Inglaterra

Dono do Fulham retira proposta, e Wembley continuará nas mãos da FA

O dono do Fulham, Shahid Kahn, não está mais interessado em comprar o Estádio de Wembley. Nesta quarta-feira, a Federação Inglesa emitiu uma nota informando que o empresário da indústria automotiva retirou a proposta, que chegaria a até £ 900 milhões, porque a sua intenção de adquirir o templo do futebol inglês acabou sendo mais “divisiva” do que o antecipado.

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Khan, um bilionário paquistanês dono da 217ª maior fortuna do mundo, também possui o Jacksonville Jaguars, do futebol americano, e queria comprar Wembley para garantir que o seu time da NFL continuasse atuando no estádio inglês, como aconteceu nas últimas cinco temporadas e seguirá pelo menos até 2020. Segundo ele, esses jogos são “essenciais à estabilidade financeira do Jaguars” e o seu interesse busca “proteger a posição do Jaguars em Londres, quando outras franquias da NFL se tornam mais interessadas na cidade”.

Nos termos iniciais da proposta, que a FA tendia a aceitar, havia a possibilidade de um acordo para que os eventos organizados pela entidade, como partidas da seleção inglesa, finais de copas e acessos, continuassem a acontecer em Wembley. O Fulham permaneceria no Craven Cottage, tradicional e simpático estádio às margens do rio Tâmisa.

O Conselho da FA reuniu-se no começo do mês para ouvir os argumentos dos dirigentes da entidade a favor da venda do Wembley. Khan também enviou um documento de duas páginas para cada um dos 127 membros prometendo que seria um “dono responsável”. Esse Conselho é formado por representantes da Premier League, da Football League, organizadora da segunda à quarta divisão, e de diretórios regionais da FA. Ele não teria poder para formalmente impedir o negócio.

No entanto, a direção da Federação Inglesa queria uma sinalização majoritária dos acionistas do futebol nacional antes de seguir em frente com à venda. Segundo a BBC, a contagem de votos era ligeiramente contra abrir mão de Wembley, em 8 de outubro. A decisão final do Conselho seria tomada no dia 24 do mesmo mês. A FA usaria o dinheiro para melhorar estruturas locais de futebol e desenvolver o futebol de base, além de acelerar o pagamento de dívidas da da construção do estádio com o poder público.

Na semana passada, um ex-funcionário do Fulham, Craig Kline, denunciou uma “corrupção sistêmica relevante à votação pela venda de Wembley”, sem entrar em detalhes sobre o quão profunda ela foi, ou se ela aconteceu dentro da Federação Inglesa ou do próprio Fulham. A FA abriu uma investigação para apurar o caso. Desde que foi demitido na temporada passada, Kline, amigo de faculdade do filho de Shahid Khan, tem feito uma série de acusações contra o clube, incluindo racismo e outros abusos.

Confira o comunicado da Federação Inglesa informando o fim das negociações com Shahid Khan, pelas palavras do executivo-chefe, Martin Glenn:

“No começo deste ano, a Federação Inglesa recebeu uma proposta não-solicitada de Shahid Khan para comprar o estádio de Wembley. Era uma oferta de muita credibilidade e foi considerada com seriedade.

Shahid Khan nos informou, nesta quarta-feira, que está retirando a sua proposta de comprar o estádio – e respeitamos totalmente sua decisão.

O senhor Khan acreditava que sua proposta para comprar o estádio de Wembley liberaria fundos para ajudar a melhorar a estrutura comunitária do futebol na Inglaterra e que seria bem-recebida pelos acionistas do futebol.

Em uma reunião recente com o senhor Khan, ele nos expressou que, sem um apoio mais forte do jogo, sua proposta estava sendo vista como mais divisiva do que o antecipado e decidiu retirá-la.

O Wembley é um estádio icônico, reverenciado ao redor do mundo, e continuará a prosperar sob a propriedade e direção da FA.

Houve muita deliberação nos dois lados do debate e sem dúvida colocou em evidência que as estruturas comunitárias do futebol inglês precisam de mais investimentos.

Queremos agradecer os acionistas do futebol, o governo, a direção da FA e os membros do Conselho pela abordagem colaborativa ao longo do processo. Continuaremos a trabalhar juntos para identificar novas e inovadoras maneiras de investir na estrutura do futebol comunitário no futuro”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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