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Com quinto título e Abramovich, Chelsea consolida-se em outro patamar na Inglaterra

A Inglaterra demorou para estabelecer o seu grupo de elite. Evidência disso é que o primeiro clube a conquistar 10 títulos nacionais foi o Liverpool, em 1977, quase noventa anos depois da primeira edição do Campeonato Inglês. Mas nas últimas décadas, os Reds, o Manchester United e o Arsenal tornaram-se historicamente os principais clubes do país, mesmo passando por fases difíceis ultimamente. Com um processo em andamento para tentar se aproximar deles, está o Chelsea, que mudou de patamar com a administração cada vez mais sólida de Roman Abramovich.

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O clube do oeste de Londres sempre foi um dos médios do país. Vez ou outra, aparecia como o terceiro da cidade, atrás de Arsenal e Tottenham. Conquistou um título solitário em 1954/55 e outros dez troféus, menos ou mais importantes. Foi, é bom lembrar, quadrifinalista da Champions League antes das libras de Abramovich aparecerem. Ganhou a Copa da Inglaterra e a Copa da Liga Inglesa no final dos anos 1990. Sempre teve uma torcida fiel, com representatividade em várias regiões da capital, não apenas no bairro rico do qual emprestou o nome. Os seus hooligans chegaram a ser um dos mais temidos na década de 1980. Não era, de maneira alguma, o “São Caetano” da Inglaterra, como muitos gostavam de falar.

Não era, também, o papa-títulos que se tornou a partir de 2003, quando Abramovich decidiu entrar no ramo do futebol. Com esses bilionários que aparecem de repente na Inglaterra, sempre há a desconfiança de que sejam aventureiros, mesmo em clubes mais importantes. Basta pegar os exemplos da família Glazer no Manchester United, alvo de críticas constantes, e Gillet e Hicks no Liverpool, praticamente enxotados de Anfield Road. Mas o russo já conseguiu provar que não assumiu o Chelsea para brincar, apenas por status ou por lucro. Como proprietários de antigamente, quer fazê-lo crescer.

Ele pode pular fora de repente, caso tenha vontade. Faz parte da volatilidade do modelo de negócios do futebol inglês. Mas Abramovich teve pelo menos duas justificativas plausíveis para abandonar o seu projeto. Poderia ter desistido quando perdeu parte da sua fortuna no divórcio ou recentemente, com a crise econômica da Rússia que desvalorizou demais o rublo, moeda do país da onde vêm os seus negócios. Ao contrário, voltou a apresentar um investimento comparável ao dos seus primeiros anos, quando precisou colocar muito dinheiro para melhorar rapidamente a infraestrutura do clube. As vendas de David Luiz e Lukaku ajudaram, mas ele não teve medo de investir £ 60 milhões em Diego Costa e Fàbregas, duas das cinco contratações mais caras que fez desde que comprou o clube.

A Premier League vencida no último domingo foi o 15° título do seu reinado em Stamford Bridge, quatro a mais do que o total de troféus que o clube ganhou antes da sua chegada. As quatro conquistas nacionais da era Abramovich foram conquistados com dez anos de distância entre o primeiro e o último. Três períodos diferentes, três equipes diferentes: 2004/2006, 2009/10 e agora 2014/15, apenas o começo de um novo ciclo. Esse é mais simbólico porque o time que liderou quase todas as rodadas do campeonato é quase inteiro novo. Mourinho voltou para tocar essa renovação.

Lendas como Drogba, Terry e Cech continuam no Chelsea, mas, embora o zagueiro tenha sido essencial, adotaram papéis de coadjuvantes. O craque do time é Hazard, tentando construir essa mesma identificação. A espinha dorsal tem Courtois, Fàbregas e Diego Costa, com menção honrosa a Willian. Não foi um trabalho pontual, mas estrutural. Já dura uma década e, se mais nada, levou o clube de um único título à sétima posição na lista de vencedores ingleses. E, convenhamos, Sunderland (6), Aston Villa (7) e Everton (9) serão presas fáceis daqui para frente. Sem falar que tornou o Chelsea o primeiro time de Londres a vencer a Champions League.

A tendência, com os investimentos já realizados em categorias de base e estrutura, é que o Chelsea continue se consolidando entre os grandes do país, mesmo que um dia Abramovich decida que já cumpriu o seu papel. De fato, o mais difícil ele já fez e se um dia chegar um novo dono, caso ele não decida fazer uma tonelada de besteiras, terá uma base sólida para continuar erguendo esse castelo. O Chelsea já é um dos grandes da Inglaterra? Acredito que está no processo de se tornar um. Vale lembrar que antes de Alex Ferguson chegar ao Manchester United, a prateleira de títulos estava muito mais vazia do que está hoje.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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