Inglaterra

Chelsea retira pedido por portões fechados em jogo contra o Middlesbrough, após troca de farpas com o governo

Uma fonte do governo criticou a insistência do Chelsea para voltar a vender ingressos, e Thomas Tuchel disse que o Parlamento talvez precise reorganizar as suas prioridades

*Atualizada às 15h23

Segundo uma nota da Federação Inglesa publicada pelo Middlesbrough, o Chelsea retirou o pedido por portões fechados para sua partida de quartas de final no próximo sábado no Riverside Stadium, e as discussões continuam para que os torcedores do campeão europeu possam ir aos jogos – e para que os visitantes tenham como entrar em Stamford Bridge.

O governo britânico considerou Abramovich um aliado de Vladimir Putin que teria cedido aço para o exército russo produzir tanques utilizados na invasão à Ucrânia. Entre as sanções que o bilionário recebeu semana passada, estão restrições às operações do Chelsea, incluindo venda de ingressos, para impedir que ele continue fazendo dinheiro com o clube, que recebeu uma licença especial do poder público para cumprir o restante da temporada, com limites de gastos em viagem e segurança.

Embora o próprio Chelsea em comunicado tenha confirmado que ingressos foram vendidos para o jogo fora de casa contra o Boro antes das sanções serem aplicadas – entre 500 e 600 de acordo com um jornalista do The Times -, o clube lamentou não ter conseguido uma emenda à licença especial emitida pelo Governo para vender todos os que tinha direito para essa partida, e portanto acredita que o jogo deveria ser disputado sem torcedores.

“É importante para a competição que o jogo contra o Middlesbrough siga em frente. No entanto, é com extrema relutância que estamos pedindo que a direção da Federação Inglesa determine que o jogo seja disputado com portões fechados por integridade esportiva”, afirmou os Blues.

“O Chelsea reconhece que um resultado como esse teria um imenso impacto ao Middllesbrough e seus torcedores, assim como a nossos próprios torcedores que já compraram uma quantidade limitada de ingressos vendidos antes da licença ser imposta, mas acreditamos que é a maneira mais justa de proceder dentro das atuais circunstâncias”, acrescentou.

Em resposta, uma fonte sênior do governo britânico subiu o tom ao jornalista Alex Wickham, do site Politico: “Estamos trabalhando sem parar para permitir que o Chelsea continue suas operações como clube, em benefício dos torcedores. O comunicado ameaçando o Middlesbrough e o resto da liga mostra que eles não parecem entender a seriedade da situação em que estão, com um dono que foi sancionado por causa de suas relações com uma pessoa responsável por atos terríveis na Ucrânia”.

“Não somos contra o Chelsea ter torcedores nos jogos no longo prazo, mas não permitiremos que dinheiro da venda de ingressos chegue a uma entidade sancionada. O Chelsea deveria passar menos tempo se preocupando com alguns milhares de torcedores a menos em um jogo e focar em transferir o clube às mãos de alguém que não é relacionado a um belicista”, completou a fonte.

O Chelsea Supporter’s Trust (CST) pediu que o clube reconsidere o seu pedido para que o jogo seja disputado sem torcedores. “O CST deixou claro ao Governo e ao seu Ministro dos Esportes, Nigel Huddleston, que torcedores precisam poder assistir ao seu time. Pedimos que o Governo faça uma emenda à licença para permitir que torcedores comprem ingressos. Jogar com portões fechados não beneficia os torcedores. O CST pediu ao Chelsea que retire o seu pedido para que o jogo contra o Middlesbrough seja disputado com portões fechados”, disse, em comunicado.

O Middlesbrough havia ficado irado com o pedido do Chelsea, com um comunicado em que dizia que “dadas as razões por trás das sanções, o Chelsea evocar ‘integridade esportiva’ como motivo para o jogo ser disputado com portões fechados é irônico ao extremo”. “Todos os envolvidos estão muito cientes dos motivos pelos quais o Chelsea foi sancionado e isso não tem nada a ver com o Middlesbrough. Sugerir que, por isso, o Middlesbrough e seus torcedores deveriam ser penalizados, não é apenas grosseiramente injusto, mas sem nenhum fundamento”, disse o comunicado.

O presidente do Middlesbrough, em entrevista ao The Times, mediu menos as palavras e classificou a atitude do Chelsea como patética: “Não faz sentido o Chelsea querer fazer isso. Eles têm um time que vale £ 1 bilhão, e o Middlesbrough tem um time que vale um pacote de balas em comparação, então a integridade esportiva pode ser equilibrada aí. Você não precisa dos seus torcedores no estádio para que os seus jogadores renomados vençam o Middlesbrough. É uma resposta mal formada, mal educada, grosseira e pouco edificante do Chelsea, e vai ao cerne do motivo pelo qual as pessoas se incomodam”.

Algumas horas depois, o Middlesbrough publicou um comunicado da Federação Inglesa dizendo que o pedido havia sido retirado. “Após conversas construtivas entre a Federação Inglesa e o Chelsea, o clube concordou em retirar seu pedido para que as quartas de final da Copa da Inglaterra contra o Middlesbrough seja disputado com portões fechados”, disse.

“A Federação permanece em discussões com o Chelsea, a Premier League e o Governo para encontrar uma solução que permitirá que os torcedores compareçam aos jogos e que os torcedores visitantes entrem em Stamford Bridge, enquanto as sanções são respeitadas”, acrescentou.

Prioridades do Parlamento

Enquanto isso, o técnico Thomas Tuchel rebateu a declaração de um porta-voz de Boris Johnson pedindo que torcedores do clube parem de gritar o nome de Abramovich.

Na última segunda-feira, um porta-voz do primeiro ministro Boris Johnson condenou o “comportamento completamente inadequado neste momento” de torcedores do Chelsea que gritaram o nome de Abramovich na vitória sobre o Newcastle em Stamford Bridge no fim de semana, e Thomas Tuchel acredita que as prioridades do governo britânico estão um pouco confusas.

“Eu acabei de ouvir isso alguns minutos atrás”, disse Tuchel, em sua entrevista coletiva antes de enfrentar o Lille pela Champions League na próxima quarta-feira. “Eu não sei se, em tempos como este, é a coisa mais importante para ser discutida no Parlamento. Não sei se gritos de torcida sendo discutidos no Parlamento significa que temos que nos preocupar com as prioridades do Governo. Ok… ouça, não precisa de comentários meus. Temos coisas muito mais urgentes para discutir”.

Tuchel afirmou que o jogo contra o Lille fora de casa já estava mais ou menos organizado e não foi tão afetado pelas sanções, com “tudo no lugar para que possamos viajar de uma maneira profissional”. “Pelo que sei, temos uma estrutura para ir a Lille e jogar contra o Lille sem nenhuma desculpa em relação a isso. Já será um pouco mais difícil organizar as coisas da melhor maneira possível na FA Cup”, disse. “Enquanto tivermos camisetas, enquanto estivermos ‘vivos’, enquanto nós como time chegarmos com nossos jogadores, nós seremos competitivos e lutaremos pelo nosso sucesso porque devemos isso ao público que nos apoia de uma maneira muito invisível”.

O Chelsea está em processo de venda que encerrará a administração de Roman Abramovich, que começou em 2003. Para concretizar o negócio, o clube precisará de mais uma licença especial do governo. O porta-voz de Johnson afirmou que eles estão “abertos à venda”, mas que nenhum pedido por essa licença havia sido feito.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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