InglaterraPremier League

Bradley no Swansea: novidade interessante para técnicos americanos e para a Premier League

O Swansea adquiriu o costume de tentar coisas diferentes do que costumamos vern a Premier League na hora de escolher seu novo técnico. Depois de Brendan Rodgers, tentou Michael Laudrup. O último comandante foi Francesco Guidolin. Com a demissão do experiente italiano, chega outra aposta: o americano Bob Bradley, 58 anos, ex-técnico da seleção dos EUA e do Egito.

LEIA MAIS: Jogadores da MLS fizeram os jogos de habilidade do FIFA 17 na vida real

O clube galês encontra-se em uma situação difícil no Campeonato Inglês, com quatro pontos em sete rodadas, e decidiram dar uma chance a um conterrâneo. Mas Bradley não conseguiu o emprego apenas por ser americano como seus chefes. Tem, em seu interessante currículo, exemplos de lidar bem com desafios e situações adversas.

Após levar a seleção americana às oitavas de final da Copa do Mundo de 2010, com direito a uma vitória por 2 a 0 sobre a então campeã europeia Espanha na Copa das Confederações do ano anterior, Bradley assumiu a seleção egípcia, em meio à Primavera Árabe. No seu segundo ano de trabalho, houve o desastre de Port Said e a paralisação do Campeonato Egípcio. Os resultados esportivos não vieram, e o Egito não conseguiu classificar-se ao Mundial do Brasil. Mas Bradley, pela sua postura diante dos problemas – decidiu continuar morando no país, apesar do turbilhão político -, ganhou o respeito dos torcedores.

Bradley seguiu para a Noruega, onde treinou o Stabaek. E não foi mal: terminou a liga em terceiro lugar e classificou o time para a Liga Europa. Em novembro de 2015, assumiu o Le Havre, da segunda divisão francesa, e quase alcançou a promoção (ficou em quarto lugar, com os mesmos 65 pontos do terceiro, que subiu para a Ligue 1).

Segundo o site da Major League Soccer, ao assumir o Stabaek, tornou-se o primeiro técnico americano a treinar um time europeu de primeira divisão na história. Agora, será pioneiro também nas grandes ligas europeias. Na Inglaterra, fará companhia a David Wagner, outro americano, que treina o Huddersfield, da Championship, e está cotado para ser o novo comandante do Aston Villa, também da Segundona. Bradley sabe que tem a responsabilidade de fazer um bom trabalho para continuar tentando abrir as portas para seus colegas americanos. Em maio, mostrou que o que não falta é confiança.

“Quando tenho a chance de observar treinadores diferentes, os que fazem um bom trabalho, cito Pochettino, Klopp, Tuchel, que assumiu no lugar de Klopp no Dortmund e é um fantástico jovem treinador”, disse à rádio SiriusXM. “Nem estou falando em ‘Guardiolas’ e ‘Ancelottis’. Mas digo para você, talvez eu seja estúpido, mas acho que sou um técnico mais ou menos desse nível. Não digo que sou melhor que esses caras – não tive as esse tipo de oportunidade -, mas eu acho que as pessoas que jogaram comigo sempre sentiram que a experiência era diferente, que o treinamento era desafiador, que havia várias coisas para que eles se tornassem melhores jogadores e melhores pessoas”.

O Swansea encontra em Bradley um técnico experiente, obcecado pelo trabalho, detalhista e muito intenso. Pode dar certo ou errado, mas é uma novidade interessante. Para clube galês, para técnicos americanos e para a Premier League.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo