A final da Champions League entre Lyon e Wolfsburg teve um caráter simbólico do futebol feminino europeu: representava os dois clubes dos dois países que decidiram cedo investir na modalidade. Os resultados vieram e os clubes estão sempre entre os mais fortes do continente. Esta realidade, porém, pode mudar em breve. Os clubes ingleses têm investido mais no futebol feminino e se esforçado para levar algumas das melhores do mundo para lá. E a contratação de Pernille Harder pelo Chelsea, quebrando o recorde de transferências, é exemplo disso.

Segundo informação do Guardian, a atacante foi contratada por £ 300 mil, o que seria o recorde de transferências no futebol feminino. Aos 27 anos, a jogadora é uma das melhores do mundo e era a estrela da equipe do Wolfsburg que chegou à decisão da Champions League, além de ter conquistado o título de campeão alemão. Nascida em Ikast, começou a carreira pelo Team Viborg, em 2007, e depois foi para o Skovbakken em 2010. Em 2012, foi contratada pelo Linköpings, da , onde conquistou o seu primeiro título, a Copa da Suécia, em 2014 e 2015, além do título do em 2016.

Contratada pelo Wolfsburg em 2017, conquistou quatro títulos da Bundesliga, além de quatro Copas da Alemanha. Um domínio completo no país, mas bateu na trave nas duas vezes que chegou à decisão do título continental. Nas finais da Champions League em 2017/18 e em 2019/20, o Wolfsburg acabaria derrotado pelo Lyon, o grande papa-títulos do futebol feminino na Europa.

O Wolfsburg não estava muito disposto a liberar sua principal jogadora, mas a quantia envolvida foi decisiva. “Levando em conta o fato de estarmos lidando com um valor recorde para transferências para o futebol feminino, sem entrar na quantidade precisa envolvida, e que Pernille ficaria apenas mais 10 meses conosco e já tinha jogado a final da Champions League para nós, decidimos que esta era a solução mais justa para todos os envolvidos”, afirmou o diretor esportivo do Wolfsburg, Ralf Kellermann.

“Eu estou extremamente feliz e empolgada em começar, para finalmente estar aqui e ser jogadora do Chelsea. Eu não poderia estar mais feliz. Eu estou empolgada para jogar por um clube tão grande, para jogar com jogadoras tão incríveis e também por jogar na liga [Women’s Super League, a liga inglesa]. A liga inglesa é muito empolgante no momento e eu estou realmente ansiosa para isso’, afirmou Pernille Harder na sua primeira entrevista como jogadora do clube.

Em janeiro, o Chelsea já tinha levado uma das principais atacantes do mundo para o seu elenco quando contratou Sam Kerr. Nesta temporada, trouxe também Melanie Leupolz, do , além de Niamh Charles, do , e Jessie Fleming, jogadora da canadense, que estava no UCLA Bruins.

“Pernille é uma das melhores jogadoras do mundo. Eu histórico no Wolfsburg e no Linköping, bem como com a seleção da Dinamarca, mostra o quanto ela é importante para seus times. Ela é uma jogadora de time fantástica, que quer levar o jogo ao próximo nível. Ela escolheu o Chelsea como o clube que pode levá-la a esse nível. Ela pode jogar por qualquer time do mundo, mas ela nos escolheu. Ela escolheu as jogadoras, a comissão técnica, o ambiente, o estilo de jogo. Você não pode receber um elogio maior do que esse de uma das melhores jogadoras do mundo”, afirmou a técnica do Chelsea, .

O Chelsea é o atual campeão inglês na Women’s Super League, e venceu no último domingo a Community Shield, que é a . O rival vencido, o , também tem apostado em jogadoras estelares. Recentemente, os Citizens contrataram Rose Lavelle, estrela da seleção americana, que estava no OL Reign. Além dela, trouce também Sam Mewis, do North Carolina Courage, e Chloe Kelly, inglesa, que estava no Everton.

O futebol inglês caminha a passos largos para ser a principal liga de futebol feminino do planeta. A profissionalização, iniciada na temporada 2018/19, tem causado resultados. A liga inglesa atrai investimentos e já se discutiu passar o controle da liga feminina, que hoje é da Football Association (FA) para a Premier League.

O futebol feminino ainda é muito mais barato para investir do que o futebol masculino e, por isso, quem investe mais – e nem precisa ser tanto assim, como a transferência de Harder para o Chelsea mostra – terá vantagens grandes sobre a concorrência.