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Depois das taças, brasileiros rendem dinheiro ao Shakhtar

A política de Mircea Lucescu na montagem do elenco do Shakhtar Donetsk é bastante clara. Enquanto aposta em jogadores do leste europeu para o setor defensivo, vai ao mercado para comprar brasileiros para o meio-campo e ataque. Desde Brandão, o primeiro brasileiro a desembarcar no clube, há 11 anos, 19 jogadores do país foram contratados. Destes, apenas um era zagueiro e três laterais.

O 19º brasileiro a vestir a camisa do Shakhtar foi confirmado nesta quinta-feira: os ucranianos pagarão € 9 milhões por Wellington Nem. Atacante jovem e rápido, o prodígio chega credenciado como muitos de seus antecessores e pronto para disputar posição com Taison e Alex Teixeira, os nomes utilizados por Lucescu nas pontas do ataque.

Em contrapartida, os Kroty negociaram um de seus principais jogadores. Fernandinho já era especulado pelo Manchester City havia meses, mas só assinou contrato com os ingleses nesta semana. Em Donestk desde 2005, o volante fez uma temporada extraordinária, destaque na Liga dos Campeões e no tricampeonato ucraniano. Sai por € 37 milhões, valor quase cinco vezes maior que os € 7,8 milhões que o Shakhtar gastou para tirá-lo do Atlético Paranaense.

E o brasileiro acaba simbolizando um novo momento dos brasileiros no Shakhtar. Desde 2004/05, quando a política de contratações passou a ser empreendida com mais força, a equipe conquistou sete de seus oito campeonatos nacionais, além de quatro títulos da Copa da Ucrânia e um da Copa da Uefa. Entretanto, somente a partir deste ano é que, ao invés de renderem apenas taças, os brasileiros também significam um aporte financeiro aos Kroty.

Bancado pelo magnata Rinat Akhmetov desde 2005, o Shakhtar já gastou € 123,6 milhões em jogadores nascidos no Brasil – não necessariamente vindos de clubes brasileiros. Por outro lado, o clube arrecadou € 109,5 milhões com as vendas. Um valor que, apesar de alto, só foi impulsionado a partir deste ano. Vendidos nos últimos seis meses, Willian e Fernandinho renderam € 72 milhões, 65,8% do total arrecadado.

O sucesso crescente do Shakhtar nas competições continentais, bem como o domínio na Ucrânia, torna seus jogadores naturalmente mais visados. O que não significa que o objetivo de Akhmetov com esses jogadores é apenas o lucro. Se os Kroty seguirem valores iguais ou acima das multas rescisórias, bem. O que não indica a mudança em uma fórmula que vem dando muito certo para o time.

Maiores contratações de brasileiros pelo Shakhtar

1º – Taison – Metalist Kharkiv – 2012/13 – € 15,2 milhões
2º – Matuzalém – Brescia – 2004/05 – € 14 milhões
3º – Willian – Corinthians – 2007/08 – € 14 milhões
4º – Ilsinho – São Paulo – 2007/08 – € 10 milhões
5º – Douglas Costa – Grêmio – € 8 milhões

Maiores vendas de brasileiros pelo Shakhtar

1º – Fernandinho – Manchester City – 2013/14 – € 37 milhões
2º – Willian – Anzhi – 2012/13 – € 35 milhões
3º – Matuzalém – Zaragoza – 2007/08 – € 14,5 milhões
4º – Elano – Manchester City – 2007/08 – € 12 milhões
5º – Brandão – Olympique de Marseille – 2008/09 – € 6 milhões

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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