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Com uma campanha dessas, só uma “romada” classificava o City, e foi isso que aconteceu

Apenas na quinta rodada o Manchester City venceu seu primeiro jogo nesta Champions League, contra o Bayern de Munique. Até então, somara míseros dois pontos nas quatro rodadas anteriores. Uma campanha fraca e decepcionante do atual campeão inglês e que, em outro grupo, significaria o fracasso antecipado. Mas não em uma chave que conta também com a Roma. Não em uma chave em que você define sua continuidade justamente contra os giallorossi no último ato, adversários acostumados a dar um jeito de complicar as coisas para si próprios. Nesta quarta-feira, repleto de desfalques, o City conheceu o significado da expressão “romada”, vencendo por 2 a 0 um jogo que, anteriormente, tinha tudo para ser mais difícil.

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A Roma iniciou o jogo classificada. Com o empate na Inglaterra por 1 a 1, o empate sem gols era, nesta quarta, dos italianos. Além disso, jogavam em casa, contra um adversário longe de sua escalação ideal. Peças-chave da montagem do time de Pellegrini estavam indisponíveis. O capitão Kompany não se recuperou a tempo de um problema físico, Yaya Touré estava suspenso, e Agüero sofrera lesão na rodada do fim de semana na Premier League. Além desse trio, cada um o melhor de seu setor no time, Silva, outro dos grandes destaques, era apenas opção no banco por estar voltando de contusão. E o início de jogo indicava a vida difícil que os Citizens deveriam ter – e que acabaram não tendo.

Como mandantes, os romanistas tomaram a iniciativa. Chegaram perto de abrir o placar com Holebas logo no comecinho, mas Hart se colocou bem para impedir o gol. Entre uma e outra oportunidade, a Roma era melhor, mas o City, um pouco tímido no começo, começava a se soltar – à medida em que também notava o ímpeto italiano tomando o caminho inverso. O jogo, cujo ritmo parecia nas mãos do time de Garcia, lentamente passou para as mãos de Pellegrini. E o golpe que tornava a classificação giallorossa veio com poucos minutos de segundo tempo. Samir Nasri, aos 15, apenas uma opção que às vezes ganha seu espaço como titular, acertou um chutaço de fora da área para fazer seu primeiro gol na temporada.

A “romada” já dava seus primeiros passos com o golaço do francês, mas carimbou em definitivo a situação quando, aos 40 minutos da etapa complementar, Zabaleta conseguiu entrar na área livre para fazer 2 a 0 para o Manchester City. Embora aquele fosse o golpe final que decretava a classificação dos Citizens e o futuro próximo da Roma na Liga Europa, a certeza do revés já estava estampada no frustrado rosto de Totti, que, resignado, havia deixado o campo aos 25 do segundo tempo, para a entrada de Destro.

Por si só, o jogo já carrega uma grande decepção para os torcedores romanistas, que puderam ver, minuto a minuto, a possível vitória mudando de dono. Mas ele fica ainda pior para os italianos quando é colocada no bolo do que foi a campanha da Roma na Champions desta temporada. Começou com uma goleada por 5 a 1 sobre o CSKA, empatou fora de casa contra o próprio City e tinha a possibilidade de ficar em ótima situação ao enfrentar o Bayern, no Estádio Olímpico, na terceira rodada. Em vez disso, levou um passeio por 7 a 1, seguido por mais uma derrota para o Bayern e um empate com os russos. Só com um concorrente desses para um time com a campanha que os ingleses tiveram avançar às oitavas de final.

Na Serie A, a Roma segue como única verdadeira concorrente à supremacia da Juventus. Apenas três pontos a separam dos Bianconeri, e o desempenho na Velha Bota é muito bom. Mas é incrível a capacidade de tropeçar nas próprias pernas quando tem tudo para ter vida tranquila. Se há uma lição que fica do duelo desta quarta, essa lição é de que nunca podemos desconfiar do potencial de uma “romada”. Para os italianos, resta a esperança de que essa, em especial, tenha mesmo significado um basta à sequência de decepções continentais.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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