Inglaterra

Darwin causou impacto e o Liverpool conquistou a Community Shield, em mais um jogaço contra o City

Salah foi a principal figura do Liverpool, numa grande atuação, mas Darwin Núñez também seria providencial ao sair do banco

Liverpool e Manchester City fizeram algumas partidas memoráveis nos últimos anos. Mais um grande jogo aconteceu neste sábado, para abrir com chave de ouro a temporada inglesa na Community Shield. Foram 90 minutos empolgantes de futebol no Estádio King Power – sede excepcional do embate por conta da Euro Feminina. E, ao menos por enquanto, os Reds se mostraram mais preparados aos desafios. A equipe de Jürgen Klopp teve mais momentos de superioridade e conquistou a vitória por 3 a 1. Os reforços, aliás, se destacaram. Darwin Núñez e Julián Álvarez saíram bem do banco, botando fogo no duelo. O argentino fez seu primeiro tento, mas o uruguaio possibilitou o pênalti convertido por Mohamed Salah e fechou o caixão nos acréscimos. Garantiu mais um troféu vai para Anfield.

O Liverpool entrou em campo com uma equipe sem grandes novidades, a não ser a entrada de Adrián no lugar de Alisson no gol. O meio-campo tinha Jordan Henderson, Fabinho e Thiago Alcântara. Já o ataque reunia Mohamed Salah, Roberto Firmino e Luis Díaz. Darwin Núñez e Fabio Carvalho eram os reforços recentes no banco. O Manchester City trazia Erling Braut Haaland no comando do ataque, ao lado de Riyad Mahrez e Jack Grealish. O meio-campo vinha com Bernardo Silva, Rodri e Kevin de Bruyne. Kalvin Phillips e Julián Álvarez eram opções na reserva.

A partida começou em ritmo altíssimo, com o alto nível competitivo dos dois times, mas sem tanta responsabilidade numa disputa menor. A pressão alta não cessava e os dois lados criavam chances. Muito ativo nos primeiros minutos, Salah acertou o lado de fora da rede logo aos quatro, com a resposta de De Bruyne também num tiro para fora. Pouco depois, numa inversão de Trent Alexander-Arnold, Andrew Robertson bateu com perigo. A partir desse momento, o jogo dos Reds se encaixou e a equipe era bem mais agressiva.

O Liverpool aproveitou o seu bom momento. O time explorava as inversões e encontrava os espaços a partir das pontas. Ederson seria providencial para desviar um cruzamento perigosíssimo dentro da área. Mas o gol não demorou a surgir, aos 21. Foram duas inversões dos Reds procurando uma brecha. Quando ela surgiu, Alexander-Arnold estava sozinho na entrada da área e bateu de primeira. O caminho da bola estava congestionado, mas um leve desvio em Nathan Aké até auxiliou que o tiro chegasse às redes, vencendo Ederson. Pela maneira como o time de Jürgen Klopp se apresentava, o resultado parcial era merecido.

O Manchester City precisava de uma resposta e melhorou na sequência do primeiro tempo, num momento em que o Liverpool também reduziu sua intensidade. Os pontas começaram a participar mais. Mahrez acionou uma batida perigosa de De Bruyne, antes que ele mesmo testasse Adrián, embora impedido. Já Haaland, silencioso até então, assustou depois dos 30. Na primeira chance, o centroavante ganhou de Robertson no corpo e parou em Adrián. Logo depois, não pegou em cheio o cruzamento de Bernardo Silva, antes que Adrián segurasse o rebote de Mahrez. O duelo se abria. Os Citizens permaneceram no controle até o fim da primeira etapa, com os Reds mais contidos, a não ser por um contra-ataque puxado por Salah que Ederson barrou.

O segundo tempo deu continuidade ao que já se via no primeiro, com o Manchester City mais ligado para buscar o empate. Adrián logo seria convocado à ação, defendendo uma tentativa de Mahrez. O Liverpool tinha mais dificuldade de prevalecer no ataque, com a defesa celeste travando quando o time voltou a subir às linhas. A melhora dos Reds se deu com boas trocas de passes e a participação ativa de Thiago Alcântara. Logo as primeiras substituições ocorreram, aos 14. Pep Guardiola sacou Mahrez e Grealish, com as entradas de Phil Foden e Álvarez. Jürgen Klopp botou Darwin Núñez no posto de Firmino. Na primeira participação, o uruguaio já saiu no mano a mano com Ederson, mas estava impedido.

(NIGEL RODDIS/AFP via Getty Images/One Football)

O duelo se incendiava um pouco mais, mas o Liverpool ainda era mais direto. O segundo gol poderia ter vindo aos 19, quando Henderson enfiou para Darwin em profundidade e o centroavante saiu de frente com Ederson, mas carimbou o rosto do goleiro. A torcida dos Reds, aliás, aplaudia e cantava o nome do novo reforço, mesmo com a oportunidade desperdiçada. O Manchester City voltou a se acertar na sequência, e contou também com um novato para empatar. Aos 25, De Bruyne cruzou para Foden e o inglês tentou duas vezes, mas parou em Adrián. A bola ficou viva na área e Álvarez foi oportunista para anotar. A arbitragem anulou o lance inicialmente, mas depois verificou que a posição de Foden era legal e validou o tento de Álvarez.

As duas equipes voltaram a mexer aos 29. Ilkay Gündogan era a novidade do City na vaga de De Bruyne, enquanto o Liverpool ganhava James Milner e Harvey Elliott, com as saídas de Henderson e Alexander-Arnold. Já aos 35, outra intervenção decisiva do VAR determinou o resultado. Salah cruzou e Darwin cabeceou firme. A bola foi bloqueada pelo braço de Rúben Dias e o árbitro só viu no monitor. Pênalti claro. Salah assumiu a bronca e converteu o chute aos 38, mesmo com Ederson acertando o canto. O meio-campo dos Reds logo ganharia mais pegada, com Naby Keita no posto de Thiago Alcântara.

O City sentiu o baque e o Liverpool seguia arriscando mais, com Núñez assustando de novo em cabeçada. Fábio Carvalho também ganhou uma chance nesta reta final. Os sete minutos de acréscimos, ao menos, concediam uma longa sobrevida aos celestes. E o time até chegou a balançar as redes, mas o tento de Haaland não valeu, com Foden ajeitando a bola quando já tinha passado a linha. Por fim, o golpe fatal aconteceu aos 49, quando a defesa dos Citizens já estava arreganhada. Salah cruzou, Robertson ajeitou e Darwin mergulhou de peixinho para anotar seu primeiro gol pelos Reds. Era ele o herói. Antes do apito final, o City teve seu último suspiro. Foden chutou para ótima defesa de Adrián, mas o rebote ficou vivo e Haaland apareceu sozinho para encher o pé. Carimbou o travessão e lamentou uma exibição abaixo da crítica.

O Liverpool chega a 16 títulos da Community Shield, se igualando ao Arsenal como segundo maior vencedor do torneio. A equipe não levava o troféu desde 2006. Mais importante, de qualquer maneira, são os sinais favoráveis aos Reds. A equipe teve uma boa partida, conseguiu superar a intensidade dos fortes oponentes e viu os protagonistas aparecerem. Salah relembrou os seus melhores tempos, mas o xodó é mesmo Darwin. Já o City pecou na conexão com o ataque e não aproveitou tanto a presença de Haaland. Por este jogo, parece menos maduro às primeiras rodadas da Premier League.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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