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Dez histórias para ficar de olho na Premier League 2016/17

A expectativa é altíssima. Os times estão cheios de estrelas. Os bancos de reservas têm grandes treinadores. Os clubes de tradição continuam no mesmo lugar. A zebra defende o título. O segundo escalão tenta se aproximar do primeiro. A Premier League 2016/17 promete ser uma das melhores que já vimos, com uma acirrada briga pelo título e pelo segundo prêmio, a vaga na Champions League. Ela começou neste sábado, e selecionamos dez histórias que valem a pena você acompanhar ao longo da temporada.

– Mourinho versus Guardiola: Manchester vai ficar pequena

Quais são os melhores técnicos do mundo? Qualquer lista com cinco nomes precisa incluir José Mourinho e Pep Guardiola, arquitetos de duelos épicos entre Real Madrid e Barcelona, na época em que ambos treinavam na Espanha. E agora, há a chance de eles se cruzarem em algum restaurante ou na barbearia (ok, as chances de Guardiola ir a uma barbearia são menores). A personalidade forte de ambos já causou trocas de farpas públicas, com Mourinho reclamando da arbitragem, e Guardiola, respondendo irritado. A rivalidade entre os dois talentosos treinadores será retomada na Inglaterra, com cada um em um lado da mesma cidade: José no United, Pep no City. Manchester vai ficar pequena.

– O ET e a raposa

Não dá para ser mais claro do que Claudio Ranieri já foi: o Leicester, apesar de ser o atual campeão, não entra na Premier League para defender o seu título. O técnico italiano já reforçou que a meta é, novamente, é mais fácil um extraterrestre aparecer em Londres do que as Raposas serem bicampeãs. Ainda assim, será interessante acompanhar como será a vida pós-milagre. De franco-atirador, será um time a ser batido, principalmente pelos médios e pequenos. A dificuldade para vencer seus jogos deve aumentar, como aconteceu na reta final da última temporada. Vardy e Mahrez, por enquanto, permanecem no elenco, mas Kanté foi para o Chelsea, e Ranieri terá que adaptar o seu time para suprir a ausência de uma das peças mais importantes da engrenagem. O polonês Kapustka e o nigeriano Musa são os reforços. Com a Champions League para desviar a atenção, até onde o Leicester pode chegar?

– A (possível) última apresentação de Wenger

Arsène Wenger, técnico do Arsenal (Foto: AP)
Arsène Wenger, técnico do Arsenal (Foto: AP)

Já são vinte temporadas ininterruptas, com um ou dois shows por semana, mas Arsène Wenger pode estar perto da sua última apresentação como técnico do Arsenal. Aos 66 anos, seu contrato expira em junho, e ainda não se sabe se ele será renovado ou se chegará ao fim a era do francês no norte de Londres, depois de três títulos ingleses e uma final de Champions League. Terá um dos mais complicados desafios pela frente. O básico – terminar entre os quatro primeiros – está mais difícil do que nunca, mas o atual vice-campeão tem a obrigação de mirar mais para cima. Precisa brigar forte pelo título da Premier League e chegar longe na Champions League. O mínimo que se espera para que Wenger deixe o teatro de cabeça erguida, como merece, depois de duas décadas de trabalho duro.

– Sturridge conseguirá manter-se em forma?

Daniel Sturridge, do Liverpool (AP Photo/Jon Super)
Daniel Sturridge, do Liverpool (AP Photo/Jon Super)

Jürgen Klopp prepara-se para a sua primeira temporada completa como técnico do Liverpool e já afirmou que, desta vez, depois de contratações e dispensas, tem em mãos um time com a sua cara. Sem grandes reforços no ataque – apenas Sadio Mané -, conta com os gols de Daniel Sturridge. Já passaram duas temporadas desde que o atacante inglês foi um dos melhores da Premier League, ao lado de Suárez, na campanha que terminou com os Reds na segunda posição. Mas problemas físicos impediram que tivesse continuidade: atuou apenas 12 vezes no campeonato seguinte (2014/15) e 14 no último (2015/16). Segundo a imprensa inglesa, recebeu um programa especial de treinos nesta pré-temporada para evitar as lesões. Ainda não deu muito certo. Com um incômodo no quadril, ele perdeu os dois últimos amistosos e é dúvida para a estreia da Premier League. Mas ainda estamos no começo da temporada. Sturridge terá muito tempo para provar que seu corpo não é um problema. Porque qualidade para ser um grande atacante ele tem.

