‘Tirou muita pressão’: Ex-Chelsea relembra palestra inusitada de Tuchel antes da final da Champions
Bastidor revela como gesto improvável do treinador alemão ajudou a descontrair o elenco antes da decisão contra o City
A lembrança de Ben Chilwell sobre a final da Champions League 2020/21 tem menos a ver com tática e mais com superstição — e com a capacidade de Thomas Tuchel de transformar tensão em riso.
Em entrevista ao diário francês “L’Équipe”, o lateral recordou a palestra pré-jogo do treinador alemão antes da decisão no Estádio do Dragão, onde o Chelsea superou o Manchester City por 1 a 0 e conquistou a Europa pela segunda vez em sua história.
Hoje no Strasbourg, o inglês de 29 anos voltou no tempo para descrever o momento em que Tuchel, em vez de abordar planos de marcação ou movimentos ofensivos, passou a falar de… sapatilhas. A história surpreendeu o elenco e quebrou o clima pesado típico de uma final continental.
— Ele fez todo um discurso sobre as suas sapatilhas. Foi bastante surpreendente. Disse que usava aquele modelo apenas para as finais e que tinha mudado de cor em relação ao ano anterior, quando perdeu (o título da Champions) com o PSG (diante do Bayern).
A sólida campanha do Chelsea e a intensidade de Tuchel

O episódio ilustra o estilo de Tuchel, conhecido por um comportamento intenso e espontâneo à beira do campo — gestos largos, corridas na área técnica e reações quase teatrais que expõem muitas vezes o “parafuso a menos” apontado por jogadores e torcedores.
Em 2021, a energia do alemão coincidiu com uma campanha quase impecável do Chelsea: apenas um único revés em toda a competição e uma sequência defensiva dominante no mata-mata, com eliminações de Atlético de Madrid, Porto e Real Madrid até a final.
A palestra das sapatilhas, segundo Chilwell, teve o efeito exato que o treinador pretendia: aliviar a pressão antes do maior jogo da temporada.
— Foi engraçado e tirou muita pressão da gente naquele momento
O desfecho, com Kai Havertz decidindo e a taça erguida em Portugal, selou a história que ficaria marcada no grupo: “Depois do título, bebemos cervejas e champanhe pelos sapatos dele”, brincou Chilwell.
Naquela noite no Porto, a excentricidade de Tuchel encontrou o contexto perfeito: um grupo jovem, tensionado pela magnitude da ocasião, que precisava mais de leveza do que de mais instruções. O resultado foi uma final controlada taticamente — e lembrada, anos depois, por um detalhe tão improvável quanto decisivo para o estado emocional do time.
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Por onde Tuchel rodou após a glória máxima com o Chelsea?
Após a conquista europeia, a passagem de Thomas Tuchel pelo Chelsea perdeu estabilidade em meio à mudança de comando do clube e a um início de temporada irregular em 2022/23. O alemão acabou demitido em setembro de 2022, poucos meses depois da venda da instituição e já com sinais de desgaste na relação interna.
Ainda assim, deixou Londres com um legado robusto: além da Champions, somou Supercopa da Uefa e Mundial de Clubes, consolidando a imagem de técnico capaz de impacto imediato em contextos de alta pressão.
Sem demora, Tuchel regressou ao topo ao assumir o Bayern de Munique em março de 2023, substituindo Julian Nagelsmann. O ciclo na Baviera, porém, foi irregular: conquistou a Bundesliga logo na primeira temporada, mas conviveu com oscilações e críticas ao desempenho coletivo antes do esperado.
A passagem reforçou o retrato que o acompanha desde a Inglaterra — um treinador de ideias sofisticadas e personalidade intensa, capaz de picos competitivos elevados, mas também sujeito a ambientes turbulentos quando o rendimento não sustenta a exigência dos gigantes que dirige.
Tuchel está à frente da seleção inglesa desde outubro de 2024 e comandará o país na Copa do Mundo desse ano, que será realizada nos EUA, México e Canadá.



