Andrey ‘box-to-box’ e sinais arrojados: O que o Chelsea de Rosenior já começa a revelar de bom
Mesmo sem encantar, Blues mostram paciência, controle territorial e primeiros sinais das ideias de novo técnico na vitória sobre o Charlton
A estreia de Liam Rosenior no comando do Chelsea esteve longe de empolgar pelo espetáculo, mas disse muito sobre intenção, método e leitura de jogo. A goleada por 5 a 1 sobre o Charlton, fora de casa, garantiu a classificação na Copa da Inglaterra e encerrou um período recente de instabilidade, iniciado com a demissão de Enzo Maresca, no primeiro dia de 2026, após resultados irregulares e crescente desgaste interno com a diretoria.
Desde o apito inicial, o cenário se desenhou de forma previsível. O time visitante concentrou a posse de bola, mas com circulação lenta e pouca agressividade no último terço, enquanto o Charlton se fechou em bloco baixo, confortável em proteger a própria área e esperar por transições. O primeiro tempo foi moroso, por vezes “chato”, com os Blues rodando a bola sem grande capacidade de acelerar o jogo ou desorganizar a defesa adversária.
Ainda assim, a equipe não se desesperou. O Chelsea encontrou brechas gradualmente, construiu a vantagem e mostrou maturidade para lidar com os momentos de instabilidade. O gol sofrido em bola aérea, já no segundo tempo, trouxe algum temor de reação quando o placar apontava 2 a 1, mas a resposta foi controlada. Sem pânico, os visitantes voltaram a assumir o comando territorial, ampliaram o marcador e administraram o resultado até o apito final.
Five goals and into the fourth round! 👊🔵#CFC | #EmiratesFACup pic.twitter.com/w2q5qfjw15
— Chelsea FC (@ChelseaFC) January 10, 2026
O que deu certo na estreia de Rosenior no Chelsea?
Entre as ideias interessantes de Rosenior, o destaque ficou para a dupla de volantes formada por Moisés Caicedo e Andrey Santos. “Intercambiáveis”, os dois atuaram como verdadeiros box-to-box, alternando funções defensivas e infiltrações ofensivas com naturalidade. Em vez de papéis rígidos, houve leitura de espaço e compensações constantes.
Outro sinal claro de intenção apareceu pelo lado esquerdo, com Jorrel Hato. Seu gol não foi fruto do acaso, mas consequência direta de um plano tático. Rosenior priorizou a segurança técnica, permitindo que o jovem lateral se projetasse com liberdade, sobrepondo-se e até ocupando zonas mais avançadas do que Alejandro Garnacho.
A mensagem é forte e direta: quem entrega qualidade com a bola ganha autonomia dentro do sistema. A estreia não empolgou, mas deixou pistas claras de um Chelsea que tenta, aos poucos, moldar sua identidade.
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Como foi a vitória do Chelsea sobre o Charlton
As propostas de ambos os times eram bem claras. O Chelsea assumiu a posse de bola e controlou o ritmo do jogo, mas com circulação lenta e poucas acelerações entre as linhas — o que facilitava a tarefa do Charlton.
A equipe da casa se mantinha fechada, compacta e bem organizada no campo de defesa. A estratégia passava por esperar o erro para acelerar nas transições, explorando os espaços deixados pelos Blues e buscando surpreender em ataques rápidos e verticais. Deu certo até os acréscimos do primeiro tempo, quando Jorrel Hato acertou petardo no ângulo e colocou os visitantes na frente.
Na etapa complementar, Tosin Adarabioyo aumentou a contagem de cabeça: Facundo Buonanotte cobrou falta na área e encontrou o zagueiro livre no primeiro poste. A reação mandante, porém, não demorou muito. Miles Leaburn aproveitou rebote de Filip Jörgensen na área e descontou.
Marc Guiu, Pedro Neto e Enzo Fernández — esses dois últimos saindo do banco — voltaram a dar tranquilidade aos Blues e deram números finais à partida.

A temporada 2025/26 do Chelsea até o momento
Sem vencer há cinco rodadas, o Chelsea perdeu posições na Premier League ao longo das últimas semanas. Com 31 pontos conquistados — oito vitórias, sete empates e seis derrotas —, o time londrino ocupa apenas a oitava colocação do certame.
Na Champions League, a situação também não é das mais animadoras. Com a derrota para a Atalanta em dezembro, o atual campeão do mundo caiu na tabela e corre sérios riscos de não garantir vaga direta nas oitavas de final — no cenário atual teria que jogar playoffs.
Por fim, nas copas nacionais, os Blues seguem vivos em ambas: quarta fase da Copa da Inglaterra e semifinal da Copa da Liga Inglesa.



