mais que não esteja em seu ápice, Rooney continua sendo decisivo. Talvez o diferencial entre um e outro favorito ao título da Premier League.

Formações iniciais

United x Chelsea

Destaque do jogo

Wayne Rooney. E poderia ser outro? Em um jogo tão travado, o camisa 10 foi o mais ativo entre os homens de frente do Manchester United, com três chutes e um passe para finalização. O suficiente para tirar as suspeitas dos Red Devils mais desconfiados, assim como para animar os Blues que ainda têm alguma esperança no negócio.

Momento chave

A chance desperdiçada por Danny Welbeck, no início do segundo tempo. Em uma partida com oportunidades escassas, o atacante inglês desperdiçou uma das melhores. Rooney deu passe açucarado e, na entrada da área, Welbeck aparecia livre de marcação. Mas o camisa 19 quis inventar demais na hora de chutar e isolou.

Curiosidade

Manchester United e Chelsea não empatavam sem gols desde maio de 2007. Desde então, foram 22 duelos entre as duas equipes, com média de 3,04 gols por partida.

Ficha técnica

MANCHESTER UNITED 0x0 CHELSEA

Manchester United escudo Manchester United
David De Gea, Phil Jones, Rio Ferdinand, Nemanja Vidic e Patrice Evra; Antonio Valencia (Ashley Young, 21’/2T), Michael Carrick, Tom Cleverley e Danny Welbeck (Ryan Giggs, 33’/2T); Wayne Rooney e Robin van Persie. Técnico: David Moyes.
Chelsea_escudo Chelsea
Petr Cech, Branislav Ivanovic (César Azpilicueta, 48’/2T), Gary Cahill, John Terry e Ashley Cole; Ramires e Frank Lampard; Kevin De Bruyne (Fernando Torres, 15’/2T), Oscar e Eden Hazard; André Schürrle (Obi Mikel, 42’/2T). Técnico: José Mourinho.
Local: Estádio Old Trafford (Manchester-ING
Árbitro: Martin Atkinson (ING)
Gols: Nenhum
Cartões amarelos: Kevin de Bruyne e Fernando Torres (Chelsea)
 Cartões vermelhos: nenhum
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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