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Campeonato Londrino, o melhor torneio dentro da EPL

Coincidência ou não, a Premier League pareceu ter sua tabela divida geograficamente nas últimas duas temporadas. No topo, os rivais de Manchester foram os únicos em condições de lutar pelo título. A briga pelas competições europeias ficou praticamente limitada a Londres – com a intromissão do Newcastle em 2011/12. Logo abaixo, os vizinhos de Liverpool até tentaram chegar a este patamar, mas acabaram formando um terceiro estrato. E, da oitava posição para baixo, a massa é formada pelos interioranos e pelos londrinos menos abastados.

Com a festa garantida do Manchester United, o torneio tem o ponto final em sua disputa mais importante, pela taça. Ainda assim, a melhor parte deverá ficar para as últimas rodadas. Convenhamos, a disparada dos Red Devils e a ineficácia do Manchester City não deram muita graça à definição do campeonato – ao contrário do que aconteceu em 2011/12. E, ao menos Arsenal, Chelsea e Tottenham têm trabalhado bem para garantir a emoção até a reta final.

Separados por dois pontos, os rivais prometem tornar a definição do Top Four em uma verdadeira guerra. Afinal, se classificar à Liga dos Campeões vale bem mais do que a honra na capital inglesa. Dentro da realidade de cada um dos clubes, o que está em jogo é a estabilidade na próxima temporada. Nas próximas linhas, acompanhe um guia do “Campeonato Londrino” e os pontos fortes de cada um dos concorrentes na disputa.

Arsenal
Cazorla, do Arsenal (Foto: AFP PHOTO / ADRIAN DENNIS)
Cazorla, do Arsenal (Foto: AFP PHOTO / ADRIAN DENNIS)

Campanha: Terceiro colocado, com 63 pontos em 34 jogos
Próximas rodadas: Man Utd (C), QPR (F), Wigan (C), Newcastle (F)
No primeiro turno: 1×2 Man Utd, 1×0 QPR, 1×0 Wigan, 7×3 Newcastle
Rodadas na zona de classificação à LC: Seis rodadas
Últimos 10 jogos na PL: 8 vitórias, 1 empate, 1 derrota
Desfalques para a reta final: Abou Diaby e Lukasz Fabianski
Destaque individual: Santi Cazorla (12 gols, 8 assistências)
Principais estatísticas: Posse de bola (1º na PL), Passes (1º), Gols de contra-ataque (1º), Gols marcados (2º), Gols sofridos (2º)

O Arsenal esteve presente nas últimas 15 edições da Liga dos Campeões. Não retornar ao torneio continental pode ser a gota d’água para Arsène Wenger. O jejum de títulos nos últimos anos já é motivo suficiente para o treinador ter seus métodos de trabalho contestados – em especial a política de contratações. E, se há algum tempo atrás ele declarou que considerava mais importante se classificar ao torneio continental do que conquistar uma das copas domésticas, a perda da vaga é a deixa para que o francês receba o bilhete azul.

Entre os três londrinos, os Gunners são os que vêm de melhor sequência de resultados na Premier League. Porém, as oito vitórias foram conquistadas contra adversários sem tanta expressão. E essa eficiência contra os pequenos é que pode ser o fiel da balança a Wenger. Dos 11 jogos contra os sete primeiros colocados, o Arsenal só venceu um: contra o Tottenham, no primeiro turno. E o único dos times do topo que estará no caminho é o Manchester United, interessado somente nos recordes que pode quebrar.

Nas duas rodadas finais, a pressão cresce não só pelo fato de ter que enfrentar Wigan e Newcastle, ambos ameaçados pelo rebaixamento. É que, a esta altura, Chelsea e Tottenham já terão igualado a partida que têm a menos. Para alívio dos Gunners, a rodada que empatará o número de jogos coloca frente a frente justamente Blues e Spurs, o que deve diminuir o impacto do resultado – e até mesmo fazer que um dos dois se mate ali.

Na atual situação, a matemática não garante que o empenho único do Arsenal o coloque na Champions. Mas, diante das circunstâncias, dá para crer que o time precise somente do próprio empenho para chegar lá. Para tanto, precisa encontrar uma solução urgente para os recorrentes rombos na defesa, bem como demonstrar a objetividade ofensiva que não tem sido o padrão. Ter a voracidade que tanto faltou em momentos decisivos da temporada será fundamental.

Chelsea
Mata, Oscar e Lampard comemoram gol do Chelsea (FOTO: GLYN KIRK/AFP)
Mata, Oscar e Lampard comemoram gol do Chelsea (FOTO: GLYN KIRK/AFP)

Campanha: Quarto colocado, com 62 pontos em 33 jogos
Próximas rodadas: Swansea (C), Man Utd (F), Tottenham (C), Aston Villa (F), Everton (C)
No primeiro turno: 1×1 Swansea, 2×3 Man Utd, 4×2 Tottenham, 8×0 Aston Villa, 2×1 Everton
Rodadas na zona de classificação à LC: 34 rodadas
Últimos 10 jogos na PL: 5 vitórias, 2 empates, 3 derrotas
Desfalques para a reta final: Ashley Cole e Oriol Romeu
Destaque: Juan Mata (10 gols e 15 assistências)
Principais estatísticas: Gols marcados (2º na PL), Gols sofridos (2º), Aproveitamento nas finalizações (3º), Faltas sofridas (3º), Gols em bolas paradas (3º)

O Chelsea sentiu o gosto de perder o Campeonato Londrino na última temporada, mas conseguiu rir por último. Fora da zona de classificação à Liga dos Campeões na Premier League, os Blues buscaram a taça continental para voltar ao torneio na edição seguinte – e fizeram o Tottenham pagar o pato. Lição aprendida? Não parece. O mau rendimento da equipe de Rafa Benítez, unido à sobrecarga de jogos nesta temporada, coloca o clube em risco de se ausentar da LC pela primeira vez desde que foi comprado por Roman Abramovich.

