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Dentro de Eindhoven, o Leicester buscou uma agonizante virada sobre o PSV e avançou às semifinais da Conference

O PSV vencia até os 32 do segundo tempo, mas o Leicester não deu chances nem à prorrogação com a vitória decretada aos 43

Os torcedores do Leicester estão acostumados com milagres, mas o vivido nesta quinta-feira certamente renderá um capítulo especial na história continental do clube. Dentro do Estádio Philips, as Raposas foram capazes de uma virada emocionante para eliminar o PSV e alcançar as semifinais da Conference League. A situação do time de Brendan Rodgers era complicada, após empatar a ida por 0 a 0 e entregar um gol logo de cara na volta. Entretanto, o Leicester superou os apuros e deu a resposta no final. O empate saiu aos 32 e a vitória por 2 a 1 acabou decretada aos 43 do segundo tempo. Feito inédito aos azuis, que nunca tinham chegado entre os quatro melhores de uma competição europeia e se colocam entre os principais candidatos à taça.

O Leicester começou bem a partida, em busca do ataque e com mais volume de jogo. Logo teria algumas finalizações sem direção na área. Porém, sempre que chegava, o PSV demandava atenção. Aos 14 minutos, Kasper Schmeichel precisou realizar uma defesa fantástica em batida de Mario Götze, que buscava o ângulo oposto. Apesar disso, a partida seguia aberta e a resposta das Raposas viria dois minutos depois, quando Harvey Barnes saiu de frente para o crime e mandou ao lado da trave. A qualidade do duelo já superava a ida.

O PSV voltou a colocar Schmeichel para trabalhar aos 25, num chute de Joey Veerman que o goleiro espalmou para escanteio. Na sequência, o gol dos Boeren saiu. Youri Tielemans errou uma saída de bola e Götze aproveitou a chance para servir Eran Zahavi na direita. O atacante tinha pouco ângulo, mandou um tiro rasteiro e acertou o cantinho de Schmeichel, mesmo sem colocar tanta força na batida. A resposta do Leicester não demorou. Aos 31, James Maddison bateu com desvio e Jordan Teze salvou espetacularmente em cima da linha. Pouco depois, seria a vez de Timothy Castagne cabecear para fora com liberdade. Antes do intervalo, Maddison ainda erraria o alvo por cima do ângulo. As Raposas se mostravam vivas na partida e com recursos para virar.

O Leicester voltou para o segundo tempo com Patson Daka e Ademola Lookman dando mais força ao ataque. As Raposas tomavam sustos nos contra-ataques. Foram duas boas chances para o segundo tento do PSV antes dos dez minutos, com direito a um tiro de Veerman que passou perto. Já aos 14, numa cobrança de escanteio, Zahavi cabeceou na pequena área e mandou por cima. Os holandeses eram bem mais diretos em suas ações. Quando o Leicester poderia ter empatado, aos 17, Daka partiu sozinho e desperdiçou diante do gol.

Os riscos rondavam o Leicester, mesmo que o time ficasse com a bola. O PSV lamentaria outra oportunidade perdida aos 28, numa recuperação. Ibrahim Sangaré tabelou com Cody Gapko e, na hora da batida, mandou por cima. O erro custaria caro, já que as Raposas deixaram tudo igual aos 32. Numa ótima troca de passes pela direita, Ayoze Pérez chegou à linha de fundo e cortou a marcação, antes de tocar para trás. Maddison chegou com tudo e mandou uma pancada no alto, sem que o goleiro Yvon Mvogo alcançasse. Neste momento, pelo menos a prorrogação estava nas mãos dos ingleses. Não parariam por aí.

O lance ainda gerou certa tensão, com uma indecisão da arbitragem se a bola tinha saído pela linha de fundo com Pérez. Sem VAR, não havia revisão e o tento foi validado. O Leicester permaneceu em cima e tentava resolver o jogo o quanto antes. Mvogo salvou o PSV com uma impressionante intervenção aos 38, desviando por cima o arremate à queima-roupa de Ayoze Pérez. A pressão se tornava maior, até que a virada se consumou aos 43. Desta vez o lance fluiu pela esquerda, para que Lookman escapasse e tocasse ao chute de Daka. Mvongo rebateu e, na sobra, Ricardo Pereira seria o herói. Na base do desespero, o PSV tentou se recuperar no fim e não teve sucesso.

O Leicester pegará o vencedor de Roma x Bodo/Glimt na semifinal. Será um embate duro, mas a campanha das Raposas nesses mata-matas é consistente. Numa temporada que parecia terminar em decepção na Premier League, o time de Brendan Rodgers faz a sua melhor campanha continental na história. Tem força para seguir em frente e buscar um título inédito ao clube, que abrilhantaria um pouco mais as façanhas dos últimos anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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