Inglaterra

Com ‘Wakanda Forever’, Aubameyang foi herói do Arsenal também na conquista da Community Shield

Ao longo dos últimos anos, Pierre-Emerick Aubameyang se imbuiu do papel de herói no Arsenal várias vezes. A conquista da Copa da Inglaterra 2019/20 viu esta melhor versão do artilheiro e foi ela que garantiu a presença dos Gunners na Community Shield, desafiando o Liverpool, campeão da Premier League. Apesar do favoritismo do outro lado e de suas próprias limitações, o time de Mikel Arteta buscou mais um troféu em Wembley. Abriu o placar numa boa atuação durante o primeiro tempo e, mesmo cedendo o empate por 1 a 1 na segunda etapa, garantiu o título nos pênaltis. Auba, que balançou as redes no tempo normal, também arrematou o triunfo por 5 a 4 na marca da cal. E o capitão fez questão de homenagear o ator Chadwick Boseman, falecido nesta sexta. O gabonês, que já havia usado a máscara do Pantera Negra em 2019, repetiu por duas vezes o gesto de ‘Wakanda Forever’ em tributo.

Do lado do Liverpool, a ausência mais sentida era a de Trent Alexander-Arnold, dando lugar ao garoto Neco Williams na lateral direita. O capitão Jordan Henderson era outro de fora, com o meio composto por Fabinho, James Milner e Georginio Wijnaldum. Já o Arsenal entrou com a escalação repleta de jovens, sem alguns jogadores mais tarimbados que compunham as escalações básicas de Mikel Arteta na temporada passada. Chamava atenção a manutenção de Emiliano Martínez no gol, mesmo com a sombra de Bernd Leno no banco – um reconhecimento ao final de temporada positivo do argentino. E também a presença de Mohamed Elneny, de volta após empréstimo ao Besiktas.

Levando perigo durante os primeiros minutos, o Liverpool teve um gol anulado logo aos seis. Andy Robertson cobrou falta em direção à área e Virgil van Dijk desviou, mas estava impedido. E se os Reds tomavam a iniciativa, um precoce contra-ataque colocou o Arsenal em vantagem aos 11. Bukayo Saka deu uma linda inversão. Aubameyang dominou com estilo e abriu o chute, para tirar a bola do alcance de Alisson com um tiro colocado. Bela jogada dos Gunners, que valeu a comemoração do gabonês em homenagem ao Pantera Negra.

Alisson precisaria intervir para evitar o segundo gol do Arsenal, logo na sequência, em chute de Eddie Nketiah que tinha endereço. O jogo, de qualquer forma, tinha poucas emoções. A velocidade dos Gunners gerava mais perigos que o controle do Liverpool, com Nketiah puxando os avanços, mas não que novas chances claras tenham surgido antes do intervalo. Os dois times atuavam em um ritmo mais baixo que o costume e a maneira como os londrinos se armavam no meio-campo explicava o resultado favorável, com a equipe de Jürgen Klopp um tanto quanto estática para achar as brechas. Elneny, em especial, surpreendia pela ótima exibição.

Na volta ao segundo tempo, o Liverpool reapareceu com mais atitude. As chances começaram a pipocar. Firmino bateu com perigo ao lado do gol e, aos dez minutos, Martínez salvou a bola nos pés de Sadio Mané, após grande lançamento de Robertson na construção da jogada. Klopp faria duas trocas aos 14, com Naby Keita e Takumi Minamino entrando. Os Reds mudaram sua formação, com um quarteto ofensivo, recuando Fabinho à zaga e repassando Joe Gómez à lateral. E a entrada de Minamino, sobretudo, faria a diferença.

O gol de empate do Liverpool saiu aos 27 minutos. O japonês já havia arriscado um chute em que Martínez defendeu com segurança. E o lance do tento nasceu a partir de Salah, que arrancou em diagonal e deu sorte com a bola espirrada ao companheiro, que estufou as redes. Com mais gás e melhores opções, os Reds vislumbraram a virada num lance em que, mais uma vez, Martínez fechou o ângulo nos pés de Mané. Joe Willock protagonizou a melhor tentativa do Arsenal na segunda etapa, sem pegar bem na bola ao cabecear. Apesar de bem armados na defesa, os londrinos tinham dificuldades nas transições. A superioridade era do Liverpool, que também não forçaria tanto para evitar os pênaltis.

Na marca da cal, o nível das cobranças foi alto. Os goleiros mal conseguiram sair nas fotos, diante da precisão e da calma dos batedores. Emiliano Martínez também não chegou perto de pegar a batida de Rhian Brewster, garoto que havia saído do banco nos acréscimos, mas a aposta de Klopp exagerou na força. De volta após empréstimo ao Swansea, o jovem de 20 anos encheu o pé e carimbou o travessão, o que deu a vantagem aos oponentes. No último tiro do Arsenal, Aubameyang converteu com maestria e confirmou a taça. De novo, repetiu o ‘Wakanda Forever’.

O Liverpool deixou a desejar neste sábado. Mesmo melhorando durante o segundo tempo em Wembley, não foi aquela atuação que se espera dos campeões ingleses. É preciso se pesar totalmente a falta de embalo no início da temporada, mas faltou um pouco mais de imponência contra um adversário no mesmo estágio de preparação. As lacunas e a qualidade técnica inferior não atrapalharam tanto o Arsenal, com um goleiro decisivo e um atacante pronto a resolver. Assim Aubameyang sai, mais uma vez, como protagonista da conquista. E mostra como seu nome precisa estar presente em qualquer projeto que se pense ao futuro no Emirates.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo