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Beckham, 40 anos: mais do que um rosto bonito e marketing, um grande jogador

David Robert Joseph Beckham completa neste dia 2 de maio 40 anos de idade. Um dos grandes ícones da sua geração na Inglaterra, sempre foi muito querido pelas lentes dos fotógrafos e editores de tabloides. Sua beleza sempre chamou muito a atenção e casar com a Spice Girl Victoria Adams só aumentou a sua exposição no mundo do entretenimento e das celebridades. O Spice Boy, como passou a ser chamado, sempre marcou presença em eventos de moda e capas de revista e, por isso, muitas vezes foi criticado por ser um jogador comum com muito marketing. Uma avaliação injusta. Beckham se tornou um grande produto de marketing, mas em campo sempre foi um jogador tecnicamente excelente e que ajudou muito os clubes pelos quais passou. Sem ser um craque como Ronaldo ou Zidane, com quem atuou, sempre foi um jogador acima da média. Não por acaso tem um currículo vitorioso e conseguiu ser autor de tantos golaços, além de ter conquistado muitos títulos.

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Nascido em Leytonstone, bairro no lado leste de Londres, Beckham começou a jogar nas categorias de base do Manchester United. Não por acaso. Seus pais, Sandra Georgina e David Edward Alan, eram fanáticos torcedores dos Red Devils e frequentemente iam de Londres a Manchester para torcer pelo time. Tentou jogar em diversos lugares, como o Leyton Orient, time da sua região em Londres, Norwich City e Tottenham. Chegou a atuar pelos Spurs ainda adolescente, mas entrou definitivamente nas categorias de base do Manchester United aos 14 anos, quando assinou um contrato de formação.

O Manchester United tinha uma geração que depois ganharia fama (e fortuna) da qual Beckham fazia parte. Além dele, Gary Neville, Paul Scholes e Ryan Giggs eram parte da chamada classe de 1992. O time foi campeão da Copa da Inglaterra juvenil naquele ano. Beckham, inclusive, marcou um dos gols na vitória por 3 a 1 sobre o Crystal Palace, no jogo de ida da final. Foi naquele mesmo ano, no dia 23 de setembro de 1992, que Beckham estreou pelo time profissional, em um jogo da Copa da Liga contra o Brighton & Hove Albion. O resto é história.

“Ele nunca foi um problema até que ele se casou. Ele costumava trabalhar com os técnicos das categorias de base à noite, ele era um garoto fantástico. Casar naquele cenário de entretenimento foi algo difícil – daquele momento em diante, a vida dele nunca mais seria a mesma. Ele é uma celebridade tão grande que o futebol é só uma pequena parte”, disse Alex Ferguson, técnico de Beckham no Manchester United, em 2007 sobre o casamento do astro.

Quando Alex Ferguson apostou nas categorias de base logo após o fim da temporada 1994/95, com a saída de vários jogadores experientes, havia muita desconfiança. Beckham foi um dos jogadores que Ferguson apostou. Tornou-se titular do lado direito do meio-campo no clássico 4-4-2 de Ferguson. Sua história no Manchester United é de muito sucesso e títulos.

Em 1998, porém, ele viveu um momento difícil pela seleção inglesa. Na sua primeira Copa do Mundo, Beckham acabou sendo expulso por revidar uma provocação de Diego Simeone, no jogo das quartas de final – aquele mesmo que consagrou Michael Owen, que marcou um golaço. A derrota inglesa nos pênaltis o colocou como vilão por ter sido expulso de maneira tão infantil. A crítica foi dura com Beckham, que acabou tendo que recuperar o seu espaço no clube. Mas nem demorou muito.

David Beckham é expulso  por Kim Milton Nielsen contra a Argentina  (AP Photo/Denis Doyle)
David Beckham é expulso por Kim Milton Nielsen contra a Argentina (AP Photo/Denis Doyle)

Na temporada 1998/99, foi o grande destaque do time que levou a tríplice coroa: Campeonato Inglês, Copa da Inglaterra e Champions League.  Para Gary Neville, aliás, ele foi o grande jogador daquela final. “Os grandes jogadores são definidos pela sua habilidade de influenciar as grandes partidas e na maior temporada de todas do Manchester United, 1998/99, ele contribuiu muito. Na verdade, ele foi nosso melhor jogador na final da Champions League”, disse ex-lateral, atual comentarista. Beckham cobrou os dois escanteios que resultaram em gols do Manchester United naquela épica final de 1999.

