InglaterraPremier League

Em jogo cheio de agonia, Hull City vence a decisão dos milhões e está de volta à Premier League

Wembley vivenciou minutos desesperadores como poucos nesta temporada. E não era por menos. Afinal, Hull City e Sheffield Wednesday jogaram por £200 milhões neste sábado. Uma partida que valia tanto justamente por determinar a última vaga do acesso à Premier League. Que, no fim das contas, acaba novamente no colo do Hull City, retornando à primeira divisão após um ano de espera. Desde o início do campeonato, os Tigers eram colocados entre os favoritos, mas não fizeram valer a sua força durante a temporada regular. Já nos playoffs, a equipe de Steve Bruce soube se impor. Eliminou o Derby County, antes de decidir o acesso contra o Sheffield Wednesday. E foi melhor durante maior parte dos 90 minutos, conquistando a vitória por 1 a 0, apesar de toda aflição dos oponentes em busca do empate nos acréscimos.

Por ter sofrido o rebaixamento na temporada passada, o Hull City desembarcou na Championship com um nível de investimento mais alto do que os rivais. E não apenas pelo dinheiro da TV, consideravelmente maior para os times egressos da elite, tentando evitar um impacto abrupto nas finanças. Em 2010, os Tigers foram comprados pelo empresário Assem Allam, que (apesar das decisões polêmicas) ajuda a sustentar o potencial do clube. Desde então, os gastos com contratações têm sido consideráveis e já haviam impulsionado o acesso à Premier League em 2013, ainda que não tenham evitado o rebaixamento dois anos depois.

Dono do elenco mais valioso da Championship, o Hull City ainda se desfez de alguns destaques nos tempos de primeira divisão, se adequando à nova realidade. Ainda assim, se mantinha entre os principais candidatos ao acesso. Durante as 42 rodadas do campeonato, apenas em uma não apareceu entre os seis primeiros. Contudo, faltou regularidade para brigar pelo acesso direto. Em 13 rodadas, os Tigers permaneceram entre os dois primeiros colocados, chegando a liderar até meados de fevereiro. Mas acumularam tropeços durante a reta final, permitindo que Burnley e Middlesbrough se desgarrassem no topo. Quarto colocado, o Hull ao menos iria aos playoffs.

O chaveamento colocou o Derby County no caminho do Hull City. Um adversário também com alto nível de investimento, o que mais gasto em contratações em 2015/16. A vitória por 3 a 0 na ida, fora de casa, surpreendeu e valeu a vaga na decisão, apesar da derrota por 2 a 0 no reencontro. Já em Wembley, com um time claramente superior, os Tigers mandaram no confronto diante do Sheffield Wednesday. Criaram melhores chances e iam parando na boa atuação do goleiro Westwood. Até que, aos 27 minutos do primeiro tempo, Mohamed Diamé se transformou em herói. Depois de quase marcar um golaço na primeira etapa, carimbando a trave, o senegalês não deixou de produzir sua pintura. Acertou um chutaço de fora da área, no ângulo, para decidir o confronto.

Os minutos derradeiros, por fim, guardaram o desespero do Sheffield Wednesday. O time de Carlos Carvalhal passou a se posicionar no ataque e a aumentar a carga de cruzamentos sobre a área do Hull. Bombardeio que se intensificou nos acréscimos. Porém, nem mesmo a presença do goleiro Westwood na área foi suficiente. As Owls ainda reclamaram de um pênalti, não marcado pela arbitragem. Nada para encerrar sua ausência na Premier League, que já dura 16 anos.

No papel, o Hull City conta com um time interessante. Há vários jogadores tarimbados na elite, como Diamé, Abel Hernández, Snodgrass, Huddlestone e Dawson. Comparados com os rivais nos playoffs, no entanto, os Tigers estão distantes de ter o mesmo peso histórico. Tradicional membro das divisões inferiores, transitou entre a segundona e a quarta desde o início do Século XX. Já o acesso inédito saiu apenas em 2008. Neste momento, o objetivo do clube é se estabelecer como um participante costumeiro da Premier League. E, na terceira tentativa, espera que o impulso financeiro permita isso.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo