‘Quebra de confiança’: Como Edu Gaspar perdeu poder e ficou escanteado no Forest
Contratado para estruturar salto esportivo do clube, brasileiro vive cenário de isolamento e pressão crescente
O status de Edu Gaspar no Nottingham Forest passou de aposta estratégica a incógnita interna em pouco mais de um ano. Contratado no fim de 2024 para ser o diretor global de futebol do grupo composto por Forest, Rio Ave e Olympiacos, o brasileiro hoje enfrenta um cenário de isolamento e pressão crescente no clube inglês, enquanto a equipe luta contra o rebaixamento na Premier League.
Nos bastidores, a percepção é de que sua continuidade deixou de ser uma questão de mérito e passou a depender apenas do timing político do proprietário Evangelos Marinakis. A informação é do jornal britânico “The Telegraph”.
Quando Edu foi anunciado, o contexto era oposto ao atual. O Forest vivia um dos momentos mais positivos de sua história recente, brigando por vaga na Champions League e prestes a garantir retorno às competições europeias após três décadas.
A ideia era clara: aproveitar a estabilidade esportiva para dar um salto estrutural. O comunicado oficial detalhava que o brasileiro teria controle amplo sobre recrutamento, estratégia de elenco e desenvolvimento de jogadores — um desenho de poder raro no futebol inglês contemporâneo.
Rupturas internas e perda de influência de Edu Gaspar

A primeira fissura relevante surgiu ainda no início da atual temporada, com a saída de Nuno Espírito Santo. Embora o desgaste do treinador com Marinakis já fosse público, a quebra de confiança com Edu, de acordo com o “The Telegraph”, teria sido determinante para acelerar a ruptura.
A relação entre ambos deteriorou-se a tal ponto que episódios de evitação deliberada passaram a simbolizar o ambiente de animosidade no City Ground. Desde então, o brasileiro deixou de ocupar posição central nas decisões mais sensíveis do departamento de futebol.
Esse esvaziamento ficou evidente nas trocas recentes de comando. Nem na demissão de Sean Dyche, nem na escolha por Vítor Pereira — o quarto treinador da temporada — Edu teria sido consultado de forma relevante.
O processo ocorreu após pressão de jogadores experientes sobre a condução do trabalho de Dyche, o que reforçou a percepção interna de que o diretor já não integra o núcleo decisório do clube. A sucessão acelerada de técnicos também ampliou a responsabilidade política sobre quem apoiou determinadas escolhas.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Contratações frustradas minam credibilidade

A “erosão” de poder de Edu também se conecta diretamente ao desempenho das contratações associadas à sua gestão. Alguns movimentos tornaram-se exemplos recorrentes de planejamento falho.
O empréstimo de Oleksandr Zinchenko, articulado no último dia da janela de verão, resultou em pouco aproveitamento e ausência de cláusula de retorno ao Arsenal, obrigando o Forest a buscar solução emergencial em janeiro — teve que se virar para encontrar outro clube que assumisse o empréstimo.
Situação semelhante ocorreu com Douglas Luiz. A aposta no meio-campista cedido pela Juventus contrariou parte do departamento de recrutamento, que preferia Mateus Fernandes, ex-Southampton e hoje no West Ham. Sem impacto esportivo, o brasileiro acabou devolvido à Velha Senhora, que o emprestou ao seu ex-clube, o Aston Villa.
Já Arnaud Kalimuendo, contratado por 26 milhões de libras, foi emprestado após apenas quatro meses — ironicamente, para se destacar na Bundesliga com o Eintracht Frankfurt.
Mesmo as movimentações mais recentes mantiveram dúvidas. Edu participou das negociações que trouxeram Lorenzo Lucca e Luca Netz, mas o lateral alemão sequer foi inscrito na Liga Europa, ampliando questionamentos sobre coerência estratégica.
Em um clube que já gastou cerca de 200 milhões de libras na temporada e demitiu três treinadores, o saldo esportivo negativo recai com força sobre quem deveria garantir consistência no planejamento.
Hoje, internamente, a avaliação predominante é de que a saída de Edu tornou-se uma questão de tempo.
Com salário estimado acima de 4 milhões de libras anuais e influência reduzida nas decisões-chave, o executivo que chegou para estruturar o futuro do Nottingham Forest vê sua autoridade esvaziar-se à medida que o clube tenta, em meio ao caos, salvar o presente.
A temporada 2025/26 do Forest até o momento
- 17º colocado da Premier League, com 27 pontos em 26 rodadas;
- Eliminado pelo Wrexham, da segunda divisão, na terceira rodada da Copa da Inglaterra;
- Eliminado pelo Swansea City, da segunda divisão, na terceira rodada da Copa da Liga Inglesa;
- 13º colocado da Liga Europa — enfrentará o Fenerbahçe nos playoffs do torneio