Foram muitos títulos no clube inglês: seis Premier Leagues, duas Copas da Inglaterra, uma Champions League e um Mundial de Clubes. Beckham era parte do Manchester United que dominava a Inglaterra na segunda metade dos anos 1990 e início dos anos 2000. Os problemas com Ferguson, porém, o levaram a deixar o Manchester United em 2003, quando já era uma estrela mundial. E, justamente por ter esse status, foi contratado para o time de galácticos do Real Madrid. Mas foi por pouco que ele não acertou com o Barcelona, rival dos merengues. O presidente, Florentino Pérez, que voltou ao comando do clube, sempre gostou de contratações que causassem manchetes.

“Ele é um grande jogador que se tornará para da grande história do clube. Ele é um homem dos nossos tempos e um símbolo do estrelato dos dias modernos e o que é certo é que o Real contratou Beckham porque ele é um grande jogador e um profissional muito dedicado. O seu espírito de equipe é insuperável e ele é um dos melhores jogadores ingleses de todos os tempos e apenas por causa disso ele está conosco”, disse Florentino Pérez na apresentação de Beckham.

Pela seleção inglesa, conseguiu a sua redenção daquele episódio de 1998 em 2002, na Copa seguinte. A Inglaterra, eliminada pela Argentina quatro anos antes, caiu no mesmo grupo dos albicelestes na Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão. Foi dele, Beckham, o gol de pênalti que marcou a vitória inglesa por 1 a 0. Os ingleses avançaram até as quartas de final novamente, quando perderam para o Brasil de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo. A Argentina foi eliminada na primeira fase. Jogaria ainda a Copa do Mundo de 2006, quando veio uma eliminação dura para a Inglaterra, novamente nas quartas de final, nos pênaltis. Acabaria sendo a sua última Copa.

No Real Madrid, mesmo sendo uma contratação para uma posição que o time não precisava, Beckham mostrou a sua utilidade. Saiu do lado direito do meio-campo, onde costumava atuar no Manchester United, para ser o titular do meio-campo central. Mas antes disso, a sua passagem já estava sendo muito conturbada. Ele ficou no banco várias vezes, apesar de fazer bons jogos. Em janeiro de 2007, quando faltavam seis meses para o fim do seu contrato, Beckham anunciou que deixaria o Real Madrid para jogar pelo Los Angeles Galaxy. O anúncio causou surpresa porque na época Beckham tinha 32 anos e ainda tinha mercado.

O seu final de temporada no Real Madrid foi tão bom que o Real Madrid tentou anular o pré-contrato de Beckham com o time americano. Não conseguiu. Então, com o fim daquela temporada, que Beckham ajudou o time de Fabio Capello a ganhar o título do Barcelona na reta final, o clube merengue entrou em contato com o Los Angeles Galaxy para negociar a recompra do jogador. Os americanos sequer quiseram negociar. A sua ida para os Estados Unidos estava selada. Ele deixou o Real Madrid justamente levantando a sua única taça importante pelo clube, o Campeonato Espanhol de 2006/07.

“Eu não estou vindo indo para lá para ser uma superestrela. Eu estou indo para ser parte de um time, para trabalhar duro e espero ganhar títulos. Para mim, é tudo uma questão de futebol. Eu estou indo para lá fazer diferença. Eu estou indo para jogar futebol. Eu não estou dizendo que eu ir para os Estados Unidos fará com que o futebol seja o maior esporte do país. Isso seria difícil alcançar. Beisebol, basquete, futebol americano, eles estão em todos os lugares. Mas eu não estaria fazendo isso se eu não achasse que eu posso fazer diferença”, disse Beckham à ESPN quando falou sobre a sua transferência.

No futebol dos Estados Unidos, Beckham fez diferença. Atraiu a atenção do mundo para a crescente liga da MLS. A má qualidade técnica da liga não mudou, mas a atração que ela gerou incentivou mais jogadores de bom nível a irem para os Estados Unidos e melhorou, pouco a pouco, a liga que é disputada. Os jogos ganharam atratividade e melhoraram em vários aspectos.

