Inglaterra

Técnico do Tottenham: ‘Quando ele joga assim, ficamos com 12 jogadores em campo’

Meia inglês marcou seu primeiro gol pelo clube na vitória sobre o Aston Villa

Conor Gallagher finalmente respirou no Tottenham. O meia inglês, contratado pelo clube londrino por 40 milhões de euros na última janela de transferências, em janeiro, após passagem apagada pelo Atlético de Madrid, marcou seu primeiro gol com a camisa dos Spurs na vitória por 2 a 1 sobre o Aston Villa, no último domingo (3).

O jogador saiu da partida com a autoestima restaurada e palavras que revelam o quanto os últimos meses pesaram. O gol veio aos 12 minutos: Gallagher dominou, abriu o corpo e bateu forte de fora da área para vencer Emiliano Martínez. Mas o que chamou mais atenção foi o que ele disse depois.

“Normalmente, quando você marca seu primeiro gol pelo novo time, sente um grande alívio. Mas não foi o caso. Eu estava totalmente focado em continuar jogando bem, consciente da importância dos três pontos”.

O efeito De Zerbi em Gallagher e no Tottenham

A vitória tirou o Tottenham de uma situação delicada: a três rodadas do fim da Premier League, o clube tem apenas um ponto de vantagem sobre o West Ham na luta contra o rebaixamento. O ambiente era de pressão máxima e é exatamente nesse contexto que Roberto de Zerbi chegou para mudar o rumo das coisas.

A relação entre o técnico italiano e o meia inglês é um dos pontos mais interessantes desta reta final de temporada nos Spurs. De Zerbi não apenas resgatou o desempenho de Gallagher, ele resgatou a identidade do jogador, algo que parecia perdido depois de meses difíceis entre Madri e Londres.

Gallagher comemora gol do Tottenham
Gallagher comemora gol do Tottenham (Foto: IMAGO / Sportimage)

“Ele me lembrou de quando eu estava no meu auge. Me lembrou da minha segunda temporada no Chelsea, que foi muito boa. Ele quer que eu volte a ser assim e que não esqueça o quão bom eu posso ser”, disse Gallagher, atualmente com 26 anos.

Uma declaração que diz muito sobre o estado emocional do jogador antes da chegada do treinador e sobre o quanto uma gestão humana pode fazer diferença num momento de crise.

“O treinador tem sido fantástico. Ele conseguiu unir o time. Trabalhou muito com os jogadores individualmente, com reuniões e conversas pessoais, tentando fazer com que recuperassem a autoconfiança. Fez isso comigo e marcou uma grande diferença.”

Do outro lado, De Zerbi não escondeu a admiração. E apesar de destacar a versatilidade do meia, foi além da análise técnica: reforçou o quanto Gallagher ajuda os demais com pontos que não são vistos nas estatísticas.

“Quando Gallagher joga assim, somos 12 em campo — porque ele pode ser atacante, meia, lateral, em qualquer parte do campo. É um grande jogador, joga com paixão e tem excelentes qualidades”.

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Copa do Mundo no horizonte, Tottenham na frente

Com a Copa do Mundo batendo à porta, Gallagher poderia estar olhando para o próprio desempenho com um olho na convocação inglesa. Mas o discurso é de quem aprendeu a colocar o coletivo em primeiro lugar, ou pelo menos a dizer isso com convicção.

“Sou um jogador de equipe. Tento fazer o que sei de melhor: trabalhar duro sem a bola. Continuarei dando o meu melhor para dar orgulho ao clube e ajudar o Tottenham a conquistar mais vitórias.”

Foram meses difíceis para o meia. A saída do Chelsea, a chegada ao Atlético de Madrid sem nunca se firmar, a transferência de inverno para um Tottenham em crise. Mas uma vitória sobre o Aston Villa, com gol e exibição de alto nível, pode ser o ponto de virada que Gallagher precisava.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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