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Como Mourinho manteve o problema no ataque do Arsenal

Temendo fortalecer o Arsenal e torná-lo concorrente ao título da Premier League, José Mourinho barrou, no último dia da janela de transferências, o empréstimo de Demba Ba para os Gunners. O treinador português não é bobo. Com Santi Cazorla e Mesut Özil como dupla de armadores, um centroavante fazedor de gols como o senegalês poderia tornar o time do norte de Londres muito perigoso. Por mais que Ba estivesse sem espaço em Stamford Bridge.

No atual elenco do Chelsea, especialmente após a chegada de Samuel Eto’o, Demba Ba é apenas uma das opções para Mourinho escalar como centroavante e está atrás na briga pela titularidade com o camaronês e com Fernando Torres. Apesar de o empréstimo de Romelu Lukaku para o Everton ter aliviado um pouco a disputa, o senegalês claramente não é o preferido de “Mou” para comandar o ataque.

Já no Arsenal, Ba poderia, com menos dificuldade, assumir a condição de titular. Isso porque, apesar de Olivier Giroud ter começado a temporada de maneira espetacular, o francês não convenceu muito na campanha passada, a ponto de seu desempenho neste início de Premier League ser visto como surpreendente tanto pela imprensa inglesa quanto pelos torcedores dos Gunners. Portanto, indo atrás do senegalês, Wenger deixou claro que seu camisa 12 não é insubstituível.

Na equipe do norte de Londres, Demba Ba teria ótimos recursos para voltar à fase goleadora vivida no Newcastle, antes de se transferir para o Chelsea, em janeiro. E por “recursos” leia “garçons”. O Arsenal conta, nesta temporada, com dois dos melhores assistentes das principais ligas europeias. Na última Premier League, Cazorla foi o segundo jogador que mais deu assistências, somando 11 no total, ao lado de Hazard. Recém-chegado ao clube, Özil também foi o vice-líder de sua liga na temporada passada, com 12 passes para gols no Campeonato Espanhol, jogando pelo Real Madrid.

A parceria de Ba com Cazorla e Özil teria o potencial de resolver a falta de um matador no Emirates. Nos últimos anos, com exceção de Van Persie, que se transferiu para o rival Manchester United no começo da temporada passada, os nomes escolhidos por Wenger para ocupar a posição de centroavante não emplacaram – e até mesmo o holandês não era um camisa 9 de origem. Passaram pelo comando do ataque do Arsenal, sem sucesso, Bendtner, Chamakh e, inicialmente, Giroud. O francês, pelo menos nesta fase precoce da Premier League, tem dado conta do recado. Mas o técnico francês sabe que não pode confiar cegamente no jogador, tanto que já chegou a testar Lukas Podolski na posição – exatamente como fez com Van Persie. Sem Ba, no entanto, o camisa 12 é o nome mais apropriado ao qual Wenger deverá recorrer.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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