Inglaterra

‘Vitor Pereira não deve ser responsabilizado se o Forest for rebaixado’

Técnico ex-Wolves é o principal candidato a substituir Sean Dyche, mas não deve ter missão fácil e pode encontrar cenário caótico nos bastidores

“Boa sorte, Vitor Pereira“. É assim que o jornalista Will Unwin, do “The Guardian”, inicia um artigo sobre o potencial acerto do técnico com o Nottingham Forest. Segundo o especialista, esse é o emprego mais complicado da Premier League devido à gestão atual de Evangelos Marinakis.

Pereira está prestes a assumir o comando, mas se o Forest for rebaixado, nem ele nem seus antecessores imediatos devem ser responsabilizados — analisou Unwin.

Gestão de Marinakis no Forest não mantém padrão ao escolher técnicos

Vítor Pereira caminha para ser o quarto treinador do Forest só nesta temporada, de modo a ressaltar os problemas da administração da equipe, conforme escreveu o jornalista.

A ausência de estratégia bem definida a longo prazo e “impaciência” com resultados adversos já teriam sido problemas destacados por ex-funcionários e membros do clube ao “The Athletic” em campanhas anteriores. E a situação não parece ter mudado.

Marinakis durante jogo do Nottingham Forest
Marinakis durante jogo do Nottingham Forest (Foto: Imago)

O ciclo começou com Nuno Espírito Santo no cargo. Ele alçou o time a patamares elevados no futebol inglês e a uma vaga em competição europeia pela primeira vez em 30 anos ao término da temporada 2024/25.

O trabalho que se iniciou em 2023 parecia cada vez mais promissor com a abordagem implementada, que fortaleceu a defesa e impulsionou as ofensivas por meio de contra-ataques.

Mas quando Edu Gaspar assumiu a diretoria esportiva, as coisas começaram a ruir pelas rusgas entre Nuno e o brasileiro. Em 9 de setembro, o treinador se despediu do clube.

Seu substituto, Ange Postecoglou, foi anunciado logo em seguida. O greco-australiano se popularizou com ideologia diferente, voltada mais à agressividade, alta intensidade e domínio da posse de bola.

Pouco mais de um mês se passou até que o fato de não ter nenhuma vitória em oito jogos — sendo seis derrotas — colocasse fim à trajetória de Ange na equipe. A saída oficial ocorreu em 18 de outubro, três dias antes do acerto com Sean Dyche.

Sean Dyche, do Nottingham Forest
Sean Dyche, ex-técnico do Nottingham Forest (Foto: Imago)

A escolha pelo inglês determinou novas mudanças no estilo tático. Dyche costuma adotar uma abordagem mais parecida com a de Nuno, de deixar os adversários com a posse, pressionar e buscar o ataque. Bolas longas também são mais usadas pelo técnico, enquanto Ange prioriza os toques pelo chão.

Isso evidenciou que Marinakis e companhia identificaram o modelo com o qual o time tende a render mais. Àquela altura, a principal missão de Dyche era fazer o Forest subir posições na tabela e se afastar da zona de rebaixamento.

Ao contrário do antecessor, os oito primeiros embates tiveram balanço positivo: quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. Nos últimos jogos, porém, a equipe tem mostrado muitas dificuldades no setor de ataque e não conseguiu render o que a diretoria esperava.

Como resultado, Dyche foi demitido no último dia 12, com o Forest a três pontos do Z-3 do Campeonato Inglês.

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Marinakis é velho conhecido de Vítor Pereira

A principal missão de Vítor Pereira, caso assuma a função, é ajudar o clube a evitar o descenso à Championship. Contudo, o caos nos bastidores não permitiria uma análise concreta do trabalho do português, de acordo com Unwin.

Neste contexto, muitos reforços também sofrem pelas mudanças. Enquanto com Nuno foi priorizada a contratação de pontas, Dyche não costumava ter neste tipo de atleta uma prioridade, por exemplo.

Para extrair o melhor de qualquer jogador, é necessário ambiente estável, (…) e o Forest não oferece isso. Lá, estilos e métodos mudam mais rápido que as temporadas — salientou ele.

Vítor Pereira, técnico do Wolverhampton (Foto: Imago)
Vítor Pereira, técnico do Wolverhampton (Foto: Imago)

Pesa a favor de Vítor Pereira ele ter sido campeão grego com o Olympiacos em 2014/15, clube que também pertence a Evangelos Marinakis. Ao menos o técnico está habituado ao método de trabalho do mandatário.

Além disso, o português assumiu o Wolverhampton em situação semelhante na temporada passada e potencializou os jogadores para manter o clube na elite. Um dos maiores méritos dele foi fazer os Wolves jogarem de forma mais compacta e organizada.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes que integra a equipe de redação da Trivela. Antes, passou por Premier League Brasil, ESPN e Estadão. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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