Inglaterra

Ekotto não conhece Paulinho e não liga muito para isso

Por si só, a declaração de Benoit Assou-Ekotto de “não saber quem é Paulinho” pareceria só um atestado de ignorância, e convenhamos que ele tem o direito de permanecer alheio ao futebol, mesmo fazendo parte dele. O problema é que neste caso, o lateral do Tottenham não se restringiu ao meia brasileiro, recém-contratado pela equipe londrina.

Quando Ekotto fez questão de ir até a mídia para declarar que nunca ouviu falar do novo companheiro, a frase que chamou atenção não foi nem a que ganhou destaque, e sim o restante de uma entrevista dada ao site Goal.com. O camaronês esbanjou seu desleixo em relação ao esporte.

Não que isso seja alguma grande novidade para jogadores, mas a sinceridade de Ekotto ao confessar que não dá a mínima para o seu emprego chega sim a surpreender. Nessa entrevista, ele falou sem pestanejar que já passou pela mesma situação que esta com Paulinho dois anos antes, ao ver Rafael Van der Vaart desembarcar nos Spurs. “Não sabia como ele era, não fazia ideia do que ele representava, mas estava lá treinando com o time. Não consigo compreender que não me entendam, não respeitem meu jeito”, disparou o camaronês.

Autêntico e desapegado, ele já havia estampado os noticiários em 2010 com outra entrevista ao Guardian. Lá ele tentou explicar como coloca o dinheiro acima de tudo que pode ter como experiência no futebol, desmistificando a imagem de mercenário que os jogadores por vezes carregam. “As pessoas mentem demais. Quando eu estava no Lens, meu presidente Gervais Martel disse que eu saí de lá porque conseguiria mais dinheiro na Inglaterra, que eu não me importava com a camisa do seu time. Disse a ele que nenhum jogador no mundo assina por um clube e diz que ama a camisa. ‘Sua camisa é vermelha, gosto dela’. Não, não é assim. A primeira coisa que você discute é o dinheiro. Martel saiu dizendo que fui embora pelo dinheiro, mas por que os caras chegam no time dele? Porque parece legal? Não, todos vão pois é um emprego, é pela grana. Então posso dizer que não consigo entender que se surpreendam quando digo que jogo apenas pelo dinheiro. Não sou mercenário, todo jogador pensa assim”, comenta.

Paulinho não é o primeiro a ser um completo estranho para Ekotto, e nem será o último. Num meio cheio de hipocrisias e falsas juras de amor, o lateral camaronês não faz mesmo parte da maioria que esconde o seu verdadeiro interesse e suas intenções.

Verdade seja dita, o ex-corintiano também não precisaria perder o sono por isso. Especialmente por causa de alguém que assumidamente encara o esporte exclusivamente como a sua fonte de renda. E podemos ter certeza que em dado momento Paulinho também deve ter se perguntado quem raios é Benoit Assou-Ekotto…

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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