‘Céu é o limite’: Como o Brentford achou Sangaré, ‘diamante’ em mercado de meias inflacionado
Reforço de time de Igor Thiago tem se mostrado uma 'pechincha' no início da Premier League
O mercado de meio-campistas nunca esteve tão caro na Premier League. No top 10 de contratações da liga na janela de transferências recém-finalizada, sete são do meio-campo. Três deles (Enzo Fernández, Elliot Anderson e Sandro Tonali) ultrapassaram os 100 milhões de libras. Nenhum, porém, tem brilhado tanto como um jovem do Brentford que custou menos da metade desse valor.
Mamadou Sangaré foi uma transferência pouco midiática do mercado. Veio por uma quantia recorde aos Bees, 39 milhões, que pode ser muito só na realidade do clube do subúrbio de Londres. Seu impacto em apenas duas rodadas, porém, já mostra que foi uma pechincha paga ao Lens.
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O volante nascido em Mali precisou de pouco para mostrar que tem tudo para ser alvo dos maiores times do Campeonato Inglês. Já é apontado como um jogador que os departamentos de scout do Big Six deixaram passar. A empolgação parece prematura pelo pouco tempo de jogo, mas é justificável.
Sangaré ofuscou meio-campo milionário do Tottenham
Até aqui, Sangaré mostrou que pode fazer todas no meio-campo: camisa 5, 8 ou até 10. Mais recuado no campo, mostrou qualidade com o drible curto e a força física para escapar da pressão e direcionar os ataques. Mais avançado, mostrou poder ofensivo e qualidade técnica. Sem a bola, é um jogador agressivo para subir a pressão e forçar os combates.
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Logo na estreia na Premier League, vitória por 3 a 0 sobre o Tottenham, o jovem de 24 anos mostrou a que veio. Ditou o ritmo mesmo contra um adversário que investiu muito justamente em seu meio-campo, que contava com a dupla de volantes Tonali, terceiro meia mais caro da janela, e Matheus Fernandes, que custou 85 milhões.
O novo jogador colega do brasileiro Igor Thiago no Brentford foi decisivo para a construção do placar sobre os Spurs. Logo com 11 minutos, recebeu a bola na intermediária, tabelou com Dango Ouattara para invadir a área e cruzar na medida para Keane Lewis-Potter. No segundo tempo, surgiu na área para finalizar escanteio e forçar o rebote que culminou no terceiro gol do dia, de Michael Kayode.
Mamadou Sangaré 🔗 Keane Lewis-Potter
— Brentford FC (@BrentfordFC) August 22, 2026
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— Tem sido muito bom trabalhar com ele, e acho que o clube merece muito crédito por ter conseguido fechar esse negócio. Tenho certeza de que muitos clubes estavam de olho no Mamadou — elogiou o técnico dos Bees, Keith Andrews, após a vitória em cima do Tottenham.
Uma exibição desse nível, contra jogadores de elite consolidados na maior liga do mundo, foi um recado passado. E que continuou nas partidas seguintes. Na Copa da Liga Inglesa, mesmo tendo pouco tempo saindo do banco de reservas, brilhou. Em escanteio curto, apareceu na entrada da área para dominar com a direita (a perna ruim) e cruzar de canhota com perfeição para o gol de Nathan Collins.
No empate em 1 a 1 com o “chato” Leeds United, no último final de semana, seguiu sendo decisivo ofensivamente. Foi em um chute dele bloqueado na entrada da área que a bola sobrou para Lewis-Potter dar a assistência para o gol de Kevin Schade.
— Ele se encaixou muito bem e se adaptou muito bem. Nunca se sabe: é uma liga diferente, um idioma diferente, embora o inglês dele seja praticamente impecável. Ele é simplesmente um jovem humilde e com muita fome de crescer — elogiou Andrews.
Mamadou Sangare, effortless 😮💨@BrentfordFC pic.twitter.com/YGorpomimD
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Ao fim de duas rodadas da maior liga do mundo, Sangaré está entre os principais em desarmes (seis), interceptações (cinco), passes decisivos (quatro) e duelos ganhos pelo chão (11). Números que ilustram como o jogador domina diferentes áreas do jogo. É a visão que ex-colegas também têm dele.
‘Sangaré é uma mistura de camisa 5 com 8'
O jovem malinês começou sua trajetória no futebol no seu país natal e se destacou tanto a ponto de chamar a atenção da Red Bull, que o adquiriu via Salzburg, da Austrália, e depois o emprestou ao FC Liefering, também da empresa de energético. Ele passou por mais dois clubes austríacos, além do Zulte Wagem, da Bélgica, até se consolidar no Rapid Viena, onde já saltava aos olhos.
“Ele é muito forte tecnicamente, consegue driblar e sempre encontra soluções em espaços muito, muito curtos”, disse Markus Katzer, CEO do time de Viena, em uma matéria especial do “The Athletic” sobre o jogador. “A maneira como ele recupera a bola é sua maior qualidade. Ele é uma mistura de um camisa 5 com um camisa 8”.
Foi na capital da Áustria que Sangaré recebeu seu primeiro chamado à seleção africana, sob o comando do ex-técnico Tom Saintfiet. “Ele é a nova estrela, o novo diamante do futebol malinês”, elogiou o comandante, que ficou em Mali até abril passado, à mesma reportagem.
Após o brilho em Viena, o meio-campista deu o salto a uma grande liga europeia. Em apenas uma temporada no Lens, entrou para a seleção da Ligue 1 pela campanha de vice-campeão e foi vendido por quase quatro vezes mais do que foi comprado (13 milhões de euros e, posteriormente, 48 milhões).
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Por lá, mesmo tendo jogadores do gigante PSG como concorrentes, foi o líder em média de contribuições defensivas por 90 minutos (14,2), número que também o faria ser o líder na Premier League passada.
O bom nível no Brentford é a continuação do que vem ocorrendo nos últimos anos. Se continuar nessa toada, o jovem da seleção malinesa tem tudo para ser um nome badalado no próximo mercado de transferências.
— Pela qualidade que tem e pela pouca idade, o céu é o limite para Sangaré — relembrou Roland Puchas, porta-voz do austríaco TSV Hartberg, que o meia defendeu, também em entrevista ao “The Athletic”.