Durante o seu tempo nos Estados Unidos, Beckham foi emprestado duas vezes ao Milan. Primeiro, em 2009, depois em 2010. Foi nesta segunda passagem que Beckham viveu dois momentos de muita emoção, mas bem distintos. Primeiro, no jogo contra o Manchester United, no estádio Old Trafford, quando foi ovacionado pela torcida do time inglês quando entrou em campo pelo time italiano. Depois, com uma lesão grave no tornozelo que o tirou da Copa do Mundo de 2010, que teria sido sua última, já como veterano.

“No campo, Beckham vê tudo antes de tudo mundo. Sua visão de jogo é melhor agora do que na época de Manchester. Ele é mais lento, mas muito mais forte taticamente e tecnicamente. Ele é muito inteligente e trabalha muito”, declarou na época o técnico Carlo Ancelotti, do Milan, sobre o então jogador de 33 anos.

A MLS que Beckham encontrou em 2007, quando chegou ao país, era muito diferente daquela que ele deixou, em 2012, quando deixou a liga. A liga se tornou muito mais forte e, embora ainda esteja longe das grandes ligas do mundo, tem ganhado mais e mais adeptos – Kaká, melhor do mundo em 2007, foi um deles. Conquistou dois títulos da MLS, em 2011 e 2012, fechando a sua participação no futebol americano com estilo. Mas aquele ainda não seria o último capítulo da carreira do astro inglês.

Aos 37 anos, Beckham ainda jogaria mais um semestre. Foi pelo Paris Saint-Germain que o jogador fechou a sua carreira de sucesso, em 2013. E acabou campeão da Ligue 1 em 2012/13 e sendo ovacionado pelos jogadores e torcedores do PSG. Em uma entrevista logo depois de se aposentar, Beckham disse que escolheu o momento da aposentadoria depois da eliminação do PSG diante do Barcelona – dois empates, por 2 a 2 em Paris e 1 a 1 na Espanha. O inglês afirmou que quando viu que não tinha condição física de acompanhar Messi, era hora de parar.

Beckham nunca foi só um rostinho bonito no futebol, nem só uma superestrela. Dono de qualidade técnica invejável para passes e cruzamentos, ele foi um dos grandes jogadores da sua geração e certamente o melhor e mais bem-sucedido jogador inglês da sua época. Versátil, soube se adaptar a posições diferentes durante a sua carreira, terminando como volante, atuando na marcação e dando qualidade à saída de bola. Sem a mesma velocidade do início de carreira, mas com qualidade de passe e chute, foi por ali que atuou na maior parte do tempo pelo Real Madrid, Galaxy, Milan e PSG.

O seu carisma e capacidade incrível de vender camisas e produtos era uma grande atratividade para os times, mas é reduzi-lo a isso é um erro. Beckham nunca foi um craque, mas foi um grande jogador, que conseguiu marcar época. Só o marketing não faz golaços como ele fez durante toda a sua carreira. Nestes 40 anos que ele completa neste sábado, fica a nossa homenagem a esse jogador que tantas vezes mostrou ser dos melhores do mundo no seu auge – a ponto de ser o segundo colocado no prêmio da Fifa em 1999 e 2001.

Os números de camisas que Beckham usou

O primeiro número que Beckham vestiu foi o 28, quando veio das categorias de base, na temporada 1993/94, mas ele não chegou a jogar. Vestiu esse número também na temporada seguinte. Em 1995/96, ele ele recebeu o número 24. Na temporada seguinte, 1996/97, ele recebeu o número 10. Foi só com a aposentadoria de Eric Cantona, em 1997, que Beckham assumiu a camisa 7, a sua preferida.

Curiosamente, só vestiu esse número no Manchester United e na seleção inglesa. Em todos os outros clubes pelos quais atuou, teve que escolheu outra camisa para vestir. Escolheu o número 23 no Real Madrid, onde a 7 tinha dono, Raúl. Depois, repetiu o número 23 no Los Angeles Galaxy, por ser o número de Michael Jordan e por razões de marketing. No Milan, para quem foi emprestado duas vezes, o número escolhido foi o 32, já que o 23 estava ocupado. No seu último clube, o Paris Saint-Germain, também vestiu o número 32.

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VÍDEOS

Todos os gols de Beckham pelo Manchester United:

OS 5 MELHORES GOLS PELA INGLATERRA

O MELHOR DE BECKHAM NA MLS:

BECKHAM NO REAL MADRID

TOP 10 GOLS

Compilação de gols de Beckham:

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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