‘Gostei dessa função’: Cherki se reinventa com Zidane e vira dilema para Manchester City
Na seleção francesa, meia desbloqueia nova fase em jogos da Liga das Nações e se mostrou satisfeito
Rayan Cherki foi um destaque nesta Data Fifa pela seleção francesa para além de seus lances mágicos e participações em gols. É verdade que o meia continuou decisivo, autor de um gol na goleada sobre a Bélgica e de duas assistências, decisivas para confirmar outra vitória sobre os belgas e o empate com a Itália. Mas seu brilho foi mais do que isso.
Em seus primeiros jogos pela França, o técnico Zinédine Zidane implementou uma nova formação, um 4-3-3, levemente distinto do 4-2-3-1 que usava seu antecessor, Didier Deschamps. A mudança é óbvia: o camisa 10 agora recua e se alinha ao segundo volante, tendo um primeiro homem mais fixo em um trio.
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É aí que Cherki se transformou e mostrou uma versão muito superior à vista na Copa do Mundo de 2026, quando foi reserva e criticado pela pouca dedicação quando entrava nos jogos.
Como o craque do Manchester City não iria ser ponta ou falso nove, Zidane o recuou para uma posição de meio-campo. E o jogador gostou de estar por lá. “Falam dos meus dribles, mas hoje estou desempenhando uma função que me obriga a fazer partidas completas, consistentes, e os verdadeiros conhecedores de futebol entendem isso”, assumiu à emissora “TF1” após a vitória sobre a Bélgica.
É uma função definitivamente diferente do que ele tem feito na Inglaterra, o que levanta a questão: Enzo Maresca vai tentar aproveitar essa versão dele?
— Durante esta Data Fifa, aprendi a jogar em uma nova posição. É um estilo de jogo diferente: não posso perder a bola. Gosto dessa posição e vocês vão ver, com o passar do tempo, que vou assumir ainda mais responsabilidades — completou.
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Por que Cherki de Zidane não deve aparecer no City de Maresca
A diferença do Cherki da França para o City chamou atenção. Nessa posição, além de tocar muito mais na bola por participar da construção ofensiva — teve 88 ações com bola na vitória sobre a Turquia, 25 a mais do que sua média na atual Premier League –, precisa ser mais dedicado sem a bola, justamente uma das maiores deficiências de seu jogo.
Não é que o jogador de 23 anos tenha passado, magicamente, a ser 100% agressivo no momento defensivo. Mas ele conseguiu ter momentos de maior concentração, por exemplo, contra a Itália, com cinco recuperações de bola e dois desarmes, números que ainda não teve em um jogo pelo City nesta temporada.
— Sabemos o que Cherki consegue fazer com a bola, e também sem ela, e nessa posição ele também pode defender. Cumpriu seu papel de forma excelente e participou tanto do trabalho defensivo quanto do ofensivo — celebrou Zidane após a estreia contra a Turquia.
Esse cenário, porém, tem muitos desafios para ser replicado na Inglaterra. Primeiro pelo aspecto defensivo. O meia francês, no espaço de 10 dias, teve apenas dois jogos como titular — nos outros dois, saiu do banco — no futebol de seleções, que se reúnem quatro vezes por ano e é bem menos intenso que a realidade dos clubes, trabalhados no dia a dia.
Com isso, conseguiu ter mais físico para ser mais dedicado sem a bola. Por clube, com calendário de três partidas a cada semana, é mais improvável que mantenha a mesma concentração sem bola e também com a posse. Por recuar muito no campo, tem a obrigação de estar sempre atento, porque qualquer perda da bola pode ser fatal.
Foi perfeito nesse quesito pela França: escapou das pressões com giros na marcação, conduziu a bola quando tinha espaço e esbanjou habilidade com passes que só ele acha. No clube, pela capacidade física dos adversários do futebol inglês, é mais complexo.
Ainda há uma grande concorrência na posição e uma diferença em como Enzo Maresca monta seus times, mais próximos de um 4-2-3-1. Elliot Anderson tem sido o primeiro volante ao lado de Enzo Fernández, dois reforços que ultrapassam os 200 milhões de euros. Ainda há Mateo Kovacic, Ayyoub Bouaddi e até o zagueiro Marc Guéhi improvisado como jogadores para o meio-campo.
No City, Cherki é camisa 10: fica mais próximo do gol, logo atrás de Erling Haaland, e tem brilhado. São três gols e uma assistência na Premier League, decisivos para que o time vencesse Bournemouth, Crystal Palace e Sunderland. Ou seja, Maresca, se recuá-lo, poderia ter outro problema de perder um pouco da capacidade ofensiva, que na França foi compensada por Kylian Mbappé, Michael Olise e outros.
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A tendência é ele continuar como meia avançado na Inglaterra. Quando se juntar novamente à França na Data Fifa de novembro, será possível ver novamente a versão meio-campista de Cherki. O City volta a campo neste domingo (11), quando visita o rival Liverpool.