Copa da Inglaterra

O Middlesbrough não tomou conhecimento dos titulares do Tottenham e eliminou outra força na FA Cup

Antonio Conte não poupou forças e mesmo assim acabou derrotado pelo Middlesbrough, que jogou melhor nos 120 minutos

O Middlesbrough já tinha feito estrago na fase anterior da Copa da Inglaterra, quando eliminou o Manchester United. Já nesta terça-feira, o Boro se tornou o pesadelo do Tottenham nas oitavas de final e despachou os londrinos no Estádio Riverside. Antonio Conte escalou a mesma equipe que tinha goleado o Leeds United no final de semana, incluindo Harry Kane e Son Heung-min. Ficava claro como o treinador apostava suas fichas na última chance de título da temporada. Porém, o Middlesbrough em nenhum momento se apequenou e teve ótimas oportunidades para vencer já no tempo normal. Durante a prorrogação, os alvirrubros se mostraram mais inteiros e garantiram o triunfo por 1 a 0. A equipe de Chris Wilder agora espera seu adversário nas quartas de final, enquanto ocupa a oitava posição na Championship e tenta entrar nos playoffs de acesso.

O primeiro tempo careceu de emoções. O Tottenham começou a partida mais presente no ataque, mas com raros espaços para finalizar. O Middlesbrough melhorou com o passar dos minutos e ficou com a posse de bola, mas também sem representar tanto perigo. As melhores oportunidades seriam dos Spurs, no fim da primeira etapa, quando o time conseguiu acelerar mais. Matt Doherty chegou a passar pelo goleiro Joe Lumley aos 39, numa saída desesperada fora da área, mas isolou o chute. Depois, o lateral também assustou num tiro cruzado de fora. Mas foi só.

O segundo tempo ganhou emoção, com as duas equipes chegando mais. Matt Crooks poderia ter feito o primeiro ao Middlesbrough, em uma cabeçada livre para fora, enquanto Eric Dier respondeu numa falta bem batida que o goleiro Lumley salvou. Aos 14, quando Harry Kane balançou as redes, o tento foi anulado por um mínimo impedimento. O Boro exibia confiança para manter a posse de bola e até finalizar mais. Faltou pontaria. Na reta final, os Spurs pareceram acordar e teriam um par de avanços perigosos. Mas, do outro lado, Hugo Lloris também evitou o gol aos 43, em grande defesa contra Isaiah Jones. Por fim, nos acréscimos, quando Son poderia ter matado o jogo numa cabeçada sozinho, facilitou a defesa de Lumley em dois tempos.

O início da prorrogação até apresentou o Tottenham mais disposto, imprimindo um ritmo maior. Todavia, não demorou para o Middlesbrough voltar a ser mais contundente. Os alvirrubros se mostravam com mais fôlego e emendavam arremates perigosos, com Lloris de novo salvando a equipe. Somente nos acréscimos os Spurs responderiam, mas Lumley evitou o gol de letra de Son.

O golpe fatal do Middlesbrough aconteceu no começo do segundo tempo da prorrogação. No primeiro minuto, a tabela saiu pelo lado direito e Crooks deu a enfiada na medida para Josh Coburn. O atacante de 19 anos aproveitou a cortesia de Emerson Royal, que cochilou no meio da área para dar condições, e partiu com muito espaço, antes de fuzilar Lloris. No restante do tempo, o Tottenham tentou o empate, mas faltaram pernas. O Boro se defendeu com competência e Lumley também voltou a aparecer, com boas defesas diante de Son e Dier. Seria também um dos heróis na classificação. Nos acréscimos, um contra-ataque ainda quase rendeu o segundo dos anfitriões, com Coburn a centímetros de completar às redes. Já estava de ótimo tamanho.

O Middlesbrough volta às quartas de final da Copa da Inglaterra após cinco anos. O Boro tem história no torneio, com direito a um vice em 1996/97. De qualquer forma, a maneira como o time desbanca favoritos já torna essa caminhada memorável. Ao Tottenham, restará se restringir à Premier League. E ver como será a reação de Antonio Conte, depois de semanas tão turbulentas. Nem sua aposta total com os titulares deu certo desta vez, em derrota que deixa o clima de seu trabalho mais instável.

City e Palace também avançam

Mais cedo, o Manchester City cumpriu sua missão, mas não aplicou uma goleada acachapante como se esperava. Mesmo na lanterna da Championship, o Peterborough United fez uma partida digna e demonstrou boa organização defensiva para segurar os favoritos até meados do segundo tempo. Porém, a qualidade individual dos Citizens serviu para destravar a partida e o placar de 2 a 0 valeu a classificação ao time de Pep Guardiola, que poupou alguns titulares.

Antes da partida, chamou atenção a decisão de que Oleksandr Zinchenko usasse a braçadeira de capitão. O ucraniano entrou em campo com a bandeira de seu país, ao lado de Frankie Kent, capitão do Peterborough. No comando do ataque, Gabriel Jesus participou de algumas tentativas no primeiro tempo, mas a muralha dos anfitriões atrapalhava demais as finalizações. Ederson faria a defesa mais difícil da etapa inicial, se esticando todo para evitar a surpresa de Jeando Fuchs.

O Peterborough voltou do intervalo dando outros sustos, mas o abafa do City se tornou maior, até o gol aos 15. Riyad Mahrez recebeu a inversão de Phil Foden, pedalou para cima da marcação e encontrou a mínima fresta para bater colocado, rasteiro. Mahrez quase ampliou na sequência e, aos 22, Jack Grealish concluiu o triunfo. Foden descolou um lançamento espetacular e o camisa 10 também dominou com categoria, antes da finalização mansa. Os Citizens insistiram por mais, mas pararam no goleiro Steven-Andreas Benda, embora Ederson tenha voltado a brilhar para evitar o gol de honra dos anfitriões.

Por fim, em Selhurst Park, o Crystal Palace cumpriu sua missão e derrotou o Stoke City por 2 a 1. Depois de um primeiro tempo morno, o duelo ganhou qualidade na segunda etapa. Cheikhou Kouyaté abriu o placar para o Palace aos oito minutos, mas Josh Tymon empatou para o Stoke cinco minutos depois. O tento decisivo das Águias saiu aos 37, com Jaïro Riedewald.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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