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Caso Adam Johnson liga alerta de conscientização na Associação de Jogadores Profissionais

A prisão de Adam Johnson por aliciar e ter relações sexuais com uma menina de 15 anos levantou uma série de debates no futebol inglês sobre os perigos de jogadores se relacionando com fãs através de contatos em redes sociais. Maior parte das discussões tem carregado um viés de alerta para os perigos que manter esse tipo de relação pode causar aos atletas, como foi o caso no comunicado da Associação de Jogadores Profissionais após a sentença determinada ao ex-jogador do Sunderland.

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A Associação de Jogadores Profissionais da Inglaterra (PFA, na sigla em inglês) emitiu uma nota lamentando o episódio, que não foi evitado mesmo com a série de programas de conscientização da associação sobre integridade pessoal.  “Como sindicato dos jogadores, estamos conscientes do papel e da responsabilidade de nossos membros e trabalhamos duro para garantir que eles recebam informação relevante e uma orientação importante em relação a padrões apropriados de conduta. Situações como essa, infelizmente, demonstram que isso é uma área essencial para o nosso foco e que há muito trabalho a ser feito”, dizia trecho do comunicado.

De fato, após a prisão de Adam Johnson, que poderá ficar até dez anos atrás das grades, ficou claro que os esforços feitos até agora podem não ser suficientes para evitar situações como a do ex-jogador da seleção inglesa, mas o que preocupa é o tom com que o assunto tem sido tratado. O Fulham, por exemplo, contratou um especialista em web para criar um perfil fake no Facebook, fingindo ser uma torcedora de 16 anos dos Cottagers, e mandar mensagens para alguns dos atletas mais jovens do elenco. O clube divulgou posteriormente que alguns dos jogadores responderam e logo ficaram em choque ao descobrir que tudo se tratava de um experimento, que visava alertá-los dos perigos de se engajar através das redes sociais com fãs possivelmente jovens.

A narrativa que o comunicado da PFA e o experimento do Fulham trazem ao falar em “alerta” e “perigo” aos jogadores é a do atleta que caiu na tentação e foi até mesmo enganado por uma admiradora, o que posteriormente resultou na ruína de sua carreira, como se o atleta famoso, maior de idade, fosse a vítima da história. Curiosamente, partiram de um técnico, e não de uma instituição, as primeiras palavras mais sensatas em relação ao assunto. Sam Allardyce, treinador do Sunderland e ex-comandante de Johnson, lamentou o ocorrido e se solidarizou com a vítima de fato do crime.

“Até onde sabíamos, a intenção dele (Johnson) era se declarar inocente de todas as acusações. É por isso que continuamos a deixá-lo treinar e jogar por nós. Agora que o julgamento foi feito, todos nos sentimos extremamente decepcionados com o que aconteceu, pelo o que o Adam fez e certamente sentimos muita simpatia pela vítima e sua família”, afirmou o técnico, em declaração publicada pela BBC.

Há, no entanto, controversas sobre o desconhecimento do clube sobre o acontecimento. De acordo com a emissora britânica, há evidências de que Margaret Byrne, diretora executiva do Sunderland, ouviu de Johnson e do advogado do atleta, em maio do ano passado, que o jogador havia, sim, beijado a garota. O clube inclusive teria visto a troca de mais de 800 mensagens entre os dois, além de transcrições dos depoimentos colhidos por policiais.

A demora do clube em se posicionar contra seu atleta, que até menos de dois meses atrás ainda treinava e jogava pelo Sunderland, e o modo como versões que dão mais enfoque ao “alerta” a jogadores do que à repreensão em si têm sido mais frequentes sugerem que, mesmo com um desfecho de justiça cumprida contra o infrator, houve muita vista grossa e passagem de mão na cabeça de Johnson. Do episódio, fica um exemplo a ser evitado, mas não pela falta de cuidado do atleta, e sim por sua provável sensação de que poderia se safar de qualquer coisa simplesmente pelo deslumbramento de ser um jogador profissional e uma figura pública.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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