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Diego Costa não vai mudar seu jeito: “Algumas pessoas acham que futebol é teatro”

O final de semana de futebol inglês tem em sua lista de jogos um clássico entre Manchester United e Manchester City que pode valer a liderança da Premier League, mas ainda assim a figura que mais atraiu olhares da imprensa inglesa às vésperas da rodada não estará no duelo do Old Trafford. Após cumprir três jogos de suspensão pela confusão com Gabriel Paulista no clássico contra o Arsenal e voltar decidindo a vitória contra o Aston Villa, Diego Costa é a grande esperança de gols do Chelsea para o clássico londrino contra o West Ham, no Upton Park. Preparando-se para o confronto, o brasileiro conversou com alguns veículos britânicos, e o principal assunto, é claro, foi o seu temperamento, que ele garantiu que não irá mudar.

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Em entrevista que irá ao ar na BBC neste sábado, Diego Costa disse considerar sua postura dentro de campo como característica do esporte e que foi justamente isso que lhe permitiu alcanaçar o patamar em que está hoje. “Cheguei até aqui graças ao jeito como jogo. Não vou mudar isso por causa do que as pessoas podem pensar. Acho que o futebol sempre teve um lado agressivo, passional, com os jogadores dando tudo de si. As pessoas têm que se acostumar com isso”, afirmou.

Além de defender seu jeito, o atacante do Chelsea foi além e criticou quem prega por um futebol excessivamente respeitoso. “Algumas pessoas parecem achar que o futebol é como um teatro e que todo mundo tem que interpretar o mocinho. Mas eu acho que você se transforma quando você cruza a linha de campo, você não é a mesma pessoa que é fora dele. Não tenho misericórdia por ninguém e não peço misericórdia. Lá dentro, vou lutar por meu time e fazer o meu melhor”, explicou.

Diego Costa reforça o que quase todo jogador polêmico já disse pelo menos uma vez: fora de campo, é outra pessoa: “Depois disso, quando a partida acaba, tenho minha família e meus amigos. Divirto-me como uma pessoa normal. Mas, em campo, não tente colocar asas em mim, não sou nenhum anjo”.

Já em conversa com o jornal London Evening Stardard, Diego Costa seguiu a mesma linha da entrevista para a BBC, mas complementando seu pensamento. O atacante se vê perseguido pela imprensa inglesa e, ironicamente, diz torcer para que seja apenas algo de sua cabeça. Para ele, os veículos precisam de um vilão, e, após a saída de Suárez do Liverpool, o escolhido teria sido ele.

“Acho que o Luis Suárez saiu deste país por causa da maneira como ele era tratado, taxado como o vilão. Se eu acho que eu tomei este lugar? Isso é claro. É óbvio que há pessoas atrás de mim. Se você faz algo errado e isso vai para o jornal, tudo bem, é justo. Mas quando as pessoas estão atrás de você o tempo todo, quando você sempre é a manchete, aí não é justo. Espero que eles não estejam atrás de mim, espero que não seja esse o caso. Espero que seja algo que esteja apenas na minha cabeça”, queixa-se.

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Após a vitória por 2 a 0 no clássico, o Chelsea voltou a vencer na Premier League apenas após o retorno de Diego Costa, que deu uma assistência e fez um gol no 2 a 1 sobre o Aston Villa. O jogador fez falta ao clube, que ficou revoltado com sua punição no momento em que foi anunciada, embora a decisão da FA tenha sido correta. Durante o triunfo sobre o Arsenal no Stamford Bridge, o atacante agrediu Koscielny, se encrespou com Gabriel Paulista e conseguiu fazer o brasileiro ser expulso ludibriando a arbitragem. Tudo isso sem levar o cartão vermelho. Posteriormente, a Federação Inglesa analisou as imagens, anulou a punição do zagueiro dos Gunners e suspendeu Diego Costa por três partidas. O atacante reconhece que errou aquele dia, mas não aceita a culpa completa pelo incidente. “O meu comportamento no jogo contra o Arsenal não foi o melhor, eu sei disso. Mas aquilo não foi só eu. Havia outra pessoa envolvida”, argumenta.

O jeito de Diego Costa ainda irá lhe render uma série de confusões em campo e fora dele, algumas vezes por deslealdade do atacante, como na tentativa de enganar a arbitragem do clássico contra o Arsenal, e em outras, de fato, pela perseguição às vezes exagerada que sofre de imprensa e rivais na Inglaterra. Situação, no entanto, abastecida por seus episódios de descompensação em campo. O jogador é uma figura complexa, que não se limita ao clichê de “amado por sua torcida, odiado pelas outras”. Merece a exaltação pelos momentos em que seu espírito aguerrido contribui com o espetáculo e as críticas pelas vezes em que seu destemperamento mancha uma partida. Não dá para ter opinião absoluta sobre o atacante, e é isso que torna o seu personagem no mundo do futebol tão interessante.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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