O ‘controverso’ acordo de um time da Premier League com a rede social X
Parceria visa aumentar alcance e engajamento do time mas esbarra em dificuldade da plataforma em controle de abusos
O Burnley, promovido à disputa da Premier League 2025/26, se tornou o primeiro clube da elite inglesa a ter uma parceria comercial com a rede social X, antigo Twitter.
A ideia é que as partes se unam e cooperem na produção de conteúdo para proporcionar mais engajamento e projeção a nível internacional, segundo o comunicado ao qual o jornal “The Athletic” teve acesso. A aliança, porém, foi definida como “controversa” pelo periódico.
O problema da parceria do Burnley com o X
O X foi adquirido por Elon Musk em 2022 — ainda com o nome Twitter — por 44 bilhões de dólares (R$ 244 bilhões). A rede social é uma das mais populares do mundo e se envolveu diretamente em questões políticas com a gestão nova, dada a proximidade entre o mandatário e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O sul-africano assumiu o cargo de líder do Departamento de Eficiência Governamental do país quando o então amigo foi eleito, em novembro de 2024, mas se despediu do posto em maio deste ano e, de quebra, rompeu a amizade com o chefe de Estado.

O que não mudou com o tempo foi o ideal adotado no gerenciamento do X. Musk falava em promover “liberdade de expressão” e “espaço seguro” na plataforma, mas as mudanças feitas por ele foram criticadas por especialistas sob a alegação de que a mídia tinha passado a contribuir com disseminação de fake news, desinformação e discursos de ódio.
O órgão de segurança da internet na Austrália também alegou que o número de mensagens com conteúdo abusivo disparou entre 2023 e 2024 em decorrência de demissões em massa de funcionários e retorno de contas anteriormente bloqueadas.
O X reforça em termos de uso ser adepto a “proporcionar o diálogo público, e isso requer a representação de diversas perspectivas” e descreve que o usuário “não pode direcionar abuso ou assédio a outras pessoas nem encorajar demais pessoas a fazê-lo”.
Caso seja provado uma eventual violação, as penalizações em primeiro momento dizem respeito ao engajamento, como diminuir a visibilidade da postagem e restringir visibilidade do autor.
A plataforma diz não ser possível filtrar ou remover eventuais posts abusivos, porém, pode solicitar ao autor a exclusão do conteúdo e, em último caso, suspender da conta.
Para além das diretrizes do X, o acordo com o Burnley foi visto como polêmico porque, em 2021, clubes do futebol inglês — o que inclui os Clarets — protestaram contra as redes sociais devido ao nível crescente de abusos que jogadores enfrentavam.
Na época, um estudo da Associação de Jogadores de Futebol Profissional (PFA) apontou que dois em cada cinco atletas da Premier League haviam sido vítimas de ofensas no então Twitter.
— Desde 2015, a PFA vem pedindo abertamente que os jogadores sejam mais protegidos online. No entanto, o anonimato das redes sociais e a falta de um protocolo adequado tornam muito difícil identificar, punir e erradicar os agressores — afirmou a entidade em nota no site.
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Acordo inclui série sobre volta à Premier League

A vigência da parceria entre Burnley e X não foi anunciada, mas trata-se de um negócio “plurianual” e inclui uma série de produção “X Originals” para retratar a primeira temporada da equipe de volta à elite. São 20 episódios, informou o “The Athletic”, com duração de 10 a 12 minutos.
É possível ainda que o time tenham jogos da pré-temporada transmitidos na rede social. Um grupo da plataforma vai atuar no gerenciamento de mídia, criação e distribuição de conteúdo, com foco em atrair fãs de futebol e potenciais parceiros comerciais.
Apesar das críticas sobre o papel da empresa na disseminação de discursos abusivos, Jonathan Lewis, diretor do X no Reino Unido, ressaltou ao jornal que esse tipo de projeto pode ser importante para levar mensagem positiva.
— Falamos em criar uma nova realidade para o futebol. Reformular a conversa contando histórias de qualidade e engajando torcedores, que é o que importa em termos de alcance de massa. Se enchermos a sala com positividade, não haverá espaço para negatividade. É um bom ponto de partida — disse ele.



