Inglaterra

‘Ele é um dos melhores jogadores que já vi com bola nos pés. Classe mundial’

Chiesa rasga elogios ao alemão e vê companheiro de Liverpool triunfando no clube

A chegada de Florian Wirtz ao Liverpool movimentou expectativas e simbolizou uma tentativa do clube de renovar o meio-campo com um jogador capaz de agregar controle, inteligência e criatividade em zonas de difícil tomada de decisão. Foram 116 milhões de libras (cerca de R$ 870 milhões na cotação da época) investidos, que o transformaram na segunda contratação mais cara da história dos Reds.

A trajetória recente do alemão no Bayer Leverkusen o projetou como uma das grandes promessas do futebol europeu — alguém que sabe ditar ritmo, acelerar ou pausar jogadas com naturalidade e oferecer soluções onde o jogo parece travado. No entanto, o impacto imediato que parte da torcida do Liverpool imaginava ainda não apareceu de forma consistente na atual temporada.

Fato que Federico Chiesa enxerga como normal. Para o atacante italiano, o processo de adaptação é inevitável, especialmente para jogadores que chegam de uma liga menos acelerada e são inseridos em um contexto onde intensidade, pressão e velocidade de decisão se sobressaem. Segundo o camisa 14 dos Reds, o talento de Wirtz é evidente, e o que está acontecendo não passa de um estágio natural de transição entre estilos de jogo.

— Eu diria que tecnicamente, ele é um dos melhores jogadores que já vi com bola nos pés — disse Chiesa em entrevista a “Sky Sports”.

— A maneira como ele controla a bola, como ele toca na bola, é simplesmente de classe mundial. Então, é claro que ele tem tudo para ser um sucesso no Liverpool. Não há nada que o impeça. Claro que ele veio de outra liga, e enquanto Hugo Ekitiké se adaptou rapidamente, Wirtz pediu tempo — concluiu.

Por que Wirtz ainda não engrenou no Liverpool?

Wirtz durante jogo do Liverpool
Wirtz durante jogo do Liverpool (Foto: Imago)

O ponto central passa pela adaptação ao modelo de jogo. No Leverkusen, Wirtz atuava como um articulador com grande liberdade para buscar o jogo entre linhas, sempre encontrando o time organizado ao seu redor e com rotações bem definidas de apoio.

Já no Liverpool, essas dinâmicas ainda estão em construção — a equipe está em transição entre gerações e identidades, tentando equilibrar intensidade com maior capacidade criativa. Esse cenário exige que o alemão aprenda a se movimentar em novos “mapas de jogo”, interpretando o momento certo de acelerar, recuar ou se posicionar no corredor interno.

Além disso, há o fator Premier League: uma liga que pressiona, encurta espaços e obriga decisões rápidas. Wirtz é um jogador de toque delicado e leitura refinada, mas está se acostumando a um ritmo onde milésimos fazem diferença. Esse processo não é um sinal de falha, e sim parte natural do desenvolvimento.

Dentro desse contexto, o próprio pai do jogador, Hans Wirtz, pede paciência e considera o momento parte de um caminho previsto pela família e pelo estafe. Na sua visão, Florian não foi contratado para ser um impacto imediato, mas para construir protagonismo gradualmente, acompanhando a evolução coletiva do time e a adaptação ao futebol inglês.

— Acreditamos que Florian irá justificar o investimento. Desde o início que pensei que devíamos esperar pelos primeiros dez jogos do campeonato. Tanto nós como Florian conseguimos lidar bem com a situação.

— Wirtz integrou-se bem na equipe. Foi um desafio interessante para ele chegar a uma equipe já consolidada, que, além dele, teve outras contratações de grande qualidade. Tudo isso foi estimulante para ele.

Desde que chegou ao Liverpool, o camisa 7 disputou 15 jogos, sendo 11 como titular. Ele ainda não balançou as redes, mas já concedeu três assistências.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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