Inglaterra

Casos de crime de ódio aumentaram no futebol inglês, mas isso pode significar maior eficácia no sistema de denúncia

Na temporada 2018/19, Inglaterra e País de Gales tiveram 66% mais denúncias de crimes de ódio em estádios de futebol do que em 2017/18. O número é resultado de dados coletados pela agência de notícias britânica Press Association junto ao Ministério do Interior da Inglaterra.

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As informações fornecidas pelo ministério mostram que em 2017/18, houve 129 denúncias de comportamento discriminatório em estádios ingleses e galeses, enquanto a temporada passada, 2018/19, viu 194 denúncias do tipo.

Embora inicialmente soe como algo apenas ruim, o cálculo pode revelar, na verdade, algo bom. Isso porque, como destaca o principal grupo de combate ao racismo no futebol inglês, a Kick It Out, o crescimento pode indicar, na verdade, uma melhoria no sistema de denúncias.

“Os mecanismos de denúncias, como procedimentos dos clubes e o nosso app Kick It Out, assim como a comunicação em torno destes, estão gradativamente melhorando. Portanto, um aumento nos números de denúncias é esperado”, avaliou a Kick It Out, reiterando ainda o “bom trabalho que os clubes já fizeram ao criar mecanismos efetivos de denúncia”.

A organização, no entanto, apontou que os dados sobre discriminação ou inclusão e diversidade estão muito fragmentados entre clubes, órgãos governamentais e autoridades e que é preciso juntar os esforços de toda a comunidade para criar dados mais “robustos e abrangentes para ter uma visão mais precisa dos problemas, criando então soluções mais específicas”.

De fato, os valores pouco informam em questão da dimensão do problema. Tampouco confirmam cientificamente a suposição de que uma sociedade mais intolerante acaba, por consequência, rapidamente gerando um futebol mais intolerante. De qualquer forma, o que se pode confirmar é a impressão de que o maior problema de discriminação do futebol inglês gira em torno do racismo.

Somadas as duas temporadas anteriores, são 323 denúncias de discriminação em estádio. Dessas, 230 (71,2%) foram por causa de episódios de racismo. A proporção é ligeiramente maior quando se isola a temporada 2018/19: dos 194 casos, 140 (72,1%) foram por preconceito racial. Em meio a tantos casos de racismo em Itália e Leste Europeu, a Inglaterra ainda ganhou ela própria as suas manchetes, com os abusos online sofridos por Tammy Abraham, Paul Pogba e Kurt Zouma, por exemplo.

Com os casos acontecendo em sequência, clubes ingleses chegaram a se reunir com redes sociais para traçar algum plano de combate ao crime de ódio nessas plataformas, embora nenhuma medida específica tenha sido anunciada após esses encontros.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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