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Com caráter e solidez, o United virou para cima do Tottenham e vai à final da FA Cup

O Manchester United passou por momentos frustrantes ao longo da temporada – e não é necessário forçar tanto a memória para se lembrar do que aconteceu contra o West Bromwich há uma semana. No entanto, os Red Devils também demonstram algo positivo em parte dos jogos grandes nesta reta final: caráter. Foi algo que sobrou para buscar a virada contra o Manchester City no Estádio Etihad. E que também impulsionou os Red Devils neste sábado, em Wembley. Em 90 minutos de muita concentração e consistência, o time de José Mourinho vai à final da Copa da Inglaterra. Mais uma vez virou o placar, superando o Tottenham por 2 a 1. Noite na qual o protagonismo, enfim, esteve com os protagonistas do time – algo que pode soar redundante, mas não foi praxe quando se trata de Paul Pogba e Alexis Sánchez nos últimos meses.

O jogo começou favorável ao Tottenham. Como era de se esperar, o time de Mauricio Pochettino mantinha a posse de bola e tentava encontrar brechas no campo de ataque, por mais que o Manchester United pressionasse em sua marcação – e que tenha assustado em cabeçada de Romelu Lukaku para fora. Aos 10 minutos, porém, os Spurs conseguiram achar o caminho para as redes. Davinson Sánchez fez um excelente lançamento para Christian Eriksen, que aproveitou a avenida na ponta direita. Então, o dinamarquês cruzou na medida para Dele Alli definir.

O Tottenham cresceu com o gol e criou chances de ampliar, explorando principalmente a velocidade pelos lados. No entanto, o empenho do United na marcação daria seu resultado aos 23, rendendo o empate. Paul Pogba roubou a bola de Moussa Dembélé e conectou rapidamente com Alexis Sánchez. O chileno cabeceou no contrapé de Michel Vorm (substituto de Hugo Lloris nas copas nacionais), sem chances de defesa. A partir de então, a partida ficou mais aberta, com os dois times buscando o ataque. Vorm fez uma boa defesa em chute de Pogba e, pouco antes do intervalo, Eric Dier carimbou a trave.

O segundo tempo voltou com o Tottenham um pouco mais no controle da bola. E o Manchester United, em uma tarde muito organizada de seu sistema defensivo, parecia no controle do jogo. O time de José Mourinho seria mais efetivo nas chegadas ao ataque e, aos 17 minutos, Ander Herrera decretou a virada. Em jogada que começou com Alexis brigando na entrada da área, Lukaku escorou e o espanhol chegou batendo, em bola rasteira na qual Vorm poderia ter feito melhor.

Esperava-se mais iniciativa do Tottenham, e Pochettino até tentou dar novo gás ao ataque com Lucas Moura no lugar de Ben Davies. Ainda assim, o United era bem mais contundente quando saía ao ataque. Paul Pogba, em especial, fazia grande partida, especialmente por suas aparições na ligação. Teve duas ótimas chances de ampliar, primeiro em chute para fora e depois em bomba defendida por Vorm. E as alterações de José Mourinho foram bem feitas, mantendo a ofensividade do time com as entradas de Matteo Darmian e Marcus Rashford.

Apesar do esboço de pressão do Tottenham no fim, foi um segundo tempo soberano do Manchester United. Os Spurs insistiram demais nas bolas alçadas na área, o que não teve muito efeito, diante da segurança assegurada pelos Red Devils pelo alto. Inclusive, os mancunianos poderiam ter matado o jogo nos acréscimos. Rashford partiu em velocidade e invadiu a área, mas Eric Dier, o último homem na marcação, executou um desarme perfeito. Nada que atrapalhasse a festa dos vermelhos. Fica a frustração aos londrinos, que esperavam que a FA Cup pudesse ser o título a referendar o bom momento sob as ordens de Pochettino. Já são 27 anos sem disputar a decisão do torneio.

Esta será a 20ª aparição do Manchester United na final da Copa da Inglaterra, igualando o recorde do Arsenal. Além disso, os Red Devils também podem empatar com os Gunners como maiores campeões da competição centenária. Para chegar à 13ª taça, a primeira desde 2016, aguardam Chelsea ou Southampton na decisão. Chance de conquista em uma temporada abaixo do que se cobrava, mas que pode vir como um bem-vindo sinal para a sequência do clube e do trabalho de José Mourinho em Old Trafford. Há pontos positivos a se tirar da boa exibição contra os Spurs.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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