Leeds expõe deficiência e erro de mercado do Chelsea, que precisa recorrer a ‘cavalaria’ para vencer
Blues reagem após primeiro tempo pavoroso, mas desempenho reforça necessidade de equilíbrio
O Chelsea precisou de uma reação fulminante e de suas principais estrelas para superar o Leeds por 6 a 3, nesta quarta-feira (9), em Stamford Bridge, e avançar às oitavas de final da Copa da Liga Inglesa. O placar elástico, porém, não esconde o tamanho da dificuldade encontrada pelos Blues.
A equipe de Xabi Alonso fez um primeiro tempo pavoroso e chegou ao intervalo em desvantagem. No início da segunda etapa, o cenário parecia ainda mais complicado, com o Leeds ampliando a vantagem para 2 a 0. Foi então que a “cavalaria” lançada pelo treinador fez a diferença: Cole Palmer, Morgan Rogers e Pedro Neto entraram no intervalo e mudaram o rumo da partida em poucos minutos.
A classificação veio, mas também deixou uma mensagem incômoda. O Chelsea tem recursos para resolver jogos no ataque, porém ainda não encontrou a mesma segurança quando precisa proteger o próprio gol.
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— Chelsea FC (@ChelseaFC) September 9, 2026
Defesa continua sendo o calcanhar de Aquiles do Chelsea
A grande deficiência do Chelsea neste começo de trabalho de Xabi Alonso está na defesa. Já são dez gols sofridos em cinco jogos, somando Premier League e Copa da Liga Inglesa. O número ajuda a dimensionar um problema que não aparece apenas em momentos isolados: a equipe tem concedido oportunidades demais e encontrado dificuldades para controlar o adversário sem a bola.
Alonso, que costuma trabalhar com uma linha de cinco defensores e três zagueiros, testou uma formação diferente diante do Leeds. A ideia foi utilizar uma linha de quatro atrás e três jogadores no meio-campo. O resultado, no entanto, ficou longe do esperado. O time marcou mal novamente, não foi combativo e cedeu três gols. A mudança de estrutura não resolveu a vulnerabilidade que já vinha sendo observada nas partidas anteriores.
O treinador já admitiu em entrevistas que precisa melhorar o sistema defensivo. O problema é que, neste início de 2026/27, a impressão é de regressão a cada jogo. O Chelsea até consegue construir jogadas e marcar muitos gols, mas continua inseguro quando precisa defender. Contra o Leeds, a fragilidade ficou ainda mais evidente porque o adversário encontrou espaços com facilidade e transformou a desorganização dos Blues em gols.
A escolha do meio-campo também ajuda a explicar a dificuldade. Valentin Barco, que marcou o quinto gol, não teve uma atuação tão combativa quanto o time precisava. Ao lado dele, Malo Gusto foi improvisado e esteve entre os piores em campo. O jovem Reggie Watson, de 16 anos, não comprometeu, mas também não conseguiu oferecer o controle que faltou ao setor.
É nesse ponto que o chamado “erro de mercado” ganha peso. O Chelsea encerrou uma janela movimentada, investiu pesado e reforçou diferentes setores, mas ficou sem reposição para Enzo Fernández, vendido ao Manchester City no último dia do mercado.
A negociação com Lamine Camara, do Monaco, estava praticamente fechada, mas acabou interrompida após uma reviravolta envolvendo Folarin Balogun e Erik Lira. O clube londrino não teve tempo de buscar outra alternativa, e agora sofre com isso.
O problema não é a falta absoluta de opções, mas a ausência de uma peça contratada especificamente para preencher a lacuna deixada pelo argentino. Até janeiro, Alonso terá de encontrar soluções dentro do próprio elenco. O jogo contra o Leeds mostrou que essa necessidade não é somente uma questão de planejamento: já está cobrando seu preço em campo.
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‘Cavalaria' salva os Blues, mas desequilíbrio permanece
Se a defesa expôs o problema, o ataque mostrou por que o Chelsea continua sendo um time capaz de machucar qualquer adversário. Morgan Rogers teve um começo excelente com a camisa dos Blues e voltou a ser decisivo. Cole Palmer, por sua vez, também vive um início de temporada de alto nível. Dois dos pilares da equipe precisaram sair do banco para salvar a classificação.
A entrada dos três jogadores no intervalo mudou o ritmo da partida. O Chelsea passou a ter mais qualidade no último terço, mais capacidade de acelerar as jogadas e mais presença ofensiva. A virada relâmpago foi a prova de que Alonso tem alternativas capazes de transformar um jogo em poucos minutos.
Mas o problema permanece: o Chelsea é muito mais confiável quando precisa atacar do que quando precisa defender.
A equipe machuca o adversário, cria situações e tem jogadores capazes de decidir, mas concede muitos gols e não defende bem. Sem a bola, ainda é um time muito inseguro e desconexo.