Chelsea provou ser melhor time que o United, mas foi castigado com gol no fim
A tabela mostrava claramente a diferença entre Chelsea e Manchester United. Dez pontos separavam os rivais antes do início do clássico deste domingo, em Old Trafford, e o desempenho das duas equipes em campo serviu apenas para ratificar que Louis van Gaal ainda tem muito trabalho pela frente, e José Mourinho está no caminho certo para levar o seu clube ao título. A superioridade azul foi clara, principalmente no segundo tempo, e terminaria com vitória até os últimos segundos, mas o castigo para a desatenção veio pelos pés de Robin Van Persie. No fim, tudo igual: 1 a 1.
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A partida foi bastante equilibrada na primeira etapa, mas a marcação do United conseguiu anular os meias talentosos do Chelsea, menos Hazard, talvez na melhor temporada da sua carreira, constantemente um perigo pelas pontas, aparentemente uma marcha à frente de todos os outros jogadores e inspirado para acertar os dribles que tenta. Mas sem Diego Costa, machucado, os homens de Mourinho parecem mais inofensivos. Com isso, as principais chances da etapa foram criadas pelo anfitrião.
Com mais posse de bola, o United poderia ter aberto o placar em ao menos três oportunidades. A principal delas foi em um passe em profundidade de Januzaj, o melhor Red Devil em campo, para Robin Van Persie, que parou em ótima defesa de Courtois. O holandês teve outra oportunidade em uma cabeçada e assistiu a Di María desperdiçar um toque de primeira brilhante de Mata, por cima da trave. Parecia questão de tempo até que os donos da casa abrissem o placar, o que seria uma vitória importante para o projeto de Louis van Gaal que, nove rodadas depois do início do Campeonato Inglês, sem Champions League ou Copa da Liga para atrapalhar, ainda não conseguiu consolidar o seu time e ainda tinha os desfalques de Falcao García e Wayne Rooney.
Qualquer coisa que Mourinho tenha dito no intervalo funcionou. O Chelsea voltou melhor do intervalo e foi liderado por um homem que a torcida conhece tão bem quanto o técnico português. As pernas não são mais tão potentes, o fôlego está longe do ideal, mas Didier Drogba, independente da idade e do passar do tempo, manteve no DNA a sua característica mais marcante: o poder de decisão. Primeiro, tabelou com Hazard e deixou o belga cara a cara com De Gea, que espalmou para escanteio.
Na cobrança pareceu um gigante em terra de anões porque o homem destacado para marcá-lo era o brasileiro Rafael, que mede pouco mais de 1,70 metros. O cabeceio foi um tiro e vazou o goleiro De Gea, que havia acabado de fazer uma defesa exuberante em tentativa de Hazard (depois de lindo passe de Drogba). Curiosamente, bastante semelhante ao que marcou contra o Bayern de Munique, na decisão da Champions League.
O Manchester United sentiu o baque e passou vários minutos em torpor. O Chelsea acertou a marcação e controlou a partida, aguardando apenas o ponteiro chegar aos 45 minutos. O time de Van Gaal tem talentos excepcionais em várias posições, mas ainda depende demais dos espasmos de qualidade deles. Sem a coletividade, não consegue sistematizar a pressão e ser uma ameaça constante ao longo de todo o duelo. Parecia entregue a mais uma derrota no campeonato.
Mas o castigo veio, em uma cobrança de falta que Fellaini cabeceou para defesa brilhante de Courtois, mas Van Persie estava muito ligado para pegar o rebote e estufar a rede. Talvez tenha sido um pouco cruel demais para o Chelsea, que foi o melhor em campo, mas segue na liderança do Campeonato Inglês e caminha para conquistá-lo. Do outro lado, o Manchester United precisa saber que arrancou o empate puramente no coração e na insistência e que ainda está distante de ser um time que briga pelo título da Premier League.
Destaque do jogo
O jogador mais decisivo foi Didier Drogba, com o gol da vitória, mas o melhor em campo chama-se Eden Hazard, uma irritante (para os adversários) formiga que se movimenta o campo inteiro, dribla todo mundo e muito difícil de ser alcançado. Foi muito bem, embora tenha perdido uma chance cara a cara com De Gea.
Momento-chave
A partida poderia ter sido diferente se o Manchester United tivesse convertido ao menos uma das três boas chances que criou durante o primeiro tempo. A mais clara delas foi em um passe de Januzaj para Van Persie. O holandês ficou cara a cara com Courtois e chutou em cima do goleiro.
O gol
8’/2T – GOL DO CHELSEA! Hazard tabela com Drogba e fica cara a cara com De Gea, mas erra o chute. No escanteio, Drogba sobe muito alto e cabeceia um míssil indefensável para o jovem goleiro espanhol.
49’/2T – GOL DO MANCHESTER UNITED! Novamente, de bola parada. Fellaini cabeceou para boa defesa de Courtois, mas Van Persie estava ligado para pegar o rebote e conferir.
Curiosidade
O gol de Drogba foi o milésimo em campeonatos nacionais de uma equipe treinada por José Mourinho, ex-técnico de Benfica, União de Leiria, Porto, Chelsea, Internazionale e Real Madrid.
Ficha técnica
MANCHESTER UNITED 1 X 1 CHELSEA
Local: Estádio Old Trafford, em Manchester (ING)
Árbitro: Phil Dowd
Gols: Drogba (8’/2T); Van Persie (49’/2T)
Cartões amarelos: Rafael, Fellaini e Van Persie (Manchester United); Ivanovic, Fàbregas, Oscar, Hazard, Matic e Drogba (Chelsea)
Cartões vermelhos: Ivanovic
Manchester United
David de Gea; Rafael, Chris Smalling, Marco Rojo e Luke Shaw; Daley Blind, Marouane Fellaini, Ángel Di María, Adnan Januzaj e Juan Mata (James Wilson, aos 22’/2T); Robin Van Persie. Técnico: Louis van Gaal.
Chelsea
Thibaut Courtois; Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Filipe Luis; Nemanja Matic, Cesc Fàbregas, Oscar (John Obi Mikel, aos 22’/2T), Eden Hazard (André Schürrle, aos 45’/2T) e Willian (Kurt Zouma, aos 48’/2T); Didier Drogba. Técnico: José Mourinho
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