Inglaterra

O segredo (e a ciência) por trás da vitória nos pênaltis do Palace sobre o Liverpool

Análise mostra como o preparo tático e a leitura de movimentos se tornaram decisivos no futebol moderno

Dean Henderson foi o grande nome da Supercopa da Inglaterra neste domingo (10). O goleiro do Crystal Palace defendeu dois pênaltis e ajudou os Eagles a fazerem história em Wembley: triunfo sobre o Liverpool nas penalidades e mais um troféu erguido no gramado do lendário estádio — o segundo em menos de três meses.

O goleiro do Palace, inclusive, tem sido um dos melhores há algum tempo no quesito “marca da cal”. Somente 62% dos pênaltis batidos contra ele foram convertidos.

Diante dos Reds, a transmissão flagrou Henderson consultando anotações sobre os cobradores adversários. Ele obviamente estudou os comandados de Arne Slot, mas não somente onde eles chutam, bem como a técnica que usam.

Em uma thread no “X” (antigo Twitter), o psicólogo norueguês Geir Jordet, PhD em psicologia esportiva e especialista em futebol, analisou a disputa entre Palace e Liverpool, e ofereceu uma análise detalhada sobre a estratégia por trás dos pênaltis, focando especificamente nas táticas dos goleiros e dos cobradores.

Henderson e Alisson se cumprimentam
Henderson e Alisson se cumprimentam (Foto: Imago)

A análise de Geir Jordet sobre os pênaltis em Liverpool x Palace

Cobradores de pênalti

Em seu fio no “X”, Geir Jordet classifica os cobradores de pênaltis em duas categorias principais: os que tem a técnica independente do goleiro, e aqueles que “dependem” da ação do arqueiro.

  • Técnica independente do goleiro: O jogador decide o canto do chute antes da corrida e não altera sua decisão, independentemente do que o goleiro faça. Jordet cita como exemplo o pênalti cobrado por Alexis Mac Allister neste domingo (defendido por Henderson).
  • Técnica dependente do goleiro: O jogador observa a movimentação inicial do goleiro e rola a bola para o lado oposto. Eberechi Eze é mencionado na publicação como um exemplo (Alisson defendeu).

Estratégias do goleiro

O tweet detalha como os goleiros — cita Dean Henderson e Alisson como exemplos — estão se tornando especialistas em ler e neutralizar as diferentes técnicas dos cobradores.

  • Comprometimento precoce: Contra cobradores que usam a técnica independente do goleiro, o goleiro, sabendo o canto preferido do adversário (estudo antes do confronto), se lança para o lado antes mesmo do chute. Henderson usou essa tática com sucesso contra Mac Allister e Harry Kane — este último em agosto de 2022.
  • Permanecer parado: Já contra cobradores que usam a técnica dependente do goleiro, a estratégia de arqueiros como Alisson e o próprio Henderson é esperar o máximo de tempo possível. Ao não se moverem, eles forçam o cobrador a tomar uma decisão precipitada e, muitas vezes, a fazer um chute com menos força ou precisão.
  • Movimento de enganação: Quando o goleiro utiliza movimentos enganosos para confundir o cobrador no momento crucial, mudando de direção rapidamente para defender a bola. Jordet lembra da defesa de Yann Sommer contra Jorginho, no jogo entre Suíça e Itália, em 2021, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022.
Henderson defende pênalti de Mac Allister
Henderson defende pênalti de Mac Allister (Foto: Imago)

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Jogo mental entre goleiro e atacante

A análise do psicólogo norueguês mostra um jogo mental em constante evolução. O goleiro se prepara para a técnica do cobrador e o batedor, por sua vez, vê a necessidade de uma “contramedida”.

A solução adotada por atletas de renome e refino, como Kane e Lewandowski, é a técnica alternada. Ou seja, eles variam entre a técnica dependente e a independente do goleiro para se tornarem imprevisíveis, tornando o trabalho do arqueiro muito mais difícil no momento da cobrança.

Dito isso, a principal conclusão do estudo de Geir Jordet é que a defesa de pênaltis no futebol moderno não é uma questão de sorte, mas sim de estratégia, análise e preparação. Além da habilidade física, goleiros como Henderson se destacam por sua inteligência tática, capaz de mapear as preferências e a técnica dos cobradores.

Da mesma forma, os melhores batedores são aqueles que conseguem variar suas escolhas para não se tornarem previsíveis na marca da cal.

O que Jordet que dizer com tudo isso? Que pênalti não é um simples duelo de um contra um. Trata-se de um verdadeiro xadrez psicológico, onde cada movimento é calculado e cada defesa é o resultado de uma preparação meticulosa.

Abaixo, confira a thread completa:

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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