Além de Bruno Fernandes como 10: Como Carrick devolveu consistência ao United
Técnico inglês venceu Manchester City e Arsenal, dois primeiros colocados da Premier League, em seus jogos iniciais nos Red Devils
“É um ótimo começo, não há como negar”. Foi assim que Michael Carrick definiu sua primeira partida como técnico principal do Manchester United, vitória por 2 a 0 sobre o rival City. Quem imaginaria que no jogo seguinte, frente ao líder da Premier League, o Arsenal, viria outro triunfo, dessa vez por 3 a 2, fora de casa.
— Esses são os melhores jogos para vencer no sentido de gerar sentimento e emoção — ganhar confiança e aquele impulso. Os jogadores foram fantásticos — elogiou o treinador inglês após bater os Gunners no último domingo (25).
São apenas 14 dias de trabalho do novo comandante, exatas duas semanas, e chama atenção como os Red Devils conseguiram devolver a esperança ao torcedor após mais de 13 meses de Rúben Amorim, marcado por empolgação no início e frustração com o decorrer da passagem.
A Trivela analisa neste artigo o rápido impacto de Carrick — que deve ser ponderado pelo pouco tempo — a partir de pequenos ajustes que o técnico anterior falhou em fazer, como fazer Bruno Fernandes voltar para sua posição ideal de camisa 10 mais próximo do ataque.
Decisivo!
— Trivela (@trivela) January 18, 2026
👍 Bruno Fernandes volta para função ideal e ilustra erro grande de Rúben Amorim no Unitedhttps://t.co/vYcAsUDtV0
Carrick abriu mão de esquema tático de Amorim e recolocou jogadores em suas posições
A era Amorim foi marcada pela utilização do esquema 3-4-3 em quase todo o período, mesmo que o elenco não tivesse as opções necessárias para essa formação.
Nessa estrutura, os laterais foram improvisados como zagueiros, atacantes como alas e, principalmente, Bruno Fernandes como segundo volante — o que foi corrigido ainda pelo interino Fletcher e mantido por Carrick.
O novo treinador abriu mão dos três zagueiros, optando por um 4-2-3-1 e diminuiu as improvisações. Maguire e Lisandro Martínez são os zagueiros, Shaw e Dalot os laterais, Casemiro e Kobbie Mainoo os volantes e o quarteto da frente tem Fernandes próximo de Mbeumo, o centroavante, Dorgu, único fora de posição, atua de atacante pela esquerda e Diallo pela direita.
Apenas esse encaixe já garantiu o melhor de alguns jogadores. Bruno, que já era importante, ficou mais perto do gol e com isso conseguiu ser mais decisivo. Dorgu, usado como ala por Rúben Amorim, teve sua veia ofensiva potencializada ao ser transformado em ponta.
Ele surgiu na área para marcar o segundo gol frente ao City e fez um golaço com uma bomba de fora da área contra o Arsenal. Ser um lateral de origem também garante ao jogador uma capacidade maior de recomposição. Talvez por isso que é titular no lugar de Matheus Cunha, herói da vitória sobre os Gunners saindo do banco.
— Dorgu tem sido um jogador muito importante para nós nos últimos jogos, de várias maneiras. Obviamente, ofensivamente ele marcou gols, mas em termos de ameaça, atletismo, qualidade chegando por dentro e conexões também. Defensivamente, ele foi imenso pelo lado, junto com o Luke [Shaw], fazendo a dobra contra duas equipes que exigem muito pelos lados — elogiou Carrick após o jogo com o líder da Premier League.

Mainoo é outra grande notícia. Mesmo sendo adorado pela torcida por ser uma cria da base, o jovem esteve praticamente esquecido por Amorim, que só o utilizou em 30 partidas das últimas duas Premier League, sendo apenas 12 titular — nenhuma nesta temporada.
O meio-campista quase foi negociado, ficou e agora mostra por que o técnico anterior estava errado. Como dupla de Casemiro, Mainoo traz bem mais dinâmica do que Ugarte (com características mais parecidas às do brasileiro) fazia e será útil por muito tempo em Old Trafford. Foi dele a assistência para o gol de Cunha.
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Taticamente, Carrick ‘faz o básico’
Além da formação, as mudanças táticas do United são pontuais pelo curto período do técnico novo no cargo. O time se portou muito mais compacto nesses jogos e apostou, como fez em alguns momentos com Amorim, nos contra-ataques. Assim que feriu o rival City, que poderia até ter sido goleado.
Os lançamentos para o ataque a partir do goleiro também viraram uma arma. Foram duas chances criadas assim na vitória sobre o Arsenal, com a segunda sendo concluída às redes em um belo gol de Matheus Cunha. Os vermelhos de Manchester, após meia hora sofrendo contra os líderes, foram bem em defender a própria área.
— Tenho que ser honesto… Não há tantas coisas especiais que Carrick tenha feito. É basicamente se ater ao básico. Futebol é o básico. Se você faz bem o básico, a nossa qualidade aparece. Taticamente, estamos bem posicionados. Defendemos bem juntos e como equipe. Se você luta como um time e continua acreditando, então pode vencer — assumiu o goleiro Lammens.

Se Rúben Amorim só venceu dois jogos seguidos da Premier League uma vez, em outubro do ano passado, Carrick faz isso logo de cara contra os dois primeiros colocados da liga. É verdade, porém, que o português costumava ir bem nos jogos grandes, pois frente a Liverpool, City e Arsenal, teve três vitórias, três empates e três derrotas.
O maior problema do treinador, que ficou de novembro de 2024 a janeiro de 2026, eram os jogos contra adversários menores. O United terá um desses na próxima rodada: o competitivo Fulham, no Old Trafford.
— Às vezes, esses são os jogos mais difíceis, aqueles que precisamos vencer. Sabemos que podemos jogar contra essas equipes melhores, então agora temos que fazer isso contra aquelas equipes que talvez sejam um pouco mais difíceis de enfrentar… [quando] jogamos contra times com blocos baixos. Se você quer ser um grande time, precisa vencer também esses times — reiterou Lammens.
Técnico do United mantém pés no chão
Carrick tem sido humilde. “Não posso levar nenhum crédito por esses dois gols!”, disse ao ser questionado se estava treinando chutes de fora da área com Dorgu e Matheus Cunha.
O fracasso do Manchester United em ser eliminado de tudo dá ao técnico a chance de ter semanas livres para treinar e apenas mais 15 jogos a disputar até o fim da temporada, quando a gestão do clube avaliará se ele continua no cargo.
Como tudo no gigante clube de Manchester, é preciso ter calma. Essa empolgação já aconteceu com outros técnicos desde a saída de Alex Ferguson há quase 15 anos. Carrick, um supercampeão no time como jogador, no entanto, dá bons sinais.
“É um foco claro”, disse o treinador inglês sobre as partidas restantes em 2025/26. “Tudo está à nossa frente. Nada vai mudar o passado. Mas é um bom começo. A gente só precisa continuar construindo”, completou.



