Chelsea: Por que jogo contra o Wolverhampton é mais importante do que parece
Ainda inconstante na Premier League, time londrino recebe Wolves neste sábado (8), em Stamford Bridge
O Chelsea se acostumou, neste começo de temporada, a apresentar duas versões distintas dentro da Premier League. Contra adversários de grande porte, o time se mostra competitivo, concentrado e capaz de decisões fortes: venceu Liverpool e Tottenham jogando em alto nível, controlando fases do jogo e sendo eficiente nas áreas.
Porém, quando o cenário muda e o adversário é uma equipe considerada inferior e/ou de meio de tabela, o desempenho cai drasticamente. Em casa, os Blues perderam para Brighton e Sunderland — ambas derrotas em que o time saiu na frente e permitiu a virada.
O padrão preocupa os torcedores. Não é somente questão de resultado, mas de postura. A equipe de Enzo Maresca, por vezes, entra em campo com menor sensação de urgência. O ritmo é mais lento, a marcação mais frouxa e a tomada de decisão menos agressiva. Quando o oponente responde, o Chelsea demora a reencontrar o controle emocional do jogo.
E diante de um Wolverhampton que vive seu pior momento na temporada — lanterna da Premier League e sem técnico após a demissão de Vítor Pereira —, esse tipo de desatenção pode custar ainda mais caro.
Não porque o adversário imponha grande dificuldade técnica, mas justamente porque carregará um peso psicológico diferente: é o tipo de jogo que os Blues tem a obrigação de controlar. Qualquer tropeço reacende dúvidas internas, pressiona o ambiente e desmonta a narrativa de evolução que o time vinha tentando construir.
Ataque do Chelsea tem respondido bem, já a defesa…

Se há um setor no Chelsea que tem dado respostas positivas, esse setor é o ataque. E isso mesmo sem Cole Palmer, principal referência técnica da equipe — que se recupera de lesão.
Estêvão segue em ascensão, capacidade técnica elevadíssima e leitura de espaços madura para a idade. Pedro Neto se firmou rapidamente como peça de profundidade, acelerando transições e quebrando linhas com conduções. Já João Pedro, ainda que venha deixando a desejar no quesito gols, tem sido o elo entre construção e finalização, oferecendo apoio, mobilidade e presença na área.
Do meio para frente, os Blues conseguem criar, movimentar e gerar volume. O problema começa alguns metros atrás. A defesa tem se mostrado vulnerável, principalmente na saída de bola e no posicionamento sem a posse.
Os zagueiros ficam expostos e o time dá espaço para o adversário pensar e atacar as costas da linha defensiva. Em vários jogos recentes, o rival precisou de poucas chegadas para encontrar o gol — sinal claro de falha estrutural.

Tal problemática pode ser parcialmente explicada com a lesão de Levi Colwill. Titular do Chelsea em 2024/25, o defensor de 22 anos sofreu um rompimento do ligamento cruzado anterior durante a pré-temporada e provavelmente perderá toda a temporada 2025/26.
Maresca chegou a solicitar publicamente a contratação de um zagueiro central para recompor o elenco e manter a ideia de jogo baseada em construção curta e controle territorial. O pedido, porém, não foi atendido pela direção — ao menos até o momento. Hoje, o treinador se vê precisando adaptar princípios e rotacionar jogadores fora de posição para preencher a defesa — e isso se reflete diretamente na instabilidade.
— Estamos tentando encontrar uma solução internamente, mas o clube sabe exatamente o que penso e veremos o que acontece. Sem Colwill, só Tosin pode fazer o papel central na construção. Hato nunca atuou assim e Fofana e Badiashile têm problemas físicos. O clube sabe exatamente o que penso sobre zagueiros — disse Maresca em agosto.
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Os ‘pecados’ do Chelsea na temporada 2025/26

Outro fator que amplia a pressão sobre o Chelsea é o desempenho recente em Stamford Bridge.
O que historicamente foi um estádio difícil para qualquer visitante, hoje já não inspira o mesmo respeito. Os inícios lentos — com o time demorando a impor seu ritmo — têm permitido que adversários se sintam confortáveis, subam suas linhas e disputem o jogo de igual para igual. Brighton e Sunderland não só perceberam isso, como exploraram com maturidade.
A isso se soma um problema disciplinar que se tornou recorrente. Já são cinco expulsões na temporada, número que evidencia descontrole emocional e falta de capacidade de gerenciar momentos adversos. Quando o jogo exige calma, os Blues aceleram; quando exige força, recua. Existe um descompasso entre leitura e execução que Maresca ainda não conseguiu corrigir.
O cenário físico também pesa. As lesões acumuladas deixam o time menos profundo e mais previsível. Palmer e Colwill são ausências que mudam não apenas o nível técnico, mas a estrutura do time: um é responsável por acelerar e decidir no terço final; o outro dá início à construção e equilibra a linha defensiva. Sem eles, algumas peças são obrigadas a assumir funções que não dominam plenamente, e a dupla de zaga — frequentemente remendada — perde referência e estabilidade.
O resultado é um Chelsea que ainda pode ser brilhante em momentos isolados, mas que luta para controlar jogos do início ao fim.
O duelo contra o Wolverhampton, neste sábado (8), é menos sobre o adversário e mais sobre identidade: ou o Chelsea mostra que aprendeu com os erros recentes, ou confirma que ainda é um time que oscila ao sabor das circunstâncias. É um jogo que não decide a temporada — mas certamente dirá muito sobre para onde ela está indo.



