Inglaterra

Doku: ‘Posso ser o melhor ponta do mundo, com certeza’

Ponta belga do Manchester City vive grande temporada e mira voos maiores

Jérémy Doku é o tipo de jogador que muda partidas pelo Manchester City, mas ele mesmo entende que poderia fazer mais. A ameaça de uma arrancada pela esquerda já é suficiente para reorganizar defesas inteiras, e para render cartões amarelos a laterais que tentam contê-lo na base da falta.

Foi o que aconteceu com Cristhian Mosquera, do Arsenal, na vitória do Manchester City por 2 a 1 na Premier League no último domingo (19). Antes disso, foi o próprio Arne Slot quem resumiu o problema: Doku pode ser “imparável”.

O belga de 23 anos, porém, não está satisfeito. Com 11 assistências na temporada e quatro gols em 40 jogos, ele sabe que falta um ingrediente para elevar seu jogo a outro patamar — e esse ingrediente tem nome: eficiência.

Doku se inspira em Vinicius Júnior para evoluir no Manchester City

Em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”, o ponta do City acredita que eficiência é exatamente o que o separa, hoje, de Vinícius Júnior, o atacante do Real Madrid que ele mira abertamente como parâmetro.

“Com certeza posso chegar lá. Sinto que, se eu tiver gols, a conversa muda de patamar. Assistências, para mim está tudo bem. Mas tenho que estar mais nas zonas onde se marcam gols fáceis, os famosos tap-ins“, diz Doku.

Doku Manchester City
Doku pelo Manchester City (Foto: IMAGO / Action Plus)

E mesmo que ele reconheça a qualidade de seus gols, o belga ainda coloca uma meta: quer ao menos alguns gols fáceis por temporada para aumentar a contagem:

“Quando olho para os meus gols, mesmo nesta temporada, todos são após dribles. Eu gostaria de marcar até cinco gols de rebote ou carrinho por temporada, isso faria uma grande diferença. Um ponta precisa marcar. Se eu tiver esses gols, acredito que posso ser o melhor ponta do mundo, com certeza, 100%.”

A comparação com Vinícius é direta. O brasileiro soma 18 gols em 48 jogos pelo Madrid nesta temporada. Doku tem quatro em 40. O talento está lá, mas a finalização, ainda não.

Se os gols ainda são uma obra em construção, a velocidade é uma certeza antiga. Doku cresceu rápido, no sentido literal. “Sempre fui rápido. Meu irmão era rápido, meu pai também, então está na família”, conta.

No City, ele disputa o posto de mais veloz do elenco com o zagueiro Abdukodir Khusanov. “Em 15 metros, eu aposto em mim. Mas talvez em 40 metros, ele vença.”

A velocidade, combinada com um drible frenético e imprevisível, faz de Doku um problema de difícil solução para qualquer defesa. Ele mesmo reconhece:

“Quando jogo agora, na maioria das vezes há dois defensores em cima de mim, o que não é problema: significa que outro jogador está livre. Mas no um contra um, essa é minha maior qualidade.”

O estilo foi construído por influências que ele lista com naturalidade: Neymar, Lionel Messi, Franck Ribéry, Eden Hazard, Arjen Robben e Ronaldinho. Mas Doku faz questão de marcar território. “Depois criei meu próprio estilo. Não consigo fazer o que eles fazem, e eles não fazem o que eu faço.”

Um detalhe curioso da trajetória: Doku começou como centroavante. “Eu era camisa 9 quando tinha nove, dez anos. Depois virei ponta por volta dos 12.” Talvez seja por isso que ele entende tão bem o que falta e de onde vêm os gols que ele quer adicionar ao repertório.

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FA Cup, Premier League e o sonho da tríplice coroa com o Manchester City

Com a Champions League já encerrada para o City, eliminado pelo Real Madrid em março, Guardiola e seus jogadores concentram as fichas em dois torneios. Na Premier League, o City desbancou o Arsenal da liderança após 200 dias com a vitória por 1 a 0 sobre o Burnley na quarta-feira (22). Na FA Cup, o clube está na semifinal deste sábado em Wembley contra o Southampton.

Doku sabe que as últimas duas finais da FA Cup deixaram marcas: derrotas para Crystal Palace e Manchester United. “Elas ficam na sua mente, mas tento não focar no que não tenho. Sou grato pelo que já ganhei. Estando na semifinal, quero voltar à final e ganhar esse troféu.”

A Copa da Liga já está no bolso, conquistada em março com a vitória por 2 a 0 sobre o Arsenal. Agora, o horizonte é maior:

Já ganhamos um troféu e ainda há dois onde temos tudo em nossas mãos. Estamos fora da Champions, mas imagine se vencermos esses dois e conquistarmos a tríplice coroa doméstica. Então estamos felizes. Nada a reclamar.”

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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