Inglaterra

Brendan Rodgers: “Não tivemos (no mercado) a ajuda que este time precisava”

O técnico do Leicester não suavizou aos torcedores: o time está pior do que na temporada passada

Brendan Rodgers desabafou sobre a janela de transferências do Leicester, após a derrota por 1 a 0 para o Manchester United na última quinta-feira, quando o mercado do futebol europeu fechou sem que as Raposas fizessem uma contratação para realmente dar um passo à frente. O único negócio foi o zagueiro Wout Faes, do Stade de Reims, como reposição a Wesley Fofana, vendido ao Chelsea.

Rodgers disse que entende a situação financeira do clube, detalhada pelo presidente Aiyawatt Srivaddhanaprabha em suas notas no programa do jogo contra o United, mas não suavizou para a torcida: o time do Leicester está mais fraco do que ano passado e os principais concorrentes pelo posto de melhor do resto ficaram mais fortes.

Para piorar, durante toda a janela de transferências houve o risco de perder jogadores importantes. Youri Tielemans e James Maddison também foram muito especulados. A venda de Fofana poderia liberar fundos para trazer dois ou três jogadores, mas, como aconteceu quase em cima do fechamento, o máximo que deu para fazer foi trazer uma reposição de última hora. Sem falar que o goleiro Kasper Schmeichel foi vendido, sem um substituto à altura.

“Estou feliz que a janela fechou. Tem sido uma distração enorme para nós. Se você ler as notas do programa do jogo, você verá a situação do clube. Foi difícil ter que ver cada clube das cinco principais ligas contratar jogadores e nós não conseguimos melhorar. Não apenas como treinador, mas para os jogadores, porque eles querem competir. Este grupo mostrou que pode competir, mas precisávamos de ajuda. Infelizmente, não pudemos conseguir isso. Acho que isso é claro”, disse.

“Eu vim para o Leicester para competir e nos primeiros anos conseguimos fazer isso. Nas últimas duas janelas, não conseguimos acrescentar ao time. Como você vê com todos os principais times, você tem que acrescentar qualidade. Infelizmente para nós, não conseguimos fazer isso”, acrescentou.

Rodgers talvez se refira à janela anterior de inverno, porque, na de verão, o Leicester investiu. Contratou Patson Daka, Boubakary Soumaré, Jannik Vestergaard e Ryan Bertrand, além de Ademola Lookman por empréstimo, sem perder nenhum dos seus principais jogadores. Um gasto líquido de cerca de € 60 milhões.

Citando que o impacto da pandemia é inegável, Srivaddhanaprabha começou sua explicação dizendo que a situação financeira geral do clube é totalmente segura, mas que foi necessário tomar decisões de “curto prazo” para proteger os interesses de “longo prazo”. Ele afirmou que o gasto do clube aumentou nas últimas temporadas e, portanto, algumas medidas foram necessárias para garantir o cumprimento das regras de sustentabilidade do futebol. Isso significou gerar lucro por meio da venda de jogadores.

“Fizemos isso com sucesso durante cinco janelas de transferências de verão consecutivas antes de 2021, quando optamos por fazer mais investimentos no time sem uma venda significativa. Neste verão, não poderíamos correr o risco de desequilibrar essa equação ainda mais, então decidimos que era necessário abrir espaço no time antes de trazer novas adições. Construir o clube a um nível em que somos menos dependentes da venda de jogadores exige boa administração, estratégia, investimento sustentável, sucesso em campo e tempo”, defendeu.

Rodgers entende a situação financeira, mas não deixa de ficar frustrado. “O mais importante é a sustentabilidade do clube. Não posso pensar apenas em mim mesmo. Claro que eu adoraria ter cinco ou seis jogadores a mais, o que traz qualidade, traz competição, melhora os jogadores que temos. Se não podemos fazer, eu respeito isso. Tenho que fazer o melhor com os recursos que eu tenho”, disse.

“A competição agora é maior. Quatro ou cinco anos atrás, o Leicester era o principal clube além da elite, mas acho que está claro que há mais desafiantes agora com mais dinheiro, e é muito mais difícil. Temos que lidar com a situação com o que temos. Eu amei cada minuto que estive aqui. Nunca fiquei tanto tempo em um clube e isso é por causa dos jogadores e por causa dos proprietários. Eles me deram todo o apoio”.

“Meu desafio era perturbar o mercado e conseguimos fazer isso. Vencemos a Copa da Inglaterra e queríamos construir em cima disso, mas não pudemos fazê-lo. Confio na diretoria. Se eles me dizem que não podemos fazer algo, então não podemos. Felizmente, mostrei no meu tempo aqui que posso competir sem os melhores recursos, mas é frustrante. Estou tão ansioso para a janela fechar e agora encarar esse desafio”, encerrou.

O Leicester ainda não venceu na Premier League e é o lanterna com apenas um ponto. No fim de semana, viaja para enfrentar o Brighton.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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