Copa da InglaterraInglaterra

Em jogo eletrizante, Chelsea foi cirúrgico para vencer o Tottenham e avançar à final da FA Cup

De semanas errantes ao longo do último mês, o Chelsea recobra a confiança da melhor maneira possível. Os Blues conquistaram uma vitória enorme para garantir a vaga na decisão da Copa da Inglaterra. Seu principal concorrente na Premier League, mas sedento por qualquer taça que ratifique o bom trabalho de Mauricio Pochettino, o Tottenham sofreu com o jogo preciso do time de Antonio Conte. A tarde em Wembley foi eletrizante, com seis gols. E o Chelsea ressaltou a qualidade de seu elenco ao se manter durante todo o tempo em vantagem, ao segurar o ímpeto dos Spurs e ao fechar a conta em 4 a 2. Voltará ao estádio em 27 de maio, para enfrentar Arsenal ou Manchester City, que fazem a outra semifinal neste domingo.

Antonio Conte tomou uma decisão contestável em sua escalação. Poupou alguns titulares importantes, incluindo Diego Costa e Eden Hazard. Pegava um adversário com suas principais referências e bem mais embalado nas últimas semanas. De qualquer maneira, a resposta dos Blues veio em poucos minutos de bola rolando. Aos quatro, em cobrança de falta na entrada da área, Willian bateu no canto de Hugo Lloris. Com o caminho congestionado, o goleiro nada pôde fazer para evitar o primeiro gol dos rivais.

Dominando a posse de bola, o Tottenham começou a rondar a área do Chelsea. Buscou o empate aos 17 minutos, a partir de um cruzamento de Christian Eriksen. Harry Kane se contorceu todo para desviar com a cabeça e vencer Thibaut Courtois. E, por mais que faltassem chances claras, os Spurs pareciam mais prontos para a virada. Encontravam dificuldades para superar a bem armada defesa dos Blues, com David Luiz se sobressaindo, mas apresentavam mais atitude. A partir dos 35, os espaços começaram a aparecer. Quando, justamente, o Chelsea se recuperou do outro lado. Em jogada rápida, Victor Moses invadiu a área e caiu após contato de Heung-Min Son. Pênalti anotado pelo árbitro, que Willian converteu.

O Tottenham voltou do intervalo com mais intensidade e empatou novamente aos sete minutos. Jogada magistral de Eriksen, que lançou em profundidade para Dele Alli. O camisa 20 se distanciou da marcação e tocou para vencer Courtois. Diante do cenário, Conte realizou duas alterações aos 15 minutos. Mandou a campo Eden Hazard e Diego Costa nas vagas de Michy Batshuayi e Willian – que, fazendo boa partida, deixou claro que não gostou da opção. No fim das contas, o treinador mostrou que tinha razão. O belga foi decisivo.

O Tottenham tinha a proposta de jogo, mas não a capacidade do Chelsea para concluir as jogadas. Aos 29 minutos, o terceiro tento saiu a partir de uma bola afastada parcialmente pelos Spurs. Hazard dominou na entrada da área e bateu no canto, longe de Lloris. Já aos 35, a confirmação da classificação veio de maneira brilhante. Hazard preparou e passou para Nemanja Matic soltar o pé de fora da área. O sérvio teve uma felicidade imensa no chutaço, que passou rente à trave e bateu no travessão antes de entrar. Perfeitamente no ângulo, indefensável. Na sequência, os Blues poderiam até ter anotado o quinto. Por fim, nos acréscimos, o símbolo da sorte, em bola que passou por Courtois, mas pegou efeito, girou e “voltou sozinha” quase em cima da linha. A festa era azul.

O Chelsea vai para a sua 12ª final de Copa da Inglaterra, buscando o oitavo título. A chance de coroar ainda mais a ótima temporada, elevando os ânimos depois de certa queda nos últimos tempos. O desempenho no torneio, ao menos, é irretocável. E oferecerá a chance da segunda dobradinha nacional do clube, o único a consegui-la na Inglaterra desde 2002, quando Carlo Ancelotti liderou os sucessos em 2009/10.

 

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo