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Cantona mudou o United. Denis Irwin assina embaixo

Éric Cantona foi o maior ícone do Manchester United da década de 1990. A série de títulos ingleses que colocou o clube como o maior vencedor do Campeonato Inglês começou após a chegada do francês ao Old Trafford. Habilidoso, polêmico e, principalmente, decisivo, o “King Eric” chegou ao United e poucos meses depois estava tirando o time de uma longa fila. Foi a “peça que faltava ao quebra-cabeça” do United, segundo Denis Irwin, jogador dos Red Devils entre 1990 e 2002 e que esteve presente em São Paulo para uma conversa com jornalistas, após a exibição do troféu da Premier League para os fãs brasileiros. A importância de Cantona para o time de Manchester pode ser medida pelo fato de o francês ser o único jogador a não ter sofrido o famoso “tratamento do secador de cabelo” de Alex Ferguson.

O tratamento do secador de cabelo era um tipo de abordagem que o escocês usava para dar uma bronca nos jogadores que estivessem atuando abaixo do esperado. Ferguson se colocava cara a cara com o jogador, na frente de todos os outros, e começava a gritar. “Você acabava com o cabelo atrás de sua cabeça”, brincou uma vez o ex-atleta Mark Hughes. Irwin contou que, segundo o próprio Hughes, Cantona foi o único a escapar da famosa bronca do ex-treinador. “Mark Hughes disse que, no tempo dele, o Éric Cantona foi o único que não recebeu. Acho que todos os jogadores, em algum momento, receberam”, revelou o ex-lateral irlandês.

Cantona com a taça da FA Cup de 1996, vencida contra o Liverpool (AP Photo/Max Nash)
Cantona com a taça da FA Cup de 1996, vencida contra o Liverpool (AP Photo/Max Nash)

Denis Irwin esteve presente durante todo o período de consolidação do Manchester United como uma grande equipe, o que dá credibilidade aos seus comentários sobre esse sucesso. Pelo fato de o futebol inglês não ter a mesma veiculação no Brasil que tem hoje, muitas pessoas podem não ter ideia da verdadeira dimensão do francês naquela época. Antes de Cantona deixar o Leeds, em que havia sido o principal jogador da campanha do título inglês de 1992, para reforçar o rival de Old Trafford, o United passou 26 anos sem vencer a primeira divisão inglesa. Em sua temporada de estreia no time, no ano de criação da Premier League, o jejum foi desfeito. Para o irlandês, King Eric, quatro vezes campeão da Premier League e duas vezes da FA Cup, foi o catalisador de toda a transformação.

“Para vencer a liga, você precisa de consistência e de jogadores especiais, e quando ele (Cantona) chegou em novembro de 1992, ele foi, para mim, a peça final do quebra-cabeça. E quando o clube venceu pela primeira vez a Premier League, seis ou sete meses depois, acho que o clube ganhou confiança, porque fazia 26 anos desde que havíamos vencido pela última vez, e nunca mais olhamos para trás desde então. Sempre nos desenvolvemos depois disso, sempre melhoramos, e, para mim, foi uma parte muito importante na história do Manchester United. Após vencer a Premier League em 1993 vencemos mais 12, foi um momento essencial, e o Éric (Cantona) foi muito importante para isso.”

O protagonismo de Cantona na década de 1990 não foi o único assunto comentado por Irwin, que falou ainda sobre o momento de transição pelo qual passam os Red Devils, destacando que o caráter formador que o time ganhou com Alex Ferguson não será perdido agora que a equipe é comandada por David Moyes.

“Nós sempre tentamos desenvolver os jogadores jovens e tivemos muita sorte na metade da década de 1990, quando David Beckham, Nicky Butt, Paul Scholes, Ryan Giggs alguns anos antes, Phil Neville e Gary Neville surgiram dentro de um certo período. É muito difícil fazer isso, mas nós sempre produzimos jogadores jovens, e o David Moyes, no Everton, foi conhecido por isso também, com o Wayne Rooney, por exemplo. Então isso não mudará, o Manchester United sempre tentará desenvolver seus próprios jogadores”, afirmou.

Em sua primeira partida como titular na Premier League, Januzaj salvou o United com dois gols (AP Photo/Scott Heppell)
Em sua primeira partida como titular na Premier League, Januzaj salvou o United com dois gols (AP Photo/Scott Heppell)

Irwin reconheceu que que não é tão fácil encontrar talentos dentro da própria Inglaterra e que às vezes o clube tem de recorrer a jovens jogadores estrangeiros. “Está ficando mais difícil, algumas vezes você tem que sair e trazer jovens garotos, como fizemos com Rafael, (Rodrigo) Possebon, que jogou pelo United também, Fabio, obviamente. Algumas vezes você tem de fazer isso. O (Adnan) Januzaj agora.”

Ainda assim, o irlandês elogiou a atual safra britânica que tem ganhado seu espaço no time e até mesmo em seleções, embora tenha seu talento questionado por parte da mídia e dos torcedores. “É fantástico quando jovens garotos locais conseguem seu espaço. Temos o Danny Welbeck, o Tom Cleverley e o Jonny Evans, eles todos se desenvolveram no sistema, e isso sempre continuará a acontecer no Manchester United, que faz um grande papel em desenvolver jogadores dentro do clube, dando espaço a eles. Isso é parte do United e sempre será”, observou.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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