Inglaterra

De volta

É difícil definir a “grandeza” do Nottingham Forest. O clube é bi-campeão europeu, embora só tenha ganho a Liga Inglesa uma vez. Tem no currículo ainda duas FA Cups, a primeira delas em 1898, e quatro Copas da Liga. É, ainda o vigésimo clube com mais participações na principal divisão do futebol inglês, na qual esteve 56 vezes, principalmente entre os anos 50 e o começo dos 70, e entre 78 e 99.

Em 77, treinado pelo legendário Brian Clough, o clube subiu para a primeira divisão, e em 78 ganhou o título. No ano seguinte, e no seguinte, ganhou o campeonato europeu. Em 89 e 90 ganhou a League Cup, e em 91 foi vice na FA Cup. Em 89 foi o terceiro colocado na Liga, mas, em 93, caiu. Em 94 voltou, foi 3o em 95 mas caiu em 97. Voltou em 98, mas caiu em 99, para não voltar mais.

Como se não bastasse cair para a segunda, o Forest foi o primeiro campeão europeu da história a cair para a terceira divisão do futebol de seu país, em 2005. E não é que tenha voltado logo em seguida. Passou três temporadas no terceiro nível, e, quando voltou, quase caiu na seqüência, na temporada passada. O início da temporada atual, portanto, quando a equipe conquistou dois pontos nos quatro primeiros jogos e perdeu as duas primeiras partidas que jogo em casa, não poderia inspirar nada em sua torcida que não fosse o medo de cair de novo. A partir de 19 de setembro, porém, depois de perder para o Blackpool em casa, completando oito jogos com apenas uma vitória e quatro empates, alguma coisa aconteceu na floresta de Robin Hood.

Desde então o Forest não perdeu. Venceu doze vezes, e empatou seis. Tem sete vitórias nos últimos nove jogos, incluindo uma sobre o West Brom, de quem tirou a vice-liderança, na casa do adversário. E, repentinamente, voltar à elite parece muito mais perto do que retornar ao inferno.

A equipe vermelha é formada em sua maior parte por jovens valores, a maior parte vinda de fora, como o lateral galês Chris Gunter, ex-Tottenham. Os nomes mais conhecidos do elenco não são exatamente o que se chama de caras conhecidos: Robert Earnshaw, trazido com pompa, mas que não virou o que se esperava, e o nigeriano Adebola, além do polonês Majewski, o único entre os três que aparece regularmente no primeiro time.

No comando do navio, assim como há algumas décadas, está um ex-treinador do Derby County, maior rival do Forest. Billy Davies assumiu o Derby County em 2006, e, em sua primeira temporada, levou o clube à Premier League. A temporada do Derby na Premier League entretanto será lembrada por algum tempo como uma das piores da história. Em nenhum momento houve qualquer dúvida de que a equipe voltaria a cair – e Davies não teve tempo para provar o contrário. Demitido em novembro de 2007, ficou mais de um ano sem trabalhar até receber o convite do Forest.

Davies é cauteloso quando fala sobre as chances de sua equipe, e, do alto da péssima experiência com o Derby, diz o tempo todo que uma equipe que sobe sem estar preparada cai logo, dando a entender que “preferia” subir no ano que vem. As perspectivas de que isso aconteça ainda nesta temporada, entretanto, não são nada desprezíveis.

No momento em que escrevo, o Forest é o segundo colocado, com três pontos a mais que o West Brom – que tem um jogo a menos e saldo melhor. Os Baggies têm subido e descido com freqüência nos últimos anos, ou seja, como clube de futebol estão mais preparados para a promoção automática que o Forest. Ainda, porém, que tenha que passar pelos playoffs, o time de Davies não teria pela frente nenhum bicho-papão, e as equipes com mais tradição que pintam como adversários são o Sheffield United e o Leicester City.

Subindo neste ano para cair no próximo ou esperando mais um ano para subir, o que importa para os torcedores do Nottingham Forest é que a equipe encontrou finalmente a consistência perdida. E que esta consistência não vem a reboque de grandes gastos, ou de jogadores que deixarão o clube em breve. Ainda que a primeira divisão ainda esteja distante, o respeito voltou. É daí que se começa.

Gigantes em perigo

Nas últimas semanas, a situação financeira de dos gigantes vermelhos do futebol inglês mereceu as manchetes. Se no caso do Liverpool o problema ainda é aparente – Tom Hicks está vendendo seu time de beisebol -, no caso do United ele é bem real, e tem cifras: o clube mancuniano tem uma dívida de 716 milhões de libras, nada menos do que R$ 2,1 bilhões. Não bastasse o fato de que o clube não tinha dívidas antes de ser adquirido pelos Glazer, o Guardian publicou na semana passada que o United fez pagamentos no valor de 127 milhões de libras (cerca de R$ 375 mi) aos Glazer ou a suas empresas.

Voltaremos ao assunto aqui, assunto, aliás, sobre o qual já nos debruçamos. Parece cada vez mais claro que, a não ser que continuem consistentemente ganhando títulos e se classificando para a Liga dos Campeões, tanto Liverpool quanto Manchester United têm uma gigantesca sombra pairando sobre seu futuro. A falência não é algo que se pode afastar completamente, ainda que continuem havendo interessados em comprar ambos os clubes. O problema é que o tamanho das dívidas, e a maneira como foram estruturadas, fazem com que qualquer interessado tenha que ter muito dinheiro e muito pouco juízo.

Talvez seja exagero dizer que é o próprio futuro do futebol inglês que está em risco, afinal estamos falando de duas equipes, ainda que as duas mais importantes do país. O problema é que a derrocada de um ou de ambos coloca em xeque o modelo sobre o qual está assentado o esporte no país, em que é possível comprar um clube de futebol sem dívidas com dinheiro emprestado, e transferir a dívida para o clube.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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