Quem vai mandar no Chelsea? Negociação bilionária pode mudar o poder nos bastidores do clube
Empresários Todd Boehly e Mark Walter negociam vender suas participações ao grupo que já é acionista majoritário dos Blues
Todd Boehly e Mark Walter estão em negociações para vender suas participações no Chelsea à Clearlake Capital, atual acionista majoritária do clube. Segundo o “Financial Times”, os dois empresários, que possuem individualmente uma fatia de 12,8% dos Blues, já discutiram a possibilidade de deixar o quadro acionário em um acordo que poderia avaliar o clube em mais de 5 bilhões de libras (mais de 35 bilhões de reais). Ainda não há garantia de que as conversas resultarão em negócio.
A eventual operação pode representar uma mudança importante na estrutura de poder construída desde a compra do Chelsea pelo consórcio liderado por Boehly, Walter e Clearlake, em 2022. Na ocasião, o grupo assumiu o clube após Roman Abramovich ser obrigado a vendê-lo em meio às sanções impostas pelo governo britânico ao oligarca russo depois da invasão da Ucrânia.
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Embora a Clearlake detenha mais de 60% das ações, a governança do Chelsea foi estabelecida de maneira compartilhada entre os diferentes grupos de investidores. Boehly, além de acionista, ocupa a presidência do clube.
Desde a aquisição, porém, divergências sobre os rumos do projeto provocaram atritos entre os dois lados, especialmente em relação à estratégia esportiva e à condução dos investimentos. As negociações para uma eventual venda não são novas e ocorreram de forma intermitente ao longo dos últimos anos.
Chelsea: projeto bilionário acumulou críticas dentro e fora de campo
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A possível mudança no quadro acionário acontece em um momento delicado para o projeto esportivo conduzido por Clearlake e Boehly. Desde a chegada do grupo, o Chelsea adotou uma política agressiva no mercado, com investimentos elevados em jogadores jovens e contratos longos.
A ideia era formar um elenco com ativos de grande potencial de valorização, mas a estratégia também foi alvo de críticas justamente pela quantidade de atletas ainda em processo de desenvolvimento, pela falta de lideranças no grupo e pela dificuldade de transformar o investimento em regularidade na Premier League.
Os resultados domésticos ficaram aquém das expectativas. Na última temporada, o Chelsea terminou apenas na 10ª posição do Campeonato Inglês e ficou fora das competições europeias. A campanha também foi marcada por instabilidade no comando técnico, depois da saída de Enzo Maresca no início de janeiro.
O cenário contrasta com os títulos conquistados pelos Blues no mesmo período. Sob a administração do atual grupo de investidores, o time londrino venceu o Mundial de Clubes e a Conference League, mas não conseguiu estabelecer uma presença consistente entre os principais candidatos da Premier League. A combinação entre gastos elevados, plantel muito jovem e campanhas irregulares alimentou o debate sobre a direção do projeto.
Agora, a equipe tenta iniciar uma nova etapa sob o comando de Xabi Alonso. O espanhol, ex-técnico do Real Madrid e do Bayer Leverkusen, foi escolhido para assumir o Chelsea e chega com a missão de dar maior estabilidade a um elenco que passou por diversas reformulações nos últimos anos. A mudança também veio acompanhada de uma aparente alteração na política de contratações.
Além de continuar apostando em jogadores jovens, os Blues passaram a buscar nomes capazes de oferecer experiência imediata ao grupo. Jordan Henderson e Danny Welbeck são exemplos desse movimento, em uma tentativa de acrescentar liderança a um plantel que vinha sendo questionado justamente pela falta de referências com bagagem.
Negociações acontecem em meio à pressão sobre o império de Walter
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A movimentação de Mark Walter também ocorre em um momento particularmente relevante para seus negócios fora do futebol. O empresário está sob escrutínio de autoridades americanas por questões relacionadas às suas empresas do setor de seguros, enquanto seu conglomerado enfrenta questionamentos sobre operações envolvendo empréstimos entre partes relacionadas.
As seguradoras ligadas a Walter vêm buscando vender investimentos ou quitar esses empréstimos em meio à pressão regulatória. O empresário também acaba de protagonizar uma das maiores operações da história do esporte: Walter concordou com a venda do Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões para um grupo liderado por Bob Iger, ex-presidente da Disney, e pelo investidor Joshua Kushner.
A negociação reforçou o movimento de desinvestimento em ativos esportivos de alto valor que marca o momento atual de seu império empresarial.
No Chelsea, entretanto, uma eventual saída de Boehly e Walter teria consequências que ultrapassariam a simples mudança no registro acionário. A Clearlake já é a principal acionista, mas a estrutura atual permite que os diferentes grupos compartilhem o controle do clube.
A compra das participações dos dois empresários poderia concentrar ainda mais o poder nas mãos da empresa de investimentos e, ao mesmo tempo, reduzir uma fonte importante das disputas que acompanham o projeto desde a aquisição.
Por enquanto, porém, o negócio permanece em negociação. Chelsea e Clearlake não comentaram as conversas. Boehly e Walter também não responderam aos pedidos de manifestação da imprensa.