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Contrariando as desconfianças, Arsenal desbanca o Chelsea e conquista a FA Cup

Contra os prognósticos, contra as expectativas, contra todas as desconfianças. O Arsenal se superou de diferentes maneiras para conquistar a Copa da Inglaterra neste sábado, de maneira imponente. O gol que abriu o caminho para os Gunners em Wembley, de fato, é contestável. Mas não se pode menosprezar a superioridade dos vencedores no confronto com o Chelsea. Desperdiçando um caminhão de gols, os alvirrubros poderiam ter balançado as redes mais vezes. No final das contas, a reação imediata após o gol dos rivais determinou o sucesso da equipe de Arsène Wenger, triunfando por 2 a 1. Glória que torna os londrinos não apenas os maiores campeões isolados da competição mais antiga do mundo, desempatando com o Manchester United, mas também faz do criticado treinador o recordista, em ano de mais decepções que alegrias.

Pelas escalações, ficava difícil de apostar no Arsenal. Antonio Conte escalava o Chelsea com força máxima, após conquistar a Premier League. Já o Arsenal precisava lidar com os desfalques, sobretudo na zaga. A situação era tão crítica que Per Mertesacker precisou voltar ao 11 inicial depois de 13 meses sem fazer um jogo como titular. Retorno providencial do veterano, que acabou a tarde como um dos protagonistas.

Com mais atitude, o Arsenal não demorou para sair em vantagem, em lance que causou polêmica. Na sequência de bola perdida por N’Golo Kanté, o Arsenal partiu para cima. David Luiz afastou em um primeiro momento, mas Alexis Sánchez aproveitou a sobra – dominando aparentemente com a mão, o que o árbitro não considerou. A bola seguiu para Aaron Ramsey, em posição de impedimento. O galês, contudo, preferiu não participar e deixou o caminho livre para o chileno arrematar para as redes. Após alguns instantes de conferência com o assistente, o árbitro Anthony Taylor validou a jogada.

De qualquer forma, o Arsenal continuou sendo superior. Os Gunners eram bem mais agressivos em campo, dominando a posse de bola, e poderiam ter ampliado a diferença nos minutos seguintes. Gary Cahill salvou o tento de Mesut Özil em cima da linha, enquanto Danny Welbeck e Aaron Ramsey acertaram a trave por duas vezes no mesmo lance. Do outro lado, as chegadas do Chelsea eram bem menos contundentes, com a defesa de Wenger fazendo um trabalho sólido. Depois de um chute travado e de uma cabeçada para fora, Diego Costa forçaria a primeira grande defesa de David Ospina aos 27 minutos, com o goleiro abafando nos pés do sergipano. Do outro lado, os adversários responderiam com outra bola afastada em cima da linha, em tentativa de Welbeck, e em defesa de Thibaut Courtois após chute de Granit Xhaka.

O Chelsea melhoraria um pouco apenas nos 15 minutos finais do primeiro tempo, mas não encontrava espaços na defesa do Arsenal. Estava difícil de se aproximar da área e, por isso mesmo, os Blues arriscavam de média distância. Um panorama que seguiria na volta do intervalo. Ospina apareceu bem para fazer duas defesas e negar o empate aos comandados de Antonio Conte. Já do outro lado, os Gunners começavam a encontrar maior liberdade para os contragolpes, explorando principalmente o lado direito de seu ataque. Courtois ia segurando as esperanças de sua equipe, evitando que a diferença no marcador se dilatasse.

Conte tentou dar mais qualidade ao seu ataque com a entrada de Cesc Fàbregas no lugar de Nemanja Matic. Todavia, o Chelsea logo ficaria com um jogador a menos. Victor Moses tentou cavar um pênalti e foi flagrado pelo árbitro, dando o segundo cartão amarelo ao nigeriano. Apesar disso, os Blues partiram para o tudo ou nada, com Willian suplantando Pedro. E, quatro minutos depois, aos 30, o brasileiro participou do empate. Os Blues trabalharam a bola com extrema liberdade e Willian mandou de cavadinha para Diego Costa. Como um legítimo centroavante, o sergipano matou no peito e bateu prensado, vencendo Ospina.

A sequência galopante de fatos promoveu a entrada de Olivier Giroud, na vaga de Danny Welbeck. Outro dedo de Wenger no título. Logo em seus primeiros instantes, o centroavante recebeu na linha de fundo e cruzou, para Ramsey completar de cabeça. O gol que determinaria o sucesso do Arsenal. A partir de então, o que se viu foi a pressão do Chelsea. Diego Costa teve a grande chance do segundo empate, mas parou em milagre de Ospina. Enquanto isso, os Gunners desperdiçavam os contra-ataques que dariam mais tranquilidade. Özil acertou a trave mais uma vez e os cochilos na conclusão das jogadas permitiam a aproximação dos marcadores. Nada que tenha atrapalhado a festa dos campeões, levando a taça pela terceira vez nos últimos quatro anos.

O momento é de comemoração ao Arsenal. Não se pode negar o tamanho da conquista, especialmente pelas duas vitórias finais, em jogos emocionantes contra Chelsea e Manchester City, nos quais os Gunners realmente foram superiores. De qualquer maneira, a euforia não pode ludibriar. O clube precisa definir o seu futuro e avaliar o que quer da vida, após uma temporada em que o desempenho na Premier League deixou muito a desejar – e, não à toa, afastou os londrinos da próxima edição da Liga dos Campeões. Resta saber se esta foi a sobrevida de Wenger, protagonista no título, ou o adeus glorioso de quem já fez tanto pela instituição, mas pouco agrada nos últimos anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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