Salvar a campanha na Premier League com a vaga ao torneio seria a melhor maneira de evitar mudanças drásticas nos bastidores. Deixar de ganhar os milhões garantidos pela participação no torneio não é grande preocupação para o magnata russo. Problema maior por um possível fracasso na empreitada é a perda de atratividade no mercado. Para trazer grandes estrelas longe dos holofotes da Champions, os Blues deverão assinar cheques ainda mais polpudos. Uma conta que talvez não feche em tempos de Fair Play Financeiro.

Único a dividir as atenções também com a Liga Europa, o Chelsea precisa superar a maratona e saber dosar suas forças. Um dos problemas recentes da equipe foram os tropeços contra adversário sem tanta expressão, o que ocasionou a perda de pontos importantes. Tais erros não podem ser repetidos contra Swansea e Aston Villa – ou mesmo ante Everton e Man United, sem maiores interesses na competição. Já a decisão fica marcada para o dia 8 de maio, contra o concorrente Tottenham, a quem venceu no primeiro turno em White Hart Lane.

Levar a Liga Europa pode até ser importante para inflar o ego de Abramovich, mas Benítez precisa definir suas prioridades. A maioria dos destaques do elenco já passou de 60 jogos na temporada – por volta de 10 a mais do que quem mais esteve em campo por Arsenal e Tottenham. Manter Juan Mata, Ramires, David Luiz e outros nomes importantes afiados para a Premier League é a melhor forma de evitar os desleixos cometidos nas últimas rodadas. Copeiros como são, os Blues têm margem para crescer em uma reta final como essa.

Tottenham
Bale tem sido um dos melhores jogadores da Premier League na temporada (Foto: AFP PHOTO/GLYN KIRK)
Bale tem sido um dos melhores jogadores da Premier League na temporada (Foto: AFP PHOTO/GLYN KIRK)

Campanha: Quinto colocado, com 61 pontos em 33 jogos
Próximas rodadas: Wigan (F), Southampton (C), Chelsea (F), Stoke (F), Sunderland (C)
No primeiro turno: 0x1 Wigan, 2×1 Southampton, 2×4 Chelsea, 0x0 Stoke, 2×1 Sunderland
Rodadas na zona de classificação à LC: 15 rodadas
Últimos 10 jogos na PL: 6 vitórias, 2 derrotas, 2 empates
Desfalques para a reta final: Sandro, Younes Kaboul e William Gallas
Destaque: Gareth Bale (18 gols e 8 assistências)
Principais estatísticas: Finalizações no gol (1º na PL), Finalizações do adversário (1º), Chutes de fora da área (1º), Desarmes (5º)

Ficar de fora da última Liga dos Campeões teve seu custo ao Tottenham: a venda de Luka Modric. Sem o dinheiro do torneio continental, a diretoria precisou se desfazer de um dos principais nomes do time para agir com maior liberdade no mercado de transferências. No final das contas, os torcedores não podem reclamar muito do saldo. Jan Vertonghen, Moussa Dembélé e Hugo Lloris chegaram muito bem ao time, enquanto Gareth Bale, a estrela que ficou em Londres, conseguiu melhorar ainda mais seu rendimento.

E, para alegria dos Spurs, o galês está de volta ao time para a reta final da temporada, depois de se ausentar por lesão. O camisa 11 teve ótima atuação na virada alcançada contra o Manchester City neste domingo. Um resultado importantíssimo para relembrar o objetivo do Tottenham na competição, depois da queda de produção sofrida a partir de março. Bale não joga apenas pelo sucesso do time na Premier League, mas também por sua permanência em White Hart Lane – que pode estar em xeque caso o filme do último ano se repita.

Obviamente, os Spurs não podem ficar tão dependentes do meia como de costume na temporada. As entradas decisivas de Jermain Defoe e Lewis Holtby contra o City serviram também para aumentar a confiança nas outras alternativas ofensivas do time. E, mais do que com o ataque, André Villas-Boas deve se preocupar mais em acertar a defesa. O setor tem falhado com constância e não passa 90 minutos sem ser vazado na Premier League há nove jogos.

Pela frente nas últimas rodadas, sorte e azar. Sorte de enfrentar quatro adversários da metade inferior da tabela, além do Chelsea, rival direto. Azar por todos esses adversários estarem ameaçados pelo rebaixamento e pela “final” contra os Blues estar marcada para Stamford Bridge. Se Bale continuar infernal e em forma, as chances de retorno à Liga dos Campeões aumentam. E se, coletivamente, os Spurs souberem recuperar a competência demonstrada em momentos específicos da temporada, a vaga pode ficar nas mãos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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