‘Pânico, depressão, paranoia’: Volante do Tottenham desabafa após ser flagrado com droga ilegal
Bissouma detalha abalo familiar, insegurança constante e esforço para se reerguer dentro e fora do futebol
Yves Bissouma, meio-campista do Tottenham e capitão da seleção de Mali, falou publicamente neste domingo (14) sobre o episódio em que foi flagrado inalando óxido nitroso — substância conhecida como “droga do riso” — e que resultou em nova suspensão aplicada pelo clube londrino.
Em entrevista ao jornal britânico “The Sun”, o jogador de 29 anos pediu desculpas aos torcedores e aos Spurs, ao mesmo tempo em que buscou contextualizar o ocorrido a partir de acontecimentos recentes de sua vida pessoal — sobretudo um assalto que, segundo ele, desencadeou um profundo abalo emocional.
No início do relato, Bissouma descreveu o impacto psicológico do crime, ocorrido meses antes da divulgação das imagens. “Peço desculpa. Este incidente (o assalto) partiu algo em mim que eu nem sabia que se podia partir. Peço desculpa aos adeptos. O trauma instalou-se na minha vida”, afirmou o atleta, afastado das atividades depois que o material circulou na imprensa esportiva inglesa.
Bissouma: ‘Quando o meu pai viu a imagem, entrou em pânico’

O volante também destacou o efeito do episódio sobre seus familiares, apontando a repercussão da imagem — inalando a droga — como um fator de sofrimento coletivo.
— Sinto-me muito mal com tudo isso. Tenho de pedir desculpa. Quando a fotografia saiu, afetou-me a mim e a todos, especialmente à minha família. Quando o meu pai viu, entrou em pânico porque não se sentiu bem. Tentei fazê-lo compreender que é uma imagem dura, mas não é quem eu sou. Sei que não é bom para mim, para a minha imagem, porque sou um jogador de futebol profissional.
Segundo a imprensa britânica, o assalto teria causado um prejuízo próximo de um milhão de libras, valor que ajuda a dimensionar a gravidade do ocorrido, mas que, nas palavras do próprio atleta, não resume a dimensão da perda.
— Sou uma pessoa forte. Sou um homem africano, mental e fisicamente forte. Já enfrentei batalhas e tempestades, mas esses incidentes… partiram algo em mim que eu nem sabia que se podia partir. Perguntei a mim mesmo “por que eu?”. Odeio me sentir uma vítima, mas o que perdi não foi apenas material. Foi o que o trauma acrescentou à minha vida — o medo, o pânico, a depressão, a paranoia, noites sem dormir e uma perda constante de confiança.
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Histórico recente, acompanhamento psicológico e meta

O caso ganha contornos ainda mais delicados pelo histórico recente do jogador, já que Bissouma havia sido suspenso em agosto do ano passado pelo uso da mesma substância. Ele sustenta que a sequência de assaltos e o clima de insegurança foram determinantes para o agravamento de sua saúde mental.
— Minha saúde mental já esteve ruim algumas vezes. Não é uma desculpa para o que aconteceu, mas espero que as pessoas possam talvez me compreender um pouco melhor por causa disso. Às vezes, tinha medo de dormir em casa e, por isso, dormia no CT. Durante uns três, quatro, às vezes cinco dias, dormia lá porque não queria estar em casa. Até falar sobre isso é difícil.
No relato mais pessoal da entrevista, o meio-campista detalhou o acompanhamento psicológico que passou a fazer e as dificuldades para manter uma rotina emocionalmente estável.
— Você tenta se manter forte. No meu rosto, eu tentava demonstrar amor, mas por dentro eu estava em chamas. Eu conversava com um terapeuta às vezes cinco vezes por semana. É depressão, sim. Eu estava chorando para morrer? Não. Às vezes na vida você se sente um pouco para baixo, mas precisa tentar renovar a mente e se manter forte.
Atualmente fora das opções do técnico Thomas Frank, Bissouma diz concentrar esforços na recuperação física e emocional para voltar a competir. No Tottenham desde junho de 2022, o malinês ainda não entrou em campo na atual temporada.
— Tudo o que faço é pela minha família. Só tento mantê-los seguros. Relaxo jogando computador, brincando com o meu filho e a passando tempo com a minha família. Eles incutiram-me a religião e sim, rezo a Deus. Rezo muito. Sou uma pessoa espiritual, e isso vem da minha família. Agora quero é seguir em frente após os meus erros. Gosto de jogar no Tottenham. Só estou pensando em ficar em forma novamente e tentar desfrutar do futebol.