– O desenvolvimento dos jovens do Tottenham

O Tottenham brigou a sério pelo título na última temporada, mas uma derrocada no final derrubou-o para o terceiro lugar. Oscilação normal para um time jovem como este comandado por Mauricio Pochettino. Depois de passar por algumas provações, como ser goleado por 5 a 1 pelo rebaixado Newcastle quando poderia ficar à frente do Arsenal na tabela pela primeira vez em 21 anos, a expectativa é que tenha amadurecido. No elenco, apenas o goleiro reserva Michel Vorm tem mais de 30 anos. Nomes como Harry Kane, Delle Ali, Eric Dier, Heung-Min Son, Lamela e Eriksen ainda tem menos de 25 anos e muito a evoluir. Vale acompanhar o desenvolvimento deles de perto.

– West Ham de casa nova

As bolhas agora são sopradas em outro lugar. O West Ham deixou o Boleyn Ground para trás e assumiu a administração do Estádio Olímpico. Mantém-se no leste de Londres, mas a torcida precisará de tempo para se adaptar (ou não) a uma nova realidade. O clube já ameaçou suspender os carnês de temporada de quem insistir em torcer de pé, e a atmosfera, embora elogiada pelo técnico Slaven Bilic no primeiro jogo oficial no novo estádio, não tem o mesmo clima de alçapão que existia no Upton Park. Pode fazer falta para a equipe, que surpreendeu na última temporada, com o sétimo lugar, e se reforçou bem para alçar voos mais altos.

– O novo Everton

Ronald Koeman, novo técnico do Everton (Foto: AP)
Ronald Koeman, novo técnico do Everton (Foto: AP)

O Everton foi adquirido pelo empresário britânico-iraniano Farhad Moshiri e encara uma nova realidade: a capacidade de comprar coisas. No caso, jogadores. Ainda não a exerceu, porém. O novo técnico Ronald Koeman está cauteloso no mercado de transferências. Trouxe Stekelenburg para suprir a saída de Tim Howard, e Ashley Williams para o lugar de John Stones. A promessa de um baú de tesouro milionário para reforçar o elenco ainda não foi concretizada – ou o baú ainda não foi aberto. Mas ainda temos duas semanas e meia de janela para o clube aproveitar. A torcida está animada e não se importa se Koeman quer ou não gastar dinheiro, desde que veja um novo Everton na próxima temporada, depois de um decepcionante 11º lugar.

– E agora, Southampton?

O Southampton é um dos times mais consistentes da Premier League. Vem evoluindo degrau por degrau: nas últimas três edições, foi oitavo colocado, sétimo e sexto. O mais impressionante foi ter conseguido se manter forte, mesmo renovando o elenco e trocando de técnico. Shaw, Lallana, Lovren, Chambers, Lambert, Schneiderlin e Clyne foram embora, assim como Pochettino. Chegaram Mané, Pellè e Koeman, mas esses também já saíram. O novo projeto será comandado por Claude Puel, ex-técnico de Monaco, Lille, Lyon e Nice. Está mais difícil continuar melhorando a classificação dos Saints, mas quem duvida do Southampton?

– O Middlesbrough será uma atração

Valdés, ex-goleiro do Manchester United (Foto: AP)
Valdés, ex-goleiro do Manchester United (Foto: AP)

Vocês já deram uma olhada no mercado do Middlesbrough? Trouxeram dois goleiros experientes, o americano Brad Guzan e o espanhol Victor Valdés, que espera finalmente conseguir jogar um pouco. Arrebatou o uruguaio Gastón Ramírez, que estava sem contrato, e trouxe o lateral brasileiro Fábio (o irmão gêmeo do Rafael). Trouxe Álvaro Negredo por empréstimo e contratou o promissor Viktor Fischer, do Ajax. Pode dar tudo errado, mas no seu retorno à elite, sete temporadas depois de cair, será pelo menos uma atração interessante.

– O Hull City já surge como candidato ao rebaixamento

Digamos que não foi uma boa pré-temporada para o Hull City. Steve Bruce pediu demissão, vinte dias atrás, porque o clube ainda não havia contratado ninguém. A avaliação do técnico, nada absurda, é que um elenco de segunda divisão não aguenta disputar a Premier League. O Hull City segue com zero reforços e, pior do que isso, perdeu o importante meia Mohamed Diamé para o Newcastle. Um novo técnico ainda não foi contratado, e Mike Phelan comanda a equipe interinamente. Comanda quase ninguém, porque havia apenas 13 jogadores do time profissional trabalhando esta semana para a estreia da temporada contra o Leicester, graças a uma epidemia de lesões. Phelan admitiu que não dá para competir na Premier League com o que ele tem em mãos. Se esse panorama não mudar drasticamente, o Hull não é forte candidato apenas ao rebaixamento, mas também à lanterna.